A BELEZA DA SOLENIDADE DE CORPUS CHRISTI

A Eucaristia é o centro e o cume de toda a vida da Igreja, o Manancial de todas as graças, a Fonte da santidade e o Sublime Sacramento do Altar.  É na Eucaristia que a Igreja encontra a razão de sua existência, o vínculo da comunhão, a força da unidade, o impulso da promoção humana e o princípio de seu serviço missionário. Nós, seres humanos, membros do Corpo Místico de Cristo, somos dependentes de Jesus Eucarístico, pois existimos e nos movemos, graças ao Seu amor e à Sua misericórdia.

A Igreja vive da Eucaristia desde as suas origens e, por isso, a Eucaristia está presente em toda a História da Salvação. Deste modo, todo o Antigo Testamento é uma preparação da Ceia do Senhor. No Novo Testamento, a Eucaristia é um acontecimento salvífico, um Sacramento que antecipa a glória do banquete eterno das Núpcias do Cordeiro.

A Eucaristia é o Sacramento que o Cristo instituiu na iminência de Sua Paixão, Morte e Ressurreição, a fim de permanecer conosco nos caminhos de nossa História, fortalecendo a nossa esperança, renovando a nossa fé e acalmando os nossos medos. A Eucaristia é a Fonte da água viva, que transforma nossa vida em um sacrifício espiritual de louvor e ação de graças.

De um modo solene, com respeito, zelo, fé e reverência, a Igreja dedica duas grandes festas à Eucaristia. São elas a Quinta-feira Santa, onde celebramos a instituição do sacramento da Eucaristia, e a Solenidade de Corpus Christi. Nestas duas festas, nós professamos que a Eucaristia é um acontecimento sublime e maravilhoso, no qual o próprio Cristo, nossa vida e salvação, se faz presente com Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

A Solenidade de Corpus Christi é sempre celebrada na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. É uma festa que remonta ao século XIII e foi estendida a toda a Igreja em 1264, pelo Papa Urbano IV. É um dos dias de preceito estabelecidos pela Igreja. Corpus Christi é um testemunho público de fé na presença de Cristo no sacramento da Eucaristia e, por isso, somos convocados a proclamar com cantos, gestos e outras manifestações de piedade nosso apreço e amor a Jesus Eucarístico. Nessa solenidade, entoamos com emoção: “Tão sublime sacramento adoremos neste altar, pois o Antigo Testamento deu ao Novo seu lugar. Venha a fé por suplemento os sentidos completar”.

Nesse ano, em função da pandemia da Covid-19, nós não iremos poder realizar a grande celebração de Corpus Christi na Esplanada dos Ministérios. Mas celebraremos a Santa Missa em nossas Paróquias, respeitando o devido distanciamento social. O principal é que, no interior de nossas Paróquias, saibamos dobrar os nossos joelhos diante da Presença real de Jesus, testemunhando: “Eu creio, Senhor, mas aumenta a minha fé!” Em nossa adoração, nós podemos também refletir nos ensinamentos de São Tomás de Aquino que nos diz: “Nada vês, nem compreendes, mas te afirma a fé mais viva, para além das leis da Terra. Sob espécies diferentes, que não passam de sinais, é que está o dom de Deus”.

Neste ano, no dia de Corpus Christi, nós não teremos a tradicional procissão de Corpus Christi, mas devemos reservar tempos e momentos em nosso dia para refletirmos sobre a Presença real de Jesus em meio a nós. Devemos elevar, sobretudo na celebração da Santa Missa, o nosso coração a Deus quando o sacerdote diz: “Corações ao alto”. Respondamos com convicção: “O nosso coração está em Deus!”. A nossa vida, esperança, fortaleza e confiança estão depositadas no Coração misericordioso de Jesus Eucarístico, pois somente n’Ele podemos encontrar os caminhos preferenciais da santidade, para permanecermos no amor de Deus, para redescobrirmos os sinais da beleza que dão sentido, renovam e dinamizam toda a nossa vida.

Por sermos pessoas eucarísticas, cristãos que não se cansam de saciar a sede na Fonte inesgotável da caridade, testemunhamos que a Eucaristia é o Alimento dos peregrinos, daqueles que se mantêm firmes na fé, apesar da força das tentações, na busca contínua da santidade. Em outras palavras: a Eucaristia é o Alimento do Povo de Deus que, pela correspondência a graça de Jesus, é santo.

As limitações físicas de espaço que estamos enfrentando não podem ser motivo para diminuir o nosso amor pela Sagrada Eucaristia. Ao contrário, devem ser um renovado impulso para incrementarmos nossas orações ao Senhor por meio do exercício da oração e da adoração. Temos que continuar vibrando com a certeza de que “a Solenidade de Corpus Domini é uma festa de louvor e ação de graças. Nela, o povo cristão reúne-se à volta do altar para contemplar e adorar o Mistério eucarístico, memorial do sacrifício de Cristo, que deu a salvação e a paz para todos os homens. De fato, não basta falarmos de paz, se não nos empenharmos em cultivar no coração sentimentos de paz, e em manifestá-los nas relações diárias para com quem vive ao nosso lado.” (Homilia do Papa João Paulo II na Solenidade de Corpus Domini, em junho de 1999).

Em unidade, diante de Cristo, o Pão vivo que desceu dos céus, demonstramos que é o mesmo Espírito que nos une. Em unidade, demonstramos que é o sacramento da Eucaristia que nos santifica. Em Corpus Christi, extravasamos nossa fé, pois “diante deste mistério de amor, a razão humana experimenta toda a sua limitação.” (São João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, 15).

Neste ano, a Solenidade de Corpus Christi se reveste de um significado ainda maior, pois reforça a certeza de que, mesmo em meio às tempestades que estamos atravessando, Jesus está atento ao nosso lado, acalmando os nossos medos, carregando a nossa cruz e transformando as nossas ações e orações. De modo especialíssimo, queremos que Corpus Christi seja para todos nós “uma preciosa ocasião para uma renovada consciência do tesouro incomparável que Cristo entregou à sua Igreja. Seja um estímulo para a sua celebração mais viva e sentida, da qual brote uma existência cristã transformada pelo amor.” (São João Paulo II, Mane Nobiscum Domine, 29).

Solenemente, em Corpus Christi, e em qualquer tempo e lugar, celebramos, adoramos e contemplamos o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de nosso Senhor Jesus Cristo, que se faz presente na Eucaristia com zelo, piedade, respeito, amor e fé, professando cada vez mais que, por meio de uma profunda adoração, de joelhos no chão, anunciamos “uma consciência viva da presença real de Cristo, tendo o cuidado de testemunhá-la com o tom da voz, os gestos, os movimentos, o comportamento no seu todo.” (São João Paulo II, Mane Nobiscum Domine, 18)

A Solenidade de Corpus Christi é uma oportunidade singular de ouvirmos a voz de Jesus Eucarístico nos dizendo: “Fazei isto em memória de Mim!”. (Lc 22, 19). Se pararmos para pensar no alcance do pedido de Cristo, nós perceberemos que Ele nos pede que participemos, em estado de graça, da Eucaristia. Ele nos pede também que professemos com nossas vidas, ações, gestos e palavras que a Sagrada Comunhão é o centro da nossa religião, o alicerce da nossa fé, a Eterna beleza que conquista os nossos corações. Quando somos cativados por esta Beleza, aprendemos a bradar:  A Eucaristia “é uma teofonia. O Senhor se faz presente no Altar para ser oferecido ao Pai para a salvação do mundo”. (Papa Francisco, Audiência em 8 de junho de 2017).

O dia de Corpus Christi é também um dia em que devemos agradecer à Virgem Santa Maria o seu “sim”, sua entrega e permanência junto aos Apóstolos, aos discípulos e às primeiras comunidades cristãs. Maria é a Mulher eucarística por excelência, pois, “de certo modo, Maria serve de sacrário – o primeiro sacrário da humanidade – para o filho de Deus, que, ainda invisível aos olhos dos homens, Se presta à adoração de Isabel, como que irradiando a sua luz através dos olhos e da voz de Maria”. (São João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, 55).

Neste solene dia eucarístico, peçamos a Nossa Senhora, a Mãe da Eucaristia, que nos ensine a fazer de Corpus Christi um momento especial de fé e de amor e, sobretudo, um momento único de ação de graças pelas maravilhas que Deus realiza em nós por meio da Eucaristia.

Maria, Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, intercedei junto a Cristo por todos nós, suplicando o término dessa noite escura, a fim de que possamos todos juntos, independentemente de idade ou por motivos de saúde, nos congregarmos novamente em nossas Paróquias e comunidades, para louvarmos e adorarmos a Jesus Eucarístico em espírito e verdade. Maria, Mulher Eucarística, ajudai-nos a permanecer firmes na certeza de que “todas as vezes que comemos deste Pão e bebemos deste Cálice, anunciamos a morte do Senhor até que Ele venha!”. (1 Cor 11, 26).

Aloísio Parreiras
2020-06-11T18:40:27-03:0011/06/2020|