A Comemoração dos Fiéis Defuntos na Liturgia e na vida da Igreja

Todos os anos, no dia 2 de novembro, os cemitérios no Brasil e em todo o mundo católico, enchem-se de fiéis que vão visitar os túmulos de seus entes queridos falecidos. Neste dia a Igreja celebra a Comemoração dos Fiéis Defuntos. Para entender melhor a importância de rezar por aqueles que já não estão mais na peregrinação terrestre, é importante saber sobre esta comemoração.

O dever de rezar pelos mortos faz parte das obrigações de todos os católicos dado o ensinamento do próprio Cristo. Em um dos Evangelhos propostos para a Liturgia deste dia, a Igreja destaca a morte de Lázaro, amigo de Jesus (Jo 11, 17-27). Neste Evangelho percebe-se o pedido da irmã de Lázaro diante de Jesus e, ao mesmo tempo, a fé dela em relação a ressurreição. Diante da morte, que entrou no mundo por conta do pecado do homem, na gênese de sua história, o único remédio é a confiança na salvação através da Ressurreição de Cristo.

Cristo venceu a morte e esta é a centralidade da fé cristã que a Igreja professa. O pecado deixa marcas na alma e aqueles que morreram e, arrependidos e perdoados de seus pecados, ainda possuem estas marcas, apesar da certeza do Céu, ainda passar pela purificação no Purgatório. A estes se dirigem as orações no dia de Finados. Desde a Igreja Primitiva já se reza pelos fiéis que morreram. No século VII, o costume dos mosteiros levou a disseminação, a partir da Abadia de Cluny, com santo Odilon, destas orações em sufrágio da alma dos fiéis falecidos para todo o Cristianismo. Em 1915, o Papa Bento XV, tornou oficial, para toda a Igreja, esta comemoração.

A própria Palavra de Deus confirma essa Tradição no segundo Livro dos Macabeus: “santo e piedoso o seu pensamento; e foi essa a razão pela qual mandou que se celebrasse pelos mortos um sacrifício expiatório, para que fossem absolvidos de seu pecado” (2 Mc 2, 45). Assim, é muito importante se lembrar, neste dia, de que “a Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados” (Catecismo da Igreja Católica).

A visita ao Cemitério, a oração pelos fiéis defuntos, a lembrança dos entes queridos que já faleceram não são superstições, mas sim, certeza de fé, amparadas na própria afirmação de Cristo: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais. Crês isto” (Jo 11, 25-26). Além disso, da mesma forma que aqueles que já partiram devem ser lembrados, um dia, todos morrerão e, por nossas almas também necessitaremos que rezem por nós.

Na Liturgia deste dia a Igreja se reveste de roxo ou preto. Essas cores litúrgicas têm o objetivo de “exprimir externamente de modo mais eficaz, por um lado, o caráter peculiar dos mistérios da fé que se celebram e, por outro, sentido progressivo da vida cristã ao longo do ano litúrgico”, segundo o número 345 da Instrução Geral do Missal Romano. Da mesma forma, a sobriedade da Celebração, leva o povo a compreender a necessidade de rezar pelas almas dos fiéis que estão no purgatório, da mesma forma que, auxilia a refletir sobre como se está vivendo nesta peregrinação terrestre em vistas de buscar sempre a misericórdia de Deus através do Sacramento da Reconciliação e a repulsa ao pecado. Mas, deve-se ter, também, um olhar sobrenatural de esperança para com essa comemoração. O Papa Bento XVI, nos números 45 e 48 da Encíclica Spe Salvi, afirma que o purgatório é uma grande esperança para os homens. Aqueles que morrem na graça e em amizade com Deus irão para o Purgatório, onde serão purificados de suas culpas para “obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu”, como afirma também o Catecismo.

Portanto, o dia 02 de novembro deve ser uma data de saudade e de lembranças, mas sobretudo, de esperança para a vida eterna e, sobretudo, de caridade fraterna para com os irmãos e irmãs que já deixaram esta vida.

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