A Indulgência Plenária pelos fiéis defuntos

 

Todos os anos, ao se aproximar a Comemoração dos Fiéis de Defuntos, no calendário litúrgico da Igreja, algumas dúvidas são levantadas sobre está prática já antiga na tradição da Santa Igreja Católica. Mas, antes de tudo, é importante entender o que são as indulgências e o valor delas para a fé dos católicos, bem como, para o itinerário de crescimento espiritual em vistas de alcançar a vida eterna.

Segundo a Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina do Papa São Paulo VI, as indulgências “é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos”. De forma catequética, pode-se comparar o pecado a um ferimento no corpo. Quando se sofre alguma lesão, cuida-se da mesma e ela cicatrizará. Entretanto, por vezes, mesmo após ser curada, a cicatriz fica, uma marca no corpo lembra aquela ferida. Da mesma forma, o home quando peca, após o arrependimento do pecado e a confissão sacramental, uma pena temporal, uma marca, fica no homem. As indulgências apagam essas marcas temporais que, são aquelas purificadas no Purgatório.

As indulgências podem ser parciais e plenárias. As parciais, como o nome já o diz, “liberam parcialmente da pena devida pelos pecados” já as indulgências plenárias “liberam totalmente da pena devida pelos pecados”. Uma pessoa pode lucrar inúmeras indulgências parciais durante o dia, de acordo com as normas apresentadas pelo Manual de Indulgências da Santa Sé, mas apenas uma indulgência plenária por dia. Tanto as parciais como as plenárias podem ser aplicadas ao próprio fiel, como também em sufrágio da alma dos fiéis defuntos, mas nunca a outro fiel ou pessoa viva, tendo em vista que Deus nunca fere a liberdade do homem.

Sabendo disso, as disposições para lucrar a Indulgência Plenária em favor dos fiéis defuntos é realizada a partir das seguintes práticas: “é preciso fazer uma obra enriquecida de indulgência e preencher as seguintes três condições: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice. Requer-se além disso rejeitar todo o apego ao pecado, qualquer que seja, mesmo venial.” Ai pode-se perguntar, mas o que rezar pelo Santo Padre? O próprio documento citado acima já responde: “A condição da oração nas intenções do Sumo Pontífice pode ser plenamente cumprida recitando em suas intenções um Pai-nosso e Ave-Maria; mas é facultado a todos os fiéis recitarem qualquer outra oração conforme sua piedade e devoção para com o Pontífice Romano.” Soma-se a estes requisitos a visita ao cemitério com, ao menos, uma oração mental pelos fiéis defuntos ou a uma igreja ou oratório, rezando nesta mesma intenção um Pai-Nosso e o Credo.

Por especial concessão da Penitenciária Apostólica – organismo da Santa Sé que legisla sobre as práticas das indulgências junto ao Santo Padre -, no período da Pandemia, as Indulgências Plenárias relacionadas a Comemoração dos Fiéis Defuntos, estão estendidas durante todo o mês de novembro, por conta desta emergência sanitária. Além disso, para salvaguardar a possibilidade daqueles que estão impedidos, por causas justas, de visitar o cemitério ou uma igreja, como os idosos, doentes, acamados e impossibilitados por motivos de saúde ou de restrições estatais, podem lucrar indulgência plenária pelos fiéis falecidos a partir de suas casas e leitos, cumprindo as disposições enumeradas para todos os fiéis.

Portanto, além de uma prática espiritual belíssima, buscar as indulgências, nesta Comemoração dos Fiéis Defuntos é uma obra de misericórdia espiritual (rezar a Deus pelos vivos e pelos defuntos), bem como, um ato de caridade para com os irmãos falecidos que padecem no purgatório e aguardam a entrada para a glória celeste.

 

 

 

Fontes:

https://www.vatican.va/content/paul-vi/pt/apost_constitutions/documents/hf_p-vi_apc_01011967_indulgentiarum-doctrina.html#_ftnref37
https://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2020/10/23/0545/01264.html