A BASÍLICA DE SANTA MARIA MAIOR

A devoção à Virgem Santa Maria é parte integrante do Cristianismo que reconhece na jovem de Nazaré os sinais da santidade, a presença da graça de Deus e a importância de Nossa Senhora na Economia da Salvação e na vida e na história da Igreja. Desse modo, é comum encontrarmos nos diversos países do mundo templos e santuários dedicados à Virgem Maria, pois Ela está presente em todos os continentes, onde multidões de devotos marianos se reúnem em peregrinações para louvar, rezar e suplicar à Virgem do Rosário que interceda por nós diante de seu Filho, Jesus.

A primeira Basílica do Ocidente dedicada à Virgem Maria é a Basílica de Santa Maria Maior, Santa Maria Maggiore, em Roma, que também é conhecida como Igreja de Santa Maria das Neves. Essa Basílica também ficou conhecida como basílica de Santa Maria do Presépio, pois nela foi realizado o primeiro presépio de que se tem notícia na Igreja.

A edificação da Basílica de Santa Maria Maior está relacionada com a definição do dogma da maternidade divina de Nossa Senhora pelo Concílio de Éfeso em 431. Esse importante Concílio reconheceu a divina natureza de Cristo e representou um notável avanço na devoção mariana. Um ano após o Concílio, no ano de 432, no século V, o Papa Sisto III mandou construir essa basílica mariana que foi consagrada no ano de 440.

Segundo uma antiga lenda, um casal romano muito rico, e que não possuía filhos, solicitou luzes à Virgem Maria para saber como empregar a sua fortuna. Então, em sonhos, eles receberam uma mensagem de que Maria queria que lhe fosse construída uma igreja, precisamente sobre o monte Esquilino, que, entre os dias 4 e 5 de agosto, em pleno verão europeu, estaria coberto de neve.

A construção da Basílica de Santa Maria Maior despertou na Europa e, no decorrer dos séculos, em todo o mundo o impulso sobrenatural da fé cristã, alicerçada na devoção mariana e no culto à Virgem Santa Maria. Santa Maria Maior é uma das quatro Basílicas Papais em Roma e nela se encontram os primeiros e mais ricos mosaicos alusivos à Nossa Senhora e é, sem sombra de dúvida, um dos maiores e mais belos santuários marianos de toda a cristandade.

Muitos Papas cultivaram o hábito de se dirigir a Santa Maria Maggiori para, em oração, apresentarem à Virgem Maria as suas preces pelas necessidades do mundo. No ano de 1978, quando foi eleito Papa, Karol Wojtyla visitou esse templo romano. Seguindo o exemplo de São João Paulo II, no ano de 2013, no dia seguinte à sua eleição como Bispo de Roma, Mario Jorge Bergoglio, o Papa Francisco, foi visitar e rezar nessa basílica, para confiar a Nossa Senhora o seu ministério pontifício. Antes e depois de uma viagem internacional, o nosso amado Papa Francisco se dirige a essa basílica para rezar pelo sucesso dessas viagens pastorais e, no decorrer do ano litúrgico, nas grandes celebrações marianas, ele renova a visita, ou seja, o Papa vai bater à porta da Casa de Maria para suplicar pela paz no mundo, pelo fim das guerras e por tantas outras necessidades do nosso tempo.

Recentemente, num domingo, dia 15 de março deste ano, o Papa Francisco saiu do Vaticano e foi a pé até a Basílica de Santa Maria Maior para suplicar a intercessão de Nossa Senhora, diante do ícone da Salus Populi Romani, a protetora do povo romano, pelo fim da pandemia do novo Coronavírus, que atingiu a Itália e o mundo, implorando a cura para os muitos doentes, recordando as centenas de vítimas e pedindo que seus familiares e amigos encontrassem consolação. Naquele momento, a Itália era o epicentro dessa doença e, por isso, o Papa também rezou pelos médicos, enfermeiros e todos aqueles que, com o seu trabalho, garantiam o funcionamento da sociedade.

Com esse gesto de confiança na Virgem Santa Maria, o Papa Francisco nos ensina que Nossa Senhora é para todos nós uma Mãe solícita e atenta que está com as mãos cheias de inúmeras graças, a fim de entregar aos seus devotos filhos. Com esse gesto simples de visitar a Casa de Nossa Senhora, o Papa nos demonstra como é bom estar em uma igreja, em um templo católico dedicado à Virgem Maria e ali, com o olhar da fé, encontrar a Virgem Mãe nos estendendo os braços, apresentando-nos a Jesus. Com o exemplo do Papa, nós também aprendemos que uma Igreja dedicada a Nossa Senhora é sempre um lugar aprazível de oração, onde reconhecemos os sinais do estilo acolhedor e missionário de Maria que dá forma e sentido à vida da Igreja por meio da Liturgia.

Diante da beleza da Basílica de Santa Maria Maior, da grandiosidade do Santuário Nacional de Aparecida e de tantos outros templos católicos dedicados à Virgem Maria, nós podemos nos questionar: haverá algum lugar no mundo que não tenha pelo menos um santuário dedicado a Nossa Senhora? Provavelmente, não, pois Maria está, de fato, presente em todos os países do mundo e no coração dos fiéis cristãos que professam que “Santa Maria é, para nós, o aqueduto por onde nos chegam as graças de que necessitamos diariamente”. (São Bernardo).

Recorrer à proteção e intercessão de Santa Maria Maior, a bondosa Mãe de Deus e da Igreja, é um nobre ofício que somos chamados a realizar no cotidiano de nossas vidas, sobretudo nas noites escuras e nas tempestades da História. Confiar nossas súplicas a Maria para que Ela as purifique e as apresente a Jesus é um exercício de fé e de esperança e, por isso, “nas festas de Nossa Senhora, não andemos regateando as manifestações de carinho. Levantemos com mais frequência o coração, pedindo-lhe aquilo de que precisamos, agradecendo-lhe pelas pessoas que estimamos. Mas, se pretendemos comportar-nos como filhos, todos os dias serão ocasião propícia de amor a Maria, como todos os dias o são para os que se querem de verdade”. (São Josemaría Escrivá, Amigos de Deus nº 290-291).

Santa Maria Maior, nas diversas estações do ano, ensinai-nos a superar os vendavais e as pandemias da vida com renovada confiança em nosso Senhor Jesus Cristo. Ajudai-nos, ó Mãe protetora, a vencer a desesperança, a depressão e o medo, a fim de que possamos testemunhar ao nosso próximo as graças que alcançamos pela sua poderosa intercessão. Santa Maria Maior, rogai por nós!

Aloísio Parreiras
2020-08-05T09:02:32-03:0005/08/2020|