SANTA RITA DE CÁSSIA

Santa Rita de Cássia – Rita era a abreviação carinhosa de seu verdadeiro nome, Margherita Lotti – foi a primeira mulher a ser canonizada no Grande Jubileu do início do século XX, a 24 de maio de 1900, pelo Papa Leão XIII. Naquela ocasião, o Papa observou que “Santa Rita de Cássia agradou a Cristo, tanto que Ele a quis marcar com o selo da Sua caridade e da Sua Paixão”.

Santa Rita de Cássia, uma das santas mais populares que existe devido às suas impressionantes respostas às orações, é considerada a padroeira das causas impossíveis e também dos casos desesperados, das causas perdidas. Ela nasceu no mês de maio do ano de 1381, no século XIV, no período da Baixa Idade Média, nas montanhas de Roccaporena, perto de Cássia, região da Umbria, na Itália. Ela era a filha única de Antônio Mancini e Amata Ferri, um casal que testemunhou uma intensa vida de oração. Seus pais não sabiam ler e nem escrever, mas ensinaram à filha tudo o que sabiam sobre a fé em Deus, a Santíssima Trindade e a Virgem Santa Maria. Eles contaram também histórias de vida de muitos santos, o que muito contribuiu para aumentar o amor da pequena Rita por Deus e pela Igreja.

Santa Rita de Cássia, aos 13 anos, já tinha manifestado o desejo de ser freira, uma monja agostiniana, mas por obediência a seus pais, casou-se. O marido escolhido pelos pais, como era costume na época, foi Paolo Ferdinando Mancini, um jovem de temperamento bruto e rude, que bebia demais e era infiel no matrimônio. Seu marido causou-lhe muitos sofrimentos por 18 anos, mas ela retribuía sua crueldade com resignação, mansidão, caridade e oração. Agindo assim, ela testemunhou uma heroica existência cristã de esposa e de mãe e conseguiu, pela perseverança na fé, a conversão do seu marido que se tornou um homem temente a Deus e um marido fiel. Na convivência com o marido, a jovem Rita já evidenciava sinais de santidade sobretudo pela oferta do perdão e a aceitação do sofrimento, não de maneira passiva, mas pela força da misericórdia que havia descoberto na Pessoa de Cristo.

Uma grande dor que foi suportada pela jovem Rita foi o assassinato de seu marido. Embora Paolo Ferdinando tenha se convertido verdadeiramente, ele tinha deixado um rastro de violência e rixas entre alguns grupos da cidade. Assim, um dia ele saiu para trabalhar e não voltou para casa. Logo depois, a jovem Rita recebeu a notícia de que seu marido havia sido assassinado. Naquela ocasião, Rita era a bondosa mãe de dois filhos.

Com a morte do marido, Rita passou a temer que seus dois filhos, seguindo o malicioso costume de vingança que imperava na Idade Média, quisessem vingar o pai e, por isso, ela suplicou a Deus que os levasse desta vida antes de permitir-lhes cometer esta insanidade, este grande pecado. Pouco tempo depois, seus dois filhos ficaram muito doentes, de forma incurável. Antes que eles morressem, porém, Santa Rita ajudou os dois a se converterem ao amor de Deus, exercendo o perdão. A graça foi tão grande que os dois jovens conseguiram perdoar o assassino do pai antes de morrerem.

Após a morte do marido e dos filhos, Rita de Cássia entregou-se à oração, penitência e obras de caridade. Impulsionada pelo amor de Cristo, ela, finalmente, conseguiu realizar seu sonho de ingressar na vida religiosa, pois foi admitida no Convento Agostiniano em Cássia. Seguindo a espiritualidade de Santo Agostinho, ela fez-se discípula do Crucificado e percebeu a dor dos sofrimentos do coração humano, tornando-se, assim, advogada dos pobres e dos desesperados, obtendo muitas curas notáveis.

O grau de santidade de Santa Rita de Cássia era tão elevado que Nosso Senhor Jesus Cristo lhe concedeu o privilégio de ter um estigma em sua testa, a fim de que ela pudesse compartilhar de Sua Coroa de espinhos. Em agradecimento por esse estigma, Santa Rita rezava: “Oh amado Jesus, aumenta a minha paciência na medida que aumenta meus sofrimentos”.

Santa Rita faleceu no dia 22 de maio de 1457, com 76 anos. No dia de sua morte a ferida de sua testa cicatrizou-se e o seu corpo começou a exalar um perfume de rosas. Logo apareceu uma multidão de pessoas para vê-la. Então, tiveram que levar seu corpo para a Igreja e lá está até hoje.

A devoção a Santa Rita é simbolizada pela rosa, pois, como sabemos, o agradável cheiro das rosas é um sinal de santidade que evidencia, de algum modo, “o bom perfume de Cristo”. (2 Cor 2, 15). Contemplando a sua transparente simplicidade e o seu total abandono a Deus, nós podemos encontrar, em Santa Rita de Cássia, indicações oportunas para sermos cristãos autênticos neste terceiro milênio da era cristã.  Vislumbrando o exemplo de santidade de Santa Rita, uma mulher de corpo franzino e de baixa estatura, mas grande na santidade, nós aprendemos o valor da humildade e da obediência, do perdão e da caridade.

Santa Rita de Cássia foi beatificada no ano de 1627, pelo Papa Urbano VIII. Sua canonização foi no ano de 1900, pelo Papa Leão XIII. Sem sombra de dúvidas, Deus continua escutando as orações, a mediação de Santa Rita de Cássia por todos nós e, por isso, essa noite escura que estamos atravessando, é um bom momento para recorrermos à padroeira das causas impossíveis, suplicando a descoberta de uma vacina, de um remédio que leve à cura da Covid-19 o mais breve possível.

Santa Rita de Cássia, escutai a nossas preces, pois nós confiamos em vossa poderosa mediação. Na fé e na santidade, nós estamos aqui, alicerçados na esperança, aguardando o dia feliz em que vós ireis nos entregar uma rosa perfumada que será o símbolo da cura dessa pandemia. Iremos receber essa rosa com renovada emoção e, ao mesmo tempo, iremos confirmar nossos bons propósitos de sermos testemunhas de uma esperança que não engana, missionários da vida que vence a morte no serviço de construção de um mundo novo. Santa Rita de Cássia, rogai por nós!

Aloísio Parreiras  

2020-05-22T19:38:11+00:0022/05/2020|