A MÃE DA MISERICÓRDIA

O sim da Virgem Santa Maria aos propósitos de Deus, anunciados pelo Arcanjo São Gabriel, e a força da palavra de seu coração transformaram decisivamente a história do mundo e a nossa história, pois permitiram que a História da Salvação alcançasse a sua plenitude. Ao mesmo tempo, o sim da Virgem Maria escancarou as portas da divina misericórdia, a fim de que o Cristo, nosso Deus amado e adorado, viesse habitar em nosso meio para nos ensinar o caminho do Evangelho.

Graças ao sim da Virgem Maria, a sua fidelidade aos projetos de Deus e à sua constante intercessão em nosso favor, Ela é a Mãe da misericórdia e, por isso, podemos apoiar nossa esperança em suas mãos bondosas. Ela foi a mulher escolhida para que a plenitude dos tempos chegasse até nós. Ela é a Onipotência Suplicante, que obtém de Cristo tudo o que Lhe implora: a nossa perseverança na fé, nosso crescimento na santidade e a nossa salvação.  Por ser uma Mãe misericordiosa, “Nossa Senhora é descanso para os que trabalham, consolação dos que choram, remédio para os enfermos, porto para os que se encontram no meio da tempestade, perdão para os pecadores, doce alívio dos tristes, socorro para os que rezam”. (São João Damasceno, Homilia na Dormição da Bem-aventurada Virgem Maria).

A Virgem Maria é o modelo da Igreja que acolhe na fé a Palavra divina e se oferece a Deus como solo fecundo onde Ele pode continuar a cumprir o Seu mistério da salvação. Por ser a cheia de graça, Maria é a mediadora das graças e bênçãos de Cristo para o mundo e para nós. Ao acolher Jesus em seu seio, Ela recebeu a bênção e a transmitiu, conduzindo Jesus a Isabel e ao próximo. Ela é o refúgio seguro de todos nós, pecadores e, por isso, não cessa de nos apresentar o seu Filho, fruto do Espírito Santo e sinal de contradição. Ela, como a saúda Santa Isabel, é a “bendita entre as mulheres”. (Lc 1, 42). Toda a sua vida está inserida na luz de Deus, no âmbito do Nome e do rosto de Cristo. Por ter carregado em seu ventre o próprio Cristo, Ela é a primeira abençoada e é aquela que nos traz a bênção, a paz, o amor e a misericórdia. Ela é a Mulher que tem autoridade para nos questionar: “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores? ”. (Mensagem de Nossa Senhora de Fátima).

A Virgem Maria “é Mãe da misericórdia, porque gerou no seu ventre o próprio Rosto da misericórdia divina, Jesus, o Emanuel, o Esperado de todos os povos, o ‘Príncipe da Paz’ (Is 9, 5). O Filho de Deus, que se encarnou para nossa salvação, deu-nos a sua Mãe que Se faz peregrina, conosco, para nunca nos deixar sozinhos no caminho da nossa vida, especialmente nos momentos de incerteza e sofrimento”. (Homilia do Papa Francisco na abertura da Porta Santa da Basílica de Santa Maria Maior, em 1º de janeiro de 2016).

Maria nos faz perceber que a misericórdia de Cristo não conhece limites e alcança a todos, sem excluir ninguém. Ela carrega na pupila dos olhos o olhar redentor de Jesus que não desiste de nós, pois Ele sempre toma a iniciativa de abrir novas possibilidades de encontros, decisões e transformações. No rosto da Virgem Maria resplandecem os traços da misericórdia de Cristo, pois, assim como em Caná, Ela está sempre atenta às nossas necessidades e preces. Ela sempre nos ouve quando lhe dirigimos a oração, antiga e sempre nova, da Salve Rainha, pedindo-lhe que nunca se canse de volver para nós os seus olhos misericordiosos e nos faça dignos de contemplar as promessas de Jesus, o rosto da misericórdia por excelência.

Misericórdia, compaixão e ternura são palavras que expressam, de alguma maneira, a solicitude materna da Virgem Maria para conosco. Deste modo, é Ela quem nos ensina a compor o canto da misericórdia e da fidelidade de Deus presente na nossa vida e em nossa história. Graças às misericórdias de Maria, o Papa São Pio V e a Liga Santa, no século XVI, venceram a Batalha de Lepanto, no mar Jônico, contra a armada turca que visava invadir a Europa e impor o Islamismo. Antes do combate, São Pio V solicitou aos cristãos a ajuda no combate por meio da oração do Rosário.

Nas modernas batalhas de Lepanto que nós temos que enfrentar no cotidiano do mundo, Maria é a nossa intercessora perante o nosso Redentor. Recorrer à mediação de Maria já é uma esperança segura de conquista e é o prenúncio de que, em breve, poderemos bradar: “Misericórdias de Maria, eu vos cantarei eternamente, sim, eternamente”. (Santo Afonso Maria de Ligório, Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, página 88). Nas antigas e novas histórias da Batalha de Lepanto, fica evidente para todos nós a certeza de que, quando elevamos aos céus uma fervorosa oração pelas mãos da Virgem Maria, a vitória será certa, pois a Mãe da misericórdia nos reúne a todos sob a proteção do seu manto.

Virgem Santa Maria, Senhora e Mãe da misericórdia, nós Vos confiamos e entregamos o Brasil e o mundo, neste momento da pandemia da Covid-19, os povos e as nações que mais precisam da intercessão materna do vosso Coração Imaculado, para que a cura dessa doença seja alcançada o mais rápido possível e assim se consolide, purifique e expanda o Reino de Deus, do vosso Filho Jesus Cristo em nosso meio.

Mãe da misericórdia, abençoai-nos e protegei-nos, assim como as mães abençoam e protegem os seus filhos que devem partir para enfrentar os desafios do mundo.  Mãe da misericórdia, nós temos a convicção de que são “felizes aqueles que, imitando o exemplo dos pobres às portas dos ricos, não cessam de pedir a esmola de alguma graça às portas da misericórdia de Maria”. (Santo Afonso Maria de Ligório, Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, página 52).

Mãe da misericórdia, em vossas mãos nós entregamos a nossa esperança de que essa noite escura vai passar e o novo dia da graça do Senhor vai despontar diante de nossos olhos. Nessa espera confiante, a Vós, Mãe da misericórdia, recorremos suplicando: “Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos os degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre. Ó clemente! Ó piedosa! Ó doce, sempre Virgem Maria! ”

Aloísio Parreiras

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