A IGREJA EM SAÍDA

Para transmitir a Boa Nova da Salvação a todos os povos, Cristo fundou a Sua Igreja com a missão específica de evangelizar e, por isso, antes de ascender aos céus, Ele confiou aos Seus discípulos a obra missionária da Igreja dizendo: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura”. (Mc 16,15). Desde aquele dia, os discípulos de Jesus não pouparam esforços para anunciar Jesus Cristo, Seu amor e misericórdia em todos os tempos e em todas as latitudes do mundo. Graças aos esforços de todas as gerações cristãs que nos precederam, hoje nós somos os discípulos missionários de Jesus do século XXI.

Desde o dia de Sua ascensão aos céus, Cristo quis contar com a ajuda dos fiéis cristãos para poder alcançar as pessoas que estão afastadas de Sua Igreja. Em seu bom combate em prol da fé, São Paulo tomou consciência desse grato dever missionário que o nosso Redentor nos legou. Vivenciando o serviço missionário da Igreja, fundando comunidades e conquistando novas almas para Cristo, Paulo professou: “O Evangelho não é para mim motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta: ai de mim, se eu não evangelizar!”. (1 Cor 9, 16).

O dever de evangelizar é parte integrante da nossa identidade católica.  Evangelizar é, em primeiro lugar, anunciar uma Pessoa, a Pessoa de Jesus Cristo, nosso Deus adorado e amado, que deseja ser acolhido em nossos corações. De fato, “não haverá nunca evangelização verdadeira se o Nome, a doutrina, a vida, as promessas, o Reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados”. (Papa Paulo VI, Evangelii Nuntiandi, 22).

O dever missionário que o Cristo nos confiou é imenso, mas não devemos temer, pois a evangelização é uma atividade suscitada pelo Espírito Santo. É Ele quem nos move, renova e impulsiona em direção a novas messes. Unidos ao Cristo e em docilidade ao Espírito Santo, aprendemos a reservar tempo e espaço no nosso dia a dia para o exercício da oração, para o aprofundamento nas verdades da nossa fé e para o serviço missionário da Igreja, que pode e deve ser realizado em nossas famílias e nos lugares de trabalho, estudo e lazer. Mas, como podemos falar de Deus num mundo em que está presente um processo crescente de secularização? Devemos falar com a mesma linguagem empregada pelos primeiros cristãos: a linguagem da caridade, da verdade e da misericórdia.

Nestes nossos dias, nós, discípulos missionários de Jesus, somos convocados a apresentar, com renovada esperança, as razões da nossa fé aos nossos contemporâneos. Agindo assim, nós iremos testemunhar que o relativismo, o hedonismo e o niilismo não podem conduzir o ser humano pelos caminhos da felicidade. Talvez nunca como hoje a missão confiada à Igreja por Jesus, “Ide, pois, ensinai, todas as nações!” (Mt 28, 19), tenha assumido tal urgência e amplidão. Mais que nunca, todos os batizados devem fazer próprias as palavras do Apóstolo Paulo: “Ai de mim, se não evangelizar!”. (1 Cor 9, 16). De fato, está em jogo o futuro da evangelização do mundo.

Se todos nós, cristãos, estivermos persuadidos dos nossos deveres e serviços missionários, as dificuldades serão menos pesadas. Para que as futuras gerações tenham acesso à revelação cristã, é preciso que hoje todos os batizados cumpram com esmero a sua missão de Igreja anunciando o Reino de Deus e denunciando tudo aquilo que nos afasta da casa do Pai. Aos jovens, a Igreja confia a evangelização da juventude e a missão de construir um mundo novo. Aos casais, a Igreja confia a edificação da Igreja doméstica e o nobre testemunho da beleza do matrimônio, da família e da defesa da vida em todas as instâncias. A todos os batizados, a Igreja confia o dever de difundir em todo o mundo a chama da fé que Jesus acendeu no mundo, a fé em Deus, que é Uno e Trino, Amor e Misericórdia. Traduzindo, cada um de nós, com as nossas fragilidades e imperfeições, podemos ser as testemunhas de Cristo no local onde vivemos, na paróquia, nas comunidades, nos ambientes de estudo e de trabalho. Para que possamos realizar plenamente este serviço missionário, o Espírito Santo nos concede os Seus dons e nos conscientiza de que, mesmo com todas as nossas fragilidades, nós somos o rosto misericordioso de Cristo no mundo, nós somos a Igreja em saída, a Igreja que escuta e atende ao chamado missionário de Jesus: “Ide! Levantai-vos, vamos!”.

Todos nós conhecemos ou convivemos com pessoas que estão afastadas da Igreja. Por conseguinte, “se alguma coisa nos deve inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida”. (Papa Francisco, Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, 49).  No esforço de modificar esta situação, devemos ponderar: O que devemos dizer a elas? Mais do que dizer, nós devemos testemunhar que a caridade de Cristo nos alcançou e, por isso, testemunhamos os sinais do Seu amor por meio do serviço da misericórdia.

Dois terços da humanidade ainda esperam por Jesus Cristo, para que lhes revele o amor do Pai. Deste modo, a missão de Cristo confiada à Igreja ainda está longe do seu pleno cumprimento e, por isso, nós devemos nos empenhar com todas as nossas forças nesta obra missionária da Igreja, falando da fé com amor e humildade. Se formos dóceis ao Espírito Santo, Ele nos fará perceber que “Jesus não é o Senhor do conforto, da segurança e da comodidade. Para seguir a Jesus, é preciso ter uma boa dose de coragem, é preciso decidir-se a trocar o sofá por um par de sapatos que te ajudem a caminhar por estradas nunca sonhadas e nem mesmo pensadas, por estradas que podem abrir novos horizontes, capazes de contagiar-te a alegria, aquela alegria que nasce do amor de Deus, a alegria que deixa no teu coração cada gesto, cada atitude de misericórdia”. (Discurso do Papa Francisco na Vigília de Oração com os jovens em Cracóvia, em 30 de julho de 2016).

Que a Virgem Santa Maria, a Rainha das Missões, nos ajude a testemunhar a face missionária da Igreja em saída em todos os ambientes sociais. Que Ela nos fortaleça no anúncio do Evangelho de Cristo, para que os povos tenham vida e vida em abundância.

Aloísio Parreiras

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

2020-10-16T18:59:46-03:0016/10/2020|