A ALEGRIA DE LEVAR O CRISTO AO PRÓXIMO

O Evangelho de Lucas narra que, após a anunciação do Arcanjo São Gabriel e a revelação de que a sua idosa prima Isabel estava grávida, a jovem Maria, abrindo as portas do seu coração, “pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha” (Lc 1,39), para chegar à aldeia da Judeia onde habitava Isabel com o marido Zacarias. Agindo assim, a Virgem Maria nos demonstra que está sempre atenta às nossas necessidades e, por isso, Ela é embaixatriz da caridade de Cristo, a cheia de graça, a serva do Senhor que nos ensina que a correspondência ao amor de Deus é o caminho que nos conduz à plena felicidade.

Percorrendo os caminhos para Ain Karim, superando os obstáculos que surgiram na travessia das montanhas, trazendo em si mesma o Verbo que Se fez Homem, Maria é a primeira missionária de Jesus, pois não guardou unicamente para si o Fruto do seu ventre, mas o levou adiante, colocando-o a serviço do próximo.

O que levou a Virgem Maria a enfrentar aquela viagem? Sobretudo, a consciência de que Isabel, que estava em idade avançada, precisava de ajuda, ou seja, a força propulsora da misericórdia. Em nome do Amor, Maria passou os três primeiros meses da sua gravidez ao serviço da prima necessitada de assistência. Nesses três meses, Ela, certamente, deve ter salmodiado: “Corro pelos caminhos da Vossa lei, Senhor, porque me destes um coração largo!”. (Sl 118, 32).

Em Ain Karim, Maria, com solicitude e zelo, cuidou de Isabel do mesmo modo que cuida de nós. Em Ain Karim, a Virgem Maria testemunhou que, cada gesto de amor genuíno, até o mais insignificante, contém em si uma centelha do mistério infinito de Deus. Por conseguinte, quando adentramos a escola de Maria, aprendemos que temos que ter um olhar atencioso ao nosso próximo, a fim de que possamos partilhar de suas necessidades e, se for preciso, cuidar de suas feridas.

Junto da Virgem Maria, a alegria expande-se, pois o Filho que ela traz no seio é o Deus da alegria, que nos contagia e envolve. Naquele dia, ao sentir a presença do nosso Redentor, João Batista estremeceu no ventre de sua mãe. Repleta de alegria, Isabel professou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! ”. (Lc 1, 42).

Com esta saudação, Isabel exaltou a jovem Maria por sua humildade, dedicação e serviço. Sob o impulso do Espírito Santo, a mãe de João Batista começou a proclamar, na história da Igreja, as maravilhas que Deus realizou na jovem de Nazaré, pois contemplou plenamente concretizada em Maria a bem-aventurança da fé, porque Ela acreditou no cumprimento da palavra de Deus.

O evento da visitação de Maria a Isabel é o registro oportuno de que é Deus quem toca os corações, mas Ele quer contar com nossa colaboração. Assim como a Virgem Maria, Deus quer que sejamos apoio para o nosso próximo, consolando, incentivando, cuidando e servindo. É da vontade de Deus que as distâncias físicas ou geográficas não sejam impedimento para a semeadura da Boa Nova da Salvação.

A chegada de Nossa Senhora a Ain Karim foi uma celebração de fé, pois onde Maria é recebida com veneração, respeito e carinho, o sol da esperança brilha com mais fulgor, evidenciando um novo horizonte.  Onde Maria se faz presente, o amor nunca é monótono na uniformidade da sua expressão. Onde Maria se faz presente, nós aprendemos a adorar o Senhor em espírito e verdade.

Todo aquele que abre as portas do seu coração ao amor de Nossa Senhora está capacitado para realizar gestos de perdão, bondade, ternura, compreensão e ajuda oportuna para com o próximo. Quando estamos unidos a Maria, nós vencemos as miopias que nos impedem de enxergar as misérias do mundo e as feridas dos irmãos. Ao lado de Maria, caminhamos na presença de Deus, ao passo de Deus, sem pressas ou correrias, e, por isso, nada do que fazemos se perde quando procuramos servir ao Senhor e à Igreja.

A visita de Nossa Senhora a Isabel é também um convite que Deus nos faz para que estejamos disponíveis para levar a caridade e a luz do Evangelho a todos os caminhos do mundo, a fim de comunicar o entusiasmo que sentimos em nossas almas quando saímos de nós mesmos e procuramos servir aos outros. Quando paramos para pensar no alcance da proposta do Senhor e começamos a elencar nossas fraquezas e incapacidades, sentimos a vontade de dizer: “eu não consigo”. Nesses momentos, devemos sentir a presença materna de Nossa Senhora, orientando-nos: “Fazei tudo o que Ele vos disser!”. (Jo 2, 5).

A serviço da Igreja, crescemos na vivência da fé e aprendemos a professar que, em Maria, é a Igreja que caminha na caridade de quem se move ao encontro dos mais frágeis. É a Igreja que caminha na esperança de quem sabe que está bem acompanhado neste seu andar, e, finalmente, é a Igreja que caminha na fé de quem tem um dom especial a partilhar, uma Pessoa, singular e única, a apresentar com alegria.

Juntos de Maria, aprendemos que as nossas necessidades não podem permanecer em primeiro plano, quando percebemos que as necessidades do próximo são mais urgentes e imediatas. Não há nada mais urgente do que comunicar o amor e a misericórdia de Cristo aos nossos familiares, amigos e conhecidos. Não há nada mais urgente do que transmitir os sinais da alegria, da fé e do amor por onde quer que passemos, para que outros corações, lares e comunidades possam compartilhar a alegria do Evangelho, testemunhando um fecundo apreço e amor pela Virgem Santa Maria.

Penso que uma das lições que devemos aprender com o evento da visitação de Nossa Senhora a Isabel é a necessidade de cultivarmos uma amizade solícita com todas as pessoas que convivem conosco, pois, quando batemos à porta dos corações, anunciando a presença de Deus, nós somos bem acolhidos.

Sempre achei instigante o fato do mês de maio terminar com a Memória litúrgica da visitação de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel. Creio que, por meio dessa Memória litúrgica, a nossa Mãe Igreja nos ajuda a perceber que a veneração, o amor e a devoção a Nossa Senhora não podem desaparecer do nosso sentido, das nossas vidas e do nosso cotidiano. Pelo contrário, devem crescer sempre mais e exprimir-se num testemunho de vida cristã, modelado pelo exemplo de Maria que nos desafia a servir ao próximo com humildade e fortaleza.

Virgem Santa Maria, Mãe dos caminhantes, ensinai-nos a amar a Cristo e aos nossos irmãos, como vós os amastes! Mãe, acompanhai-nos na vivência da santidade e ajudai-nos a adquirir uma fé límpida, corajosa, serena, forte e generosa! Mãe, fazei com que o nosso entusiasmo e dedicação ao serviço do Reino seja sempre autêntico e pleno, a fim de que possamos comunicar a todos os sinais da Presença de Cristo em nosso meio!

Aloísio Parreiras  
2020-06-02T10:30:41-03:0002/06/2020|