A ANUNCIAÇÃO DO ANJO E O SIM DA VIRGEM MARIA

O profeta Isaías, que viveu 700 anos antes do nascimento de Jesus Cristo, profetizou: “A Virgem conceberá e dará à luz um Filho. Ele será chamado: Deus conosco”. (Is 7, 14). No exato momento da anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Santa Maria, a profecia anunciada por Isaías adentrou em seu cumprimento imediato.

Naquele esperado dia, a voz do mensageiro divino ressoou na cidade de Nazaré, uma singela e desprezada cidade da Palestina, e de lá ecoou pela terra inteira: “Alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor está contigo!”. (Lc 1, 28). No anúncio do Arcanjo, nós temos a revelação de que a Mulher escolhida para ser a Mãe de Deus, a Mulher que pisará a cabeça da serpente, já está presente entre nós, revelando a chegada da plenitude dos tempos. Naquele momento, a porta de Cristo no mundo abriu-se diante dos olhos da jovem Virgem Maria.

Logo depois, o Arcanjo comunicou a Maria que o Esperado das nações, o Príncipe da Paz, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, haveria de assumir nossa natureza, a fim de resgatar o gênero humano. Sentindo a perturbação da Virgem, o mensageiro divino lhe disse: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus”. (Lc 1, 30-31).

A virgindade, a humildade e a grandeza da Virgem Maria estão ali diante de nossos olhos; a sua alma, repleta da presença do Senhor, é irradiante, misteriosa, fascinante. Mesmo tendo conhecimento das Sagradas Escrituras e das profecias referentes ao nascimento do Verbo de Deus, demonstrando o dom da inteligência, Maria questionou ao Anjo: “Como acontecerá isso, se não conheço homem algum? ” (Lc 1, 34). E o Anjo lhe respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, o Menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus”. (Lc 1, 35).

Na resposta do Arcanjo Gabriel à Virgem Mãe, na comunicação dos pormenores do plano divino, fica visível que Deus já havia preparado tudo aquilo que era necessário para realizar o plano da nossa salvação. Creio que, naquele momento, a humilde casa de Nazaré, onde habitava a Virgem Maria, cheirava a flores, anunciando uma nova primavera, uma nova floração, um novo tempo. Na luz do mensageiro divino, na luz do lar de Nazaré, nós contemplamos uma nova aurora, uma nova alvorada, uma nova, esperada e decisiva oportunidade de semear a caridade que aprendemos com o Amado.

Logo após a realização do diálogo mais importante da nossa história, o Arcanjo se cala e permite que, no silêncio, a jovem Maria medite e pondere no alcance das promessas de Deus antes de manifestar a sua esperada resposta. Tudo agora depende da resposta da Virgem, tudo depende do modo como ela vai usar sua liberdade, tudo depende da correspondência do seu amor, da sua entrega e de sua generosidade.

Diante deste panorama divino, um grande silêncio envolveu o céu e a terra. As dimensões visíveis e invisíveis da Igreja esperam a resposta da Virgem. Os Anjos, os Arcanjos e os Querubins anseiam pela resposta da Virgem e todos nós, seres humanos, necessitados de redenção, imploramos que Maria diga sim, a fim de que se realize a Encarnação do Filho de Deus.

Percebendo a nossa angústia, a Virgem Mãe não demora em manifestar a sua resposta. Demonstrando o alcance de sua santidade, a Virgem Maria disse: sim, faça-se, cumpra-se! “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a Tua Palavra! ”. (Lc 1, 38). Ela não se limitou a apenas dar permissão. Ela fez muito mais. Ela depositou toda sua vida, toda a sua alma e todo o seu coração na plena adesão à vontade de Deus. O sim de Maria é o sim mais generoso e determinante da nova História, pois, com esse sim, começou para todos nós um futuro de luz, de reconciliação, de encontros e de paz. Com esse sim, Maria acolheu o próprio Deus em seu seio bendito, santo e imaculado.

Diante do sim de Maria, a porta da fé abriu-se diante de nossos olhos, indicando o Caminho, a Verdade e a Vida. Com a chave na mão, Maria abriu para todos nós os portais da vida nova, a senda da ressurreição, o itinerário da esperança. Com o seu sim resoluto e incondicional, Maria fez com que a história do Amor, do Belo Amor, se tornasse realidade e, por isso, podemos sentir uma suave brisa tocando e determinando a frágil história humana, trazendo-nos os sinais da esperança e da caridade, os sinais do carinho de Deus que continua cuidando de nós, mesmo em meio às tempestades.

Na pessoa de Maria, nós percebemos que Deus cuida de nós com zelo e atenção, ou seja, Ele caminha conosco no cotidiano da nossa História. É Ele quem comanda o leme da nossa História, é Ele quem nos ensina a avançar para águas mais profundas.  Juntos de Deus, permanecemos na escola de Maria, escola de oração, de adoração, de entrega, oblação, sacrifício e renúncias em prol do advento do Reino dos Céus.

Não há melhor lugar para estarmos do que ao lado de Cristo, da Virgem Maria e de São José. Não há melhor lugar para estarmos do que no ambiente da Igreja, inseridos no lar, na Igreja doméstica, e poder clamar: Mãe, obrigado pelo seu sim! Na esperança, nós percebemos que você nos convida a viver sem reservas uma nova entrega e sintonia com o Cristo. Pode contar conosco, ó doce e amada Mãe. Sabemos que podemos contar com sua proteção e intercessão e, por isso, “à vossa proteção recorremos, ó Santa Mãe de Deus; não desprezeis as súplicas que em nossas necessidades vos dirigimos, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Senhora nossa, Medianeira nossa, Advogada nossa, com Vosso Filho nos reconciliai, ao Vosso Filho nos recomendai, ao Vosso Filho nos apresentai. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém! ”.

Aloísio Parreiras
2020-03-25T11:05:52+00:0025/03/2020|