A FORÇA DA FÉ

Temos que professar que Deus infundiu em nossas almas a virtude teologal da fé. A fé é um dom de Deus e é pela aceitação desta virtude que o homem se abre à Salvação. Por meio da fé, realizamos uma adesão plena, livre e pessoal ao amor de Jesus Cristo. “Pela fé, Cristo habita em nossos corações” (Ef 13,17).

Pela vivência da virtude teologal da fé, somos capacitados a crescer na santidade; consequentemente, “tudo o que não vem da fé é pecado” (Rm 14,23). Por outro lado, é pela fé que superamos os erros e vencemos o pecado; afinal, “esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé!” (1 Jo 5,4). Desse modo, podemos afirmar que os pecados, os erros e as transgressões nascem da falta de fé. Em outras palavras: “Quem tem fé em Jesus Cristo, infalivelmente persevera na graça e certamente salva-se, ainda que tenha cometido todas as maldades do mundo”. (Santo Afonso de Ligório).

Pela leitura atenta da Sagrada Escritura, temos acesso às verdades de fé que Deus nos revelou. As verdades da fé nos oferecem uma contribuição excepcional para o nosso crescimento na vida cristã.  A fé provém da Palavra de Deus e, por isso, quanto maior for o conhecimento das verdades reveladas, maior será a nossa fé. Acreditar é aderir, incondicionalmente, à vontade de Deus, renunciando a tudo aquilo que possa prejudicar nossa união com nosso Redentor, pois “para quem está em Jesus Cristo, nem a circuncisão nem a incircuncisão são eficazes, mas a fé que age pelo amor” (Gl 5,6).

A fé exprime-se em atos de religião. Pela fé participamos retamente dos sacramentos, exercitamos as práticas de caridade e, desinteressadamente, nos dedicamos ao serviço de propagação do Evangelho. Em comunidade, no serviço de Igreja, descobrimos que “o justo viverá pela fé!” (Rm 1,17)

Pela fé, cooperamos com a obra de Deus em nós. Com efeito, “é pela graça que vós sois salvos por meio da fé”. (Ef 2,8). Consequentemente, é necessário que, todos os dias, realizemos uma obediência de fé. Como não basta unicamente a nossa vontade para ter fé, é preciso que saibamos bradar: “Eu creio, Senhor, mas aumenta a minha fé!” (Lc 17,5). Com renovada fé, ouviremos o que Ele nos diz: “Tudo é possível a quem crê!” (Mc 9,23). “Credes em Deus!” (Jo 14,1). Ou ainda: “Vai, a tua fé te salvou!” (Mc 10, 52). Professando nossa fé, diremos a Ele: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo!” (Mt 16,16).

A fé não é algo estagnado; é, sim, algo dinâmico e em constante evolução. Sendo assim, a fé nos impulsiona a um contínuo crescimento na vida espiritual. Ficar parado, em termos de fé, é um sério risco. A fé gera em nós a alegria de viver o Cristianismo e uma ampla satisfação em pertencer à Igreja de Cristo. “A fé dá alegria. Se Deus não está presente, o mundo desertifica-se e tudo se torna aborrecido, tudo é completamente insuficiente. (…) Quem realmente vive a fé com paciência e se deixa formar por ela é purificado por muitos revezes e fraquezas, e torna-se bom”. (Cardeal Joseph Ratzinger, “O sal da terra”.)

A fé é um poderoso instrumento que Deus nos concedeu para que possamos superar as dificuldades advindas de uma doença, de uma noite escura ou de um contínuo sofrimento. Nas tempestades, temos que discernir a suave voz de Cristo que nos diz: “Se tivésseis fé como um grão de mostarda!” (Lc 17,6). Que saibamos progredir na fé para que nem mesmo um furacão abale nossa adesão ao amor de Cristo! Rezemos com frequência as fórmulas da fé, professando: “Eu creio!” Quem tem fé, mesmo nas adversidades, professa a certeza de que “Deus não manda o impossível, mas, ao mandar, nos convida a fazer o que podemos e a pedir o que não podemos, e nos ajuda para que possamos”. (Concílio de Trento).

Vamos concluir, professando nossa fé na Virgem Santa Maria, pedindo que Ela interceda junto a seu Filho para que aprendamos a imitar o seu exemplo e, por meio da vivência da fé, façamos do nosso coração um imenso reservatório que transborde a água límpida e fecunda do amor de Deus.

Ajudai-nos, Mãe, a crescer na fé, para que, inspirados em seu exemplo, também possamos dizer, com convicção de fé: Senhor, “faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1,38). Ensinai-nos, Mãe, a adentrar, com coragem, o mistério da fé, para que o exercício dessa virtude seja constante em nossos corações e produza uma fecunda raiz que nos una, cada vez mais, ao vosso Filho Jesus, para que possamos também produzir frutos de conversão e de santidade! Auxiliai-nos, ó Mãe, a comunicar ao nosso próximo a plena convicção de que, em tempos de pandemia, de tentações e de crises de fé, quem recorre a Vós e ao Vosso amado Filho, nosso amado Redentor, não permanece derrotado!

Aloísio Parreiras

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

2020-10-06T10:47:39-03:0006/10/2020|