A SENHORA DO ADVENTO

Nesse período litúrgico do Advento, Maria, a Santíssima Virgem do Advento, nos convida a percorrer o itinerário que irá nos conduzir em direção ao mistério da Encarnação do Verbo de Deus. É desejo de Maria que todos e cada um de nós, juntos a Ela, descubramos com renovado ardor o valor inexcedível do conhecimento do amor de Cristo.

Em nossa preparação para o Natal, é sempre bom e necessário querer ter o privilégio de se aproximar de Belém, do presépio do Menino Deus, amparados pela humildade e pelos exemplos de virtudes que encontramos no autêntico culto a Maria e, por isso, nós queremos elevar os nossos olhares suplicantes para  Nossa Senhora, para que Ela nos demonstre quais são os requisitos necessários para se viver a  regeneração espiritual e moral que nos faz testemunhas credíveis das maravilhas operadas por Deus, no nosso tempo e em nossa história.

Nesse itinerário espiritual que nos conduz em direção ao Presépio de Belém, Maria, a doce e singela Virgem do Advento, nos faz perceber que a caridade e a piedade, alimentadas na fecunda fonte da Sagrada Escritura e da reta participação nos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, nos colocam em pleno contato com os mananciais de uma sólida vida espiritual, solidíssimo fundamento em que se há de alicerçar nossa caminhada na fé e na santidade.

Iluminados pela Luz provinda de Belém, sentimos no coração a grata e imperiosa incumbência de bradar que “a notícia do nascimento de Jesus representa o grande sinal da benevolência divina para com os homens. No divino Redentor, contemplado na pobreza da gruta de Belém, pode-se divisar um convite a nos aproximar, com confiança, d’Aquele que é a esperança, d’Aquele que é a esperança da humanidade”. (Papa João Paulo II, “L’Osservatore Romano, Ed. Port., n.º 47”). A Santíssima Virgem Maria não se cansa de interceder por nós diante de Nosso Senhor Jesus Cristo. Demonstremos a Ela que, graças à sua poderosa intercessão, estamos mantendo a graça, a paz e o amor de Deus em nossas almas e, consequentemente, em união com o nosso Redentor, não temos medo ou receios de enfrentar com grandeza de ânimo as obrigações de nossas vidas de batizados e de membros do Corpo Místico de Cristo.

Contemplando as atitudes e os gestos de amor demonstrados pela Virgem do Advento, descobrimos, à luz da fé, a geografia espiritual da terra santa de Belém, que é fecunda em conquistas de desprendimento, gestos de serviço e de obras de misericórdia. Em Belém, terra de pastores, temos a plena convicção de que, diante de Deus, ninguém é estrangeiro, pois nos reconhecemos filhos de um mesmo Pai! Em Belém, terra-pão, degustamos o valor insubstituível da Eucaristia, que imprime em nosso ser um maior sentido de Deus e de tudo aquilo que é sagrado em nossas vidas e incrementa um maior apreço pela Igreja, como instituição de Salvação, mediante os sacramentos, sinais sensíveis da graça que Jesus Cristo, em Seu amor, nos legou!

É vital que manifestemos nossa adesão à geografia de Belém por meio da prática, sem reservas, da virtude da caridade e do constante empenho em conquistar novos discípulos para o Reino de Deus! Maria, a Virgem do Advento, é também a Mãe da Igreja, que nos faz perceber que ser um cidadão, um homem ou uma mulher redimidos pelo Menino Deus que nasceu em Belém, é saber ser um profeta, um sacerdote e um rei que, na prática e na concretização da virtude da esperança, demonstra com coerência que “é grande em nós o desejo de que a Igreja de Deus seja qual Jesus a quer: una, santa, toda encaminhada à perfeição a que Ele a chamou e de que a tornou capaz”. (Papa Paulo VI, “Encíclica Ecclesiam Suam, n.º 19”).

Quanto maior for o tempo que dedicarmos à nossa preparação para o Natal, maior será a nossa convicção de que Maria, a Mãe de Cristo, nos torna integralmente acessível o compêndio do Advento. Ela própria pode e deve ser reconhecida como o compêndio do Advento; afinal, quem se preparou da melhor forma para servir ao Senhor? Quem melhor vivenciou a realidade da graça por amar sem reservas ao Messias esperado? Quem, sem titubear, soube dizer “sim!” e permanecer nessa doação incondicional?

Se soubermos auscultar o que a Santíssima Virgem Maria nos diz, perceberemos que na vida da fé não existem práticas de devoção exclusivamente masculinas ou femininas e que na preparação do Natal, não só as mulheres, mas também todos os homens, são chamados a participar da organização das novenas e da montagem dos presépios. Nesse sentido, caso alguém nos interrogue porque um homem participa de novenas e da montagem de um presépio, questione-o: “Quem te disse que fazer novenas não é varonil? Serão varonis essas devoções, sempre que as pratique um varão com espírito de oração e penitência!” (São Josemaría Escrivá, “Caminho n.º 574”). Como homens e mulheres, seres humanos resgatados pelo nosso Redentor, salmodiemos: “A Verdade brotou da terra!” (Sl 84,12). Como homens e mulheres, imagem e semelhança de Deus, declaremos que “todo aquele que em seu coração crê para obter a justiça, concebe a Cristo. Quem, com suas palavras, o confessa pela boca, para alcançar a Salvação, dá à luz a Cristo!” (Santo Agostinho, “Sermão 191,4”)

Para concluir, quero mais uma vez convidá-los a voltar os olhos e a alma para Nossa Senhora, a dulcíssima e amada Virgem do Advento, invocando, com renovada e filial confiança, a sua poderosa mediação e intercessão em favor da paz no mundo e da concretização da justiça em todos em povos e nações! Em silêncio, no fundo do fundo da nossa alma, rezemos a antífona do Advento, suplicando: “Ó santa Mãe do Redentor, porta do céu, estrela do mar, socorre o teu povo, que anela por ressurgir. Tu que, acolhendo a saudação do anjo na admiração de toda a criação, geraste o teu Criador. Mãe sempre virgem, tem piedade de nós, pecadores!”

Aloísio Parreiras

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

2020-12-04T09:35:18-03:0004/12/2020|