A PACIÊNCIA TUDO ALCANÇA!

Por meio da Parábola do joio e do trigo, Cristo ensinou aos Seus Apóstolos e a
cada um de nós que Ele é um Deus paciente, amável, bondoso, misericordioso e
compassivo, evidenciando, ao mesmo tempo, que a paciência é um dos frutos de uma
vida que está em sintonia com o Senhor, um precioso fruto da presença do Espírito
Santo em nossas almas.
Em termos humanos, gostamos de afirmar que “a pressa é inimiga da perfeição”.
Sendo a Perfeição por excelência, Jesus nos ensina a tomar decisões certas no momento
certo, ou seja, não podemos arrancar o joio antes do esperado tempo da colheita, pois
quem se apressa comete erros, mas quem tem paciência alcança seus objetivos, pois,
como nos ensina a Sagrada Escritura: “A paciência prova a fidelidade, e esta,
comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana”. (Rm 5, 4-5).
A paciência é amiga do silêncio, da perseverança, da fé e da justiça. A paciência
é amparada no autocontrole emocional, pois nos ajuda a suportar as situações
desagradáveis, difíceis e o incômodo de fatores externos sem perder a concentração, a
calma e o controle.
Ter paciência é um sinal de que sabemos agir com prudência e sabedoria. Desse
modo, Santo Agostinho nos adverte: “Não há lugar para a sabedoria onde não há
paciência”. Somente os sábios têm conhecimento de que os tempos de espera são
tempos de amadurecimento e de tomada de decisões que não podem ser estabelecidas de
uma hora para outra, pois nossas decisões devem possuir raízes profundas. Os sábios
não se deixam levar pela precipitação e, por isso, sabem meditar cotidianamente os
conselhos que Deus nos dá no livro do Eclesiástico: “Meu filho, se entrares para o
serviço de Deus, prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com
paciência. Não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-
te a Deus, espera com paciência”. (Eclo 2, 1-3).
Todos nós temos consciência de que é muito importante desenvolver a paciência
para que possamos viver o nosso dia a dia de uma forma mais inteligente. No entanto,
entre ter esta vontade e realizá-la existe uma diferença significativa. O processo de
aquisição da virtude da paciência é sempre um processo gradual, pois as coisas
importantes da vida demandam tempo. Dessa maneira, em todas as etapas e decisões da
vida, nós devemos combinar os tempos de ação com os tempos de espera, os tempos de
conquista com os tempos de trabalho, com a consciência de que “a paciência é uma
árvore de raiz amarga, mas de frutos doces”. (Provérbio persa).
Em nossa caminhada na fé e na santidade, a paciência é uma virtude
imprescindível, pois trazemos em nossos corações coisas boas e não tão boas, o joio e o
trigo, as inquietações e os desafios de superarmos tudo aquilo que impede o nosso
crescimento espiritual e nossa maior intimidade com o Cristo. Diante dos desafios de
sermos melhores a cada dia, nós temos que recordar que foi pelo exercício da paciência
que os primeiros cristãos e as demais gerações cristãs venceram todos os seus inimigos

até os nossos dias: o Império Romano, as heresias, as perseguições, o ateísmo, o
comunismo, os escândalos e os pecados de seus filhos.
Na contemplação dessa realidade da fé, nós devemos buscar novas forças no
Senhor, a fim de que as nossas limitações, fraquezas e erros não nos impeçam de
continuar exercitando a santidade sem reservas. Mesmo que venhamos a desanimar, a
cair e a ralar os joelhos nas quedas, Cristo nos concede os meios propícios para nos
reerguermos com renovada caridade e esperança, ensinando-nos a caminhar passo a
passo na senda no bom combate da fé, professando que, por meio da paciência, Ele nos
levará para o céu.
A paciência no aprendizado da justiça não significa imobilismo, perda de tempo
ou resignação. Ao contrário, a paciência cristã evidencia a certeza de que estamos nas
mãos d’Aquele que tudo pode. Por conseguinte, a paciência cristã nos ajuda a dar
passos decisivos, nos impulsiona a sair para as periferias para vivenciarmos novos
desafios. Mesmo que venhamos a cair, aprendemos a levantar, pois aprendemos a
escutar os conselhos de Santa Teresa D’Ávila que nos diz: “Nada te perturbe, nada te
amedronte. Tudo passa. Só Deus não passa; a paciência tudo alcança. Quem a Deus tem,
nada lhe falta: só Deus basta!”.
Quando realizamos a leitura e a meditação da parábola do joio e do trigo, nós
adquirimos a certeza de que Deus tem paciência conosco, pois Ele não desiste de nós
nem mesmo quando nos afastamos de Seu amor e da Sua misericórdia. Ele nos trata
com gratidão mesmo quando somos ingratos. Ele nos acolhe com amor mesmo quando
somos egoístas e Ele espalha a boa semente em nossas almas mesmo quando insistimos
em espalhar a erva daninha do pecado. Agindo assim, Ele nos ensina que, em tudo
aquilo que não podemos mudar de imediato em nós ou nos outros, devemos aceitar,
com paciência, o tempo e o momento propícios, até que Ele disponha os meios
oportunos para a necessária mudança.
Nos momentos da vida em que somos tentados a agir com impaciência e
precipitação, nós devemos ouvir as orientações dos santos que nos afirmam: “Um
remédio contra essas tuas inquietações: ter paciência, retidão de intenção, e olhar as
coisas com perspectiva sobrenatural”. (São Josemaria Escrivá, Sulco no 853). Inseridos
no terreno sobrenatural da fé, nós aprendemos que ter paciência é ter autodomínio
diante das demoras e contrariedades cotidianas, é ser sereno e forte frente aos
incômodos, aos vendavais, às pandemias e às tempestades. Ter paciência é ser sereno
diante das contrariedades, impedindo que ações mal pensadas sejam praticadas. Ter
paciência é saber esperar, ter cautela, é aguardar a oportunidade exata, vivenciando
sempre a necessária calma.
O campo da construção do Reino de Deus é o mundo em que vivemos. Este
mundo é uma mistura de bem e mal e, por isso, é o lugar do nosso aprendizado da
virtude da paciência, pois, mesmo quando parece que o mal está vencendo o bem, não
podemos esquecer que, em Cristo, o mal, o pecado, as trevas e o egoísmo já foram
vencidos. Por conseguinte, nunca é tarde para se converter, para superar um pecado,

para mudar de vida e se viver a santidade, ou seja, sempre é tempo de aprimorarmos
nossa pertença a Deus e à Igreja, suplicando ao Cristo a graça de sermos pacientes e
sábios na vivência diária da fé, que é o tempo apropriado para a nossa renovação e
conversão.
A Virgem Santa Maria é a mulher da paciência, pois sempre soube esperar o
desígnio do Altíssimo se cumprir, sem reclamar, sem se afobar e sem querer mudar o
tempo de Deus. Que Ela, nossa bondosa e amada Mãe, nos ensine a esperar no Senhor
com um coração novo e enamorado que não se deixa levar pela pressa e afobação
exigidas pelo mundo. Virgem Santa Maria, ensinai-nos a perseverar no itinerário
paciente da santidade, a fim de que possamos um dia adentrar o Reino dos Céus!
Aloísio Parreiras

2020-07-19T18:40:55-03:0019/07/2020|