A presença do Pai em nossas vidas

A família precisa do pai, necessita que ele seja presença determinante na história de vida da esposa e, principalmente, na história de vida de todos os filhos. A família precisa que “o pai seja próximo à mulher, para partilhar tudo, alegrias e dores, cansaços e esperanças. E que seja próximo aos filhos em seu crescimento: quando brincam e quando se empenham, quando estão despreocupados e quando estão angustiados, quando se exprimem e quando ficam em silêncio, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando reencontram o caminho; pai presente, sempre. Dizer presente não é o mesmo que dizer controlador! Porque os pais muito controladores anulam os filhos, não os deixam crescer”. (Papa Francisco, Catequese em 4 de fevereiro de 2015).

No aprendizado da convivência, na contemplação da eficácia da força do amor paterno, nós aprendemos que o pai é uma pessoa para se guardar no lado esquerdo do peito, dentro do coração, pois o pai é um amigo, um professor, um coaching, um instrutor e uma referência para todos nós, os amados filhos. Pai é o homem que protege com caridade, ensina o caminho com inúmeros detalhes, compartilha histórias com emoção e aconselha com sabedoria.

Um bom pai é o homem que valoriza a família, a mulher, os filhos e a comunidade a que ele pertence. Um bom pai é aquele que transmite virtudes e valores a seus filhos e, por meio de gestos de amor, corrige, protege, zela e defende. Um bom pai é cuidadoso e é sempre paciente, pois existem muitos momentos em que não há outra coisa a fazer senão rezar e esperar com paciência, bondade e misericórdia. Em nossos insucessos, dificuldades e derrotas, como é bom poder saber que temos um pai que irá nos acolher, afirmando: Não desista, meu filho, você vai conseguir!

Pai é pai, dizem por aí. Mas, com um olhar mais apurado, nós podemos perceber que há pais para todos os tipos e gostos. Exemplificando: há pais estilo Xerox que não cabem em si quando alguém lhes diz: “Seu filho é sua cópia perfeita!”. Há também os pais ousados e corajosos que enfrentam conosco todas as batalhas da vida, ajudando-nos a abrir as portas que nos conduzem ao futuro.

Despertam a nossa atenção os pais avôs que parecem adolescentes brincando com seus netos sem medo das limitações da idade, tudo em nome da felicidade. E ainda há os pais tecnológicos que, diante dos pequenos e grandes erros dos filhos, chamam para uma boa conversa e, em vez da palmada, usam o recurso Ctrl, Alt, Dell, selecionando todas as coisas e demonstrando que, mediante uma nova oportunidade, podemos ser bem melhores.

Na vida da Igreja, em nossas Paróquias e comunidades, nós percebemos que existem os pais religiosos, que são aqueles que revelam que a vida não se limita aos horizontes terrenos. Nossa permanência no itinerário da fé nos ajuda a descobrir que existem os pais estilo Moisés, que são os pais que nos ensinam a Lei de Deus, o valor do sagrado e a necessidade de retirarmos as sandálias do egoísmo para permanecermos na presença do Altíssimo. Pais Moisés são aqueles que nos ajudam a atravessar o mar vermelho da vida com renovada esperança na construção de um mundo novo.

Existem os pais estilo Abraão, que são os pais que nos ensinam que a vontade de Deus acerca de nós é sempre o melhor. Esses são pais generosos que entendem que uma vocação sacerdotal ou religiosa no seio de sua família é sempre uma preciosa bênção. Esses pais são campeões na fé e, por isso, professam: Deus provê, Deus proverá e a graça de Deus não nos há de faltar.

Existem os pais estilo João Batista, que são os pais que nos ensinam que o pouco com Deus é muito e, por isso, a vida exige sacrifícios, mortificações e renúncias. Pais João Batista não temem corrigir os erros dos filhos, pois denunciam os modernos males e pecados do nosso tempo, evidenciando sempre que “os santos são pecadores que nunca desistem”.

Existem os pais estilo discípulos de Emaús, que são os pais que nos revelam que, no cotidiano da vivência da oração, Cristo é o nosso eterno Companheiro de caminhada. Ele é o Deus conosco que nos recorda as Escrituras e aquece o nosso coração na Fração do Pão.

No ritmo corrido da vida, no aprendizado da santidade, nós percebemos também que existem os pais que se esmeram no Evangelho de Cristo. Esses pais nos ensinam que não somos campeões unicamente quando vencemos ou chegamos primeiro. Ao contrário, nós somos campeões quando chegamos juntos na realização dos ideais e levamos conosco o nosso próximo, pois ninguém é campeão sozinho. Pais que se esmeram no Evangelho de Cristo são pais que transmitem cuidado, abrigo, conselho, perdão, proteção, misericórdia e acolhimento.

Esses pais que se esmeram no Evangelho de Cristo se fazem aurora radiante quando enfrentamos nossas noites escuras; fazem-se água fresca quando a umidade do ar da nossa caridade está muito baixa; fazem-se sombra repousante quando enfrentamos o calor escaldante do sol das dúvidas da fé e ainda se fazem fonte de paz, porto seguro e abrigo quentinho diante das batalhas e guerras da história da nossa salvação.

Na história da nossa salvação, na vivência da alegria do Evangelho, como é bom perceber que nossos pais são, de alguma forma, um pedaço de Deus que nos foi dado e, por isso, nos braços dos nossos pais, nós somos eternas crianças, aprendizes de esperança que professam sem palavras a certeza de que, juntos dos nossos pais, o futuro de modo algum é inseguro.

Quando um pai na terra protege, defende e impulsiona a gente, todo mundo sente que um pai não morre, ele se eterniza em nossas almas, deixando marcas de eternidade. Ele se faz memória, recordação, saudade, presença, pois não o esqueceremos jamais.

“A Igreja, nossa mãe, é empenhada em apoiar com todas as suas forças a presença boa e generosa dos pais nas famílias, porque esses são para as novas gerações protetores e mediadores insubstituíveis da fé na bondade, da fé na justiça e na proteção de Deus, como São José”. (Papa Francisco, Catequese em 4 de fevereiro de 2015).

Meu pai, muito obrigado por tudo! Que o Deus Altíssimo, o Pai das Misericórdias e de todas as consolações o abençoe, proteja e lhe recompense pela sua generosidade, alegria, entrega e serviço à nossa família. Feliz dia dos pais!

Aloísio Parreiras

2020-08-08T22:18:43-03:0009/08/2020|