A PALAVRA DE DEUS

Temos que reconhecer que a Palavra de Deus permanece gerando vida, transformação e dinamismo na vida da Igreja. Temos que professar que a Palavra de Deus continuará, até o fim dos tempos, assumindo um lugar de destaque e de preponderância na experiência cristã do Povo de Deus, pois, “na leitura orante da Escritura e no coerente compromisso de vida, a Igreja sempre se renova e se rejuvenesce! ” (Papa Bento XVI, Audiência em 25 de abril de 2007). Hoje e sempre, a Palavra de Deus continua nos incentivando a um constante rejuvenescimento espiritual por meio da leitura cotidiana, atenta e ponderada das Sagradas Escrituras.

A leitura e a reflexão dos livros bíblicos nos levarão a descobrir, à luz da fé, a Pessoa de Cristo e nos farão corresponder ao Seu amor, vivendo de forma coerente a vida cristã, mesmo que isso implique em percorrer um caminho de renúncias e de sacrifícios. Em todos os dias e em todos os momentos, Deus tem algo a nos dizer. Daí a necessidade de se conhecer as Sagradas Escrituras; afinal, a Escritura “é uma Carta outorgada pelo Pai Celeste ao gênero humano viandante longe da sua pátria, e que os autores sagrados nos transmitiram!” (Papa Leão XIII, “Providentissimus Deus, nº 4”). Nesta Carta de amor que Deus nos legou, há uma proposta de vida nova e de libertação para todos os homens! Os destinatários que acolhem as verdades contidas nesta Carta de amor, tornam-se discípulos, identificam-se com o nosso Redentor e vivem no serviço e na entrega aos irmãos.

A Igreja, como sinal visível de Cristo, nos ensina que “toda a Bíblia é a história de como Deus ama seu povo!” (Papa João Paulo II, Familiaris Consortio, nº 12). Por isso, a Igreja exorta os fiéis ao dever de ler e de estudar a Escritura. Se formos atentos leitores, nós veremos que a Bíblia foi escrita para nós. Foi pensando em cada um de nós que Cristo disse tantas frases de acolhimento que já fazem parte de nossa estória pessoal de intimidade com Ele. Como é bom poder degustar o sabor da Escritura e poder afirmar: “Quando encontrei Tuas Palavras, alimentei-me; elas se tornaram para mim uma delícia e a alegria do meu coração, o modo como invocar Teu nome sobre mim, Senhor Deus dos exércitos!” (Jr 15,16).

Nas celebrações da Igreja, a Palavra de Deus é sempre o manancial de onde são tiradas fecundas lições e admoestações que devem cair em nossas almas e produzir, generosamente, novos frutos de conversão e de santidade. Na celebração da Santa Missa, durante as leituras, nós permanecemos sentados para “que a Palavra do Senhor siga propagando-se!” (2 Tes 3,1). Na reflexão do Salmo, “tende bons sentimentos para com o Senhor e procurai-o com simplicidade de coração!” (Sb 1,1). Durante a proclamação do Santo Evangelho, permanecemos de pé, em atitude de escuta e de acolhimento para “que a Palavra de Cristo, com toda a Sua riqueza, habite em nós!” (Cl 3,16). Na elevação da Hóstia sagrada, professamos, silenciosamente, em nossa alma: “Eis o memorial, o resumo de todas as maravilhas de Deus!” (Sl 110, 4). Antes de sairmos do recinto sagrado, diante do Sacrário, em uma profunda ação de graças, elevemos a Deus o nosso agradecimento por pertencer à Igreja e poder contemplar a conversão dos irmãos, dizendo: “Agradeçamos a Deus sem cessar por vós terdes acolhido a pregação da Palavra de Deus não como palavra humana, mas como aquilo que de fato é: Palavra de Deus, que está produzindo efeito em vós que abraçastes a fé!” (1 Tes 2,13).

Todo aquele que quer viver a realidade transformadora de ser igreja, tem conhecimento de que precisa se nutrir das Sagradas Escrituras, pois nela há de encontrar um precioso alimento espiritual! O estudo e a meditação da Escritura, quando realizados com plena docilidade ao Espírito Santo, robustece em nós um fecundo amor por Cristo, pela Igreja, por Nossa Senhora e pelo Sumo Pontífice!

Se você ainda não descobriu a preciosidade que está contida nos livros sagrados, peça a Deus o dom do conselho, e lance-se nessa empreitada! Abra a sua Bíblia e “escutai a voz do pastor. Retirai-vos para os montes das Santas Escrituras; ali encontrareis as delícias do vosso coração e não achareis nada que vos possa envenenar ou fazer mal, pois ricas são as pastagens que ali se encontram!” (Santo Agostinho, “Sermão 46 sobre os pastores”).

Uma riqueza infinita, um precioso tesouro é poder ter a Palavra de Deus como norma de conduta em nossas vidas! Uma fonte de água límpida está presente na Escritura, à nossa espera, para regar o terreno árido de nosso ser com um rio de graças e de bênçãos! Sem perder tempo, de braços abertos e de alma pura, lancemo-nos ao desafio de explorar os mananciais da Sagrada Escritura!

 

Aloísio Parreiras

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