A conversão pastoral integral foi o tema escolhido para o 2º dia de reflexões na Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe

O segundo dia da I Assembleia Eclesial para América Latina e Caribe começou com a saudação do primeiro vice-presidente do CELAM, o Cardeal Dom Odilo Scherer, Arcebispo de São Paulo. Dom Odilo destacou o desejo do Papa Francisco de que esta reunião fosse, também, uma oportunidade de avaliar o caminho da Igreja latino-americana passados 14 anos da Conferência de Aparecida. O primeiro vice-presidente do CELAM recordou que novas questões eclesiais, sociais, econômicas, políticas e culturais surgiram após o encontro de 2007 no Brasil e que, à luz de Aparecida, deve-se perceber quais desafios permeiam o Igreja e a sociedade na atualidade e quais as formas que os cristãos podem desenvolver de ajudar na construção do bem comum e da missão.

 

Após a fala do Cardeal, foi realizada a segunda reflexão da Assembleia dirigida pelo padre Agenor Brighenti, membro da equipe teológica do CELAM que teve como tema “A conversão pastoral integral e os quatro sonhos proféticos”. O destaque sobre a conversão pastoral fez recordar o Documento de Aparecida que, por muitas vezes, repete a necessidade de que o ambiente eclesial seja um ambiente de costumeira conversão.

Durante as últimas horas da manhã, os delegados da Assembleia reuniram-se em grupos para elaborar as cooperações que são entregues a organização do evento com as notas colaborativas sobre os temas desenvolvidos.

No período da tarde – noite no horário do Brasil – será apresentado pelo Cardeal Felipe Arizmendi, junto com alguns colaboradores, o painel que apresenta “As raízes culturais da América Latina e do Caribe. Em seguida, a costumeira Missa diária e a oração do Santo Rosário encerram o dia dos delegados.

 

“A Assembleia não pode ser um diálogo de intelectuais ou aristocratas religiosos”

 

Esta foi a afirmação que se destacou na apresentação do painel, no dia anterior, realizada pelo Cardeal Óscar Rodríguez Maradiaga. O cardeal hondurenho retomou algumas reflexões do Documento de Aparecida e advertiu sobre a necessidade de avaliar quais foram os avanços nas temáticas, não só no campo da teoria, mas nas ações práticas. Lembrou também que, de forma muito bonita, muitas pessoas e instâncias eclesiais tem evoluído do sentimento de pertença a Igreja e tem contribuído na evangelização e no cuidado com os mais desfavorecidos mesmo em circunstâncias adversas.

Dom Maradiaga ainda salientou que a Assembleia não pode ser realizada de forma que seja um diálogo de intelectuais ou aristocratas religiosos, mas deve ser acessível a todo o povo fiel para que a verdadeira eclesialidade seja vivenciada.

Junto do Cardeal òscar Rodríguez, a teóloga Irmã Birgit Weiiler, HMM, afirmou no painel que “não podemos nos esquecer que uma Igreja sinodal não deve ser autorreferencial, mas sim chamada a ser uma Igreja missionária em saída, uma Igreja que escuta o clamor dos pobres que têm muitos rostos.” A irmã ainda acrescentou, sobre a Assembleia Eclesial que “é um tempo de kairós, um momento denso, mas cheio da graça de Deus, que pede nossa resposta. Como diz um canto religioso da minha terra natal: ‘Agora é o momento, esta é a hora’ para atuar e acolher a novidade de Deus pelo bem do povo de Deus e a missão.”