A ESPERANÇA NÃO DECEPCIONA

Nestes nossos dias em que muitas pessoas são vítimas do novo Coronavírus ou foram atingidas pelo desemprego, pela perda do poder econômico e pelas consequências advindas da pandemia da Covid-19, a virtude da esperança precisa ser exercida, professada e renovada em nossas vidas e corações.

Na vivência cotidiana da fé, nós percebemos que o ser humano aspira à esperança, mas, muitas vezes, percebemos que o homem não vive a virtude da esperança. Quando não é vivida como um dom, como uma das três virtudes teologais que o Espírito Santo infunde em nossas almas, a esperança se limita a um desejo, a uma vontade do ser humano; em consequência, a todo momento, é comum se ouvir alguém dizer: “A nossa esperança esvaneceu, estamos perdidos!” (Ez 37,11).

A esperança que tem como fundamento, unicamente, os esforços humanos, conduz à frustração e à ilusão. É necessário que nos dediquemos a uma nova cruzada em defesa da virtude da esperança. Em nossos dias, esta virtude tem que receber um novo impulso. Para fazer contraponto com a ilusão causada pela esperança humana, é vital bradar que “a esperança não nos deixa confundidos” (Rm 5,5). Temos também que proferir: “Guarda a misericórdia e a justiça, e espera sempre no teu Deus!” (Os 12,7).

A virtude teologal da esperança se fundamenta nas promessas de Deus e tem como certeza de fé a ressurreição gloriosa de Jesus Cristo e, por isso, “Cristo Jesus é nossa esperança!” (1 Tm 1,1). Quando percorremos a senda da História, amparados no dom da esperança que o Cristo nos legou, enfrentamos sem medo as realidades do mundo, os desafios, as tempestades, as noites escuras, os perigos e os anseios do futuro, com a convicção de que Jesus Cristo é o Deus da esperança.

Em Cristo, permanecemos “alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração” (Rm 12,12). Em Cristo, estamos “sempre prontos a responder a todo aquele que nos perguntar a razão da nossa esperança” (1 Pd 3,15). Cada vez mais, temos que confiar em Cristo, o Senhor da História, e entregar, com esperança, em Suas mãos, os esforços que fazemos em prol de um mundo novo, bem como os trabalhos que realizamos, visando a construção de uma sociedade mais justa. Mesmo diante de inúmeras dificuldades ou de inúmeros sinais de morte, “sem esmorecer, continuemos a afirmar a nossa esperança, pois é fiel Aquele que prometeu” (Hb 10,23).

Pela adesão à virtude da esperança, nutrimos um fecundo anseio de pertencer ao reino dos céus e desejamos alcançar a felicidade plena, atingindo a vida eterna. A esperança é o oxigênio que nos impulsiona em direção à verdadeira vida. A virtude da esperança é alimentada pela oração e edificada pela vida sacramental. A esperança nos leva a salmodiar: “Tenha esperança, alma minha! Há uma possibilidade de bem, uma esperança: acolha-a! Por que te desencorajas, alma minha, por que gemes sobre mim? Tenha esperança em Deus, ainda poderei louvá-lo!” (Sl 130).

A esperança se realiza em Deus e não no ser humano. A esperança desaparecerá somente quando formos tudo em Cristo, para todo o sempre, no céu. Enquanto caminhamos em direção ao céu, saibamos que “a tribulação produz a perseverança; e a perseverança, a fidelidade provada e a fidelidade provada, a esperança” (Rm 5,4).

É bom saber que, na dimensão da Igreja visível em que estamos inseridos, perante as realidades do dia a dia, temos que manter viva a virtude da esperança, redescobrindo o seu real valor. Com esperança, vamos propagar a Boa Nova de Cristo para a retomada desta virtude, por parte do nosso próximo. Aos olhos da fé, é preciso discernir os sinais da esperança. Como propagadores da esperança, digamos ao nosso próximo: “Que o Deus da esperança vos cumule de alegria e de paz na fé” (Rm 15,13). É chegado o momento de afirmarmos, com renovada esperança, que “damos sempre graças a Deus por  vós, lembrando-nos sem cessar de vós nas nossas orações, recordando a atividade da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a constância da esperança que tendes em Nosso Senhor Jesus Cristo!”(1 Ts 1,2-3). Que Deus nos abençoe e nos torne firmes na vivência da esperança!

 

Aloísio Parreiras

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

2020-10-10T20:00:56-03:0010/10/2020|