18 anos de vida eterna, Dom Newton continua presente nesta Igreja com sua intercessão junto ao Filho de Deus.

Dom José Newton de Almeida Batista Pereira nasceu em Niterói, estado do Rio de Janeiro, no dia 16 de outubro de 1904. Estudou no Seminário Menor de São Paulo e completou os estudos na Universidade Gregoriana, em Roma. Ainda em Roma, ordenou-se Sacerdote em outubro de 1928 e no ano seguinte doutorou-se em Teologia. Em 1930 volta ao Rio de Janeiro, sendo Sagrado Bispo para a Diocese de Uruguaiana (RS) em agosto de 1944, com o lema episcopal: “Adveniat Regnum Tuum”, “Venha a Nós o Vosso Reino”. Ficou lá até 1954, quando foi nomeado Arcebispo Metropolitano de Diamantina (MG). Ocupou essa posição até 1960, ano em que foi nomeado Arcebispo de Brasília (DF), a nova capital do país. E ao atingir 75 anos, conforme o Decreto Pontifício, colocou seu cargo à disposição da Santa Sé. Foi substituído por Dom José Freire Falcão. Designado Bispo Emérito de Brasília, continuou exercendo o Sacerdócio e manteve o cargo de Bispo Castrense, Vigário responsável pela supervisão dos Capelães Militares do país. Faleceu em Brasília, aos 97 anos, no dia 11 de novembro de 2001.

 

A seguir, o Cardeal Dom José Freire Falcão relembra sua convivência com Dom Newton

Ao tomar posse como segundo arcebispo de Brasília, eu afirmava que Dom José Newton de Almeida Baptista teve o mérito, que não caberia a qualquer outro sucessor dele, de implantar a Igreja Católica no Distrito Federal. Seu ministério pastoral se iniciou com a inauguração de Brasília na manhã de 21 de abril de 1960, com sua posse como arcebispo de Brasília num barracão de madeira ao lado da Catedral em construção, com a presença do Presidente Juscelino e todo o seu governo.

Foi um ato de fé e de coragem aceitar a nomeação para uma Arquidiocese que estava por nascer, sem qualquer estrutura material, nem segurança econômica. Apenas cinco paróquias com poucos padres, religiosos e religiosas; e fiéis provindos de todas as partes do País, sem raízes sociais em Brasília.

Ao deixar o pastoreio da Arquidiocese de Brasília, em 5 de maio de 1984, Dom Newton legava ao seu sucessor uma arquidiocese com 47 paróquias, 32 movimentos leigos, 40 instituições católicas de ensino, 85 comunidades religiosas, 130 sacerdotes religiosos e diocesanos, 400 religiosos e religiosas. E no campo social, a Oassab (Obras Assistenciais da Arquidiocese de Brasília) e a Casa do Candango, fundadas por ele.

Ele legava uma Arquidiocese marcada, sobretudo, por sua fisionomia humana, espiritual e apostólica. Dom Newton era um bispo de grande cultura, com estudos de filosofia e teologia na Universidade Gregoriana, em Roma, doutoramento em teologia. Ele também falava diversos idiomas.

À primeira vista, Dom Newton parecia pouco acessível. No entanto, acolhia com atenção e simplicidade as pessoas que o procuravam. Era considerado conservador em sua visão social e em sua atuação pastoral. Para mim, sua grande virtude era o amor à Igreja. Submetia-se sem discussão aos ensinamentos e às determinações disciplinares da autoridade suprema, o Papa.

Este amigo pessoal de Juscelino, provindo da arquidiocese de Diamantina, berço do grande Presidente, procurou sempre viver em harmonia com as autoridades do País, independentemente de sua orientação religiosa ou ideológica. Isso lhe custou incompreensões e sofrimentos, porque colocava acima de tudo o princípio da autoridade legalmente constituída.

Nos vinte anos de meu pastoreio, procurei continuar a ação pastoral de Dom Newton e colher os frutos das sementes por ele plantadas – pois, no Reino de Deus, um planta e outro colhe. Inevitavelmente, o fiz com a marca de minha visão pastoral e motivado pelas novas exigências pastorais de uma Arquidiocese em rápido crescimento humano.

Tenho de Dom Newton, particularmente, a imagem dos seus últimos 17 anos de vida como arcebispo resignatário; o isolamento inevitável de quem está despido de poder eclesiástico; a alegria que teve ao ter conhecimento de meu cardinalato; a bondade e a estima com que me tratava. Foi para mim um exemplo de humildade e de aceitação respeitosa de minhas decisões administrativas e pastorais. Foi um Anjo da Guarda para mim. No ocaso da vida, tendo perdido um pouco a lucidez, me chamava de pai.

Na Casa do Pai, Dom Newton continua presente nesta Igreja com sua intercessão junto ao Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, do qual foi um enviado na Arquidiocese de Brasília, como sucessor dos Apóstolos e Pastor desta Igreja.

Cardeal Dom José Freire Falcão – Arcebispo Emérito de Brasília

2019-11-28T10:42:35-03:0011/11/2019|