A VIRTUDE DA CARIDADE

As virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade devem se fazer presentes em nossas vidas e exercidas no itinerário da santidade, mas, “acima de tudo, deve haver a caridade, que é o vínculo da perfeição.” (Col 3,14).

Na busca pela perfeição, no dia a dia, somos convidados a dar o máximo relevo à virtude da caridade, pois esta virtude faz desabrochar, em nossas almas, o desejo de testemunhar os sinais da presença de Cristo em nossa história e em nosso meio. Pela prática da caridade, somos chamados a sair de nós mesmos para que possamos ir ao encontro dos pobres, dos doentes e dos abandonados. “A caridade cristã a todos se estende sem discriminação de raça, condição social ou religião; não espera qualquer lucro ou agradecimento. Portanto, assim como Deus nos amou com um amor gratuito, assim também os fiéis, pela sua caridade, sejam solícitos pelos homens, amando-os com o mesmo zelo com que Deus veio procurá-los.” (Ad Gentes, 12)

 Por meio da virtude da caridade, vamos ao encontro das necessidades do nosso próximo, disponibilizando o nosso tempo, dons e recursos materiais para socorrer a quem precisa de atenção, cuidado e acolhimento. Auxiliando o nosso próximo, de alguma forma nós estamos cumprindo o mandamento de Cristo que nos diz: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei!” (Jo 15,12).

O exercício da virtude da caridade é o primeiro dever do discípulo de Jesus que reconhece, no próximo, a face de Cristo e, por isso, realiza ações caritativas em nome de nosso Redentor. Mediante a caridade, tornamo-nos autênticos evangelizadores; afinal, pela expressão da caridade, o cristão torna visível o amor de Deus pelos homens, revelado em Cristo, e manifesta a Sua presença na terra até o fim do mundo.

Para o fiel cristão, a caridade não é apenas um gesto ou um ideal, mas constitui, de algum modo, o prolongamento da presença de Cristo que Se dá a Si mesmo em prol de nossa salvação. A caridade pode ser exercida de diversas maneiras: um aperto de mão a um menor abandonado, uma boa refeição a um morador de rua, uma visita aos presidiários, a companhia a um doente no hospital, uma conversa com um idoso e, até mesmo, o sorriso de acolhimento e de perdão a quem nos prejudicou em algo.

Em todas estas práticas caritativas, desvendamos que “o conhecimento incha, mas o amor edifica!” (1 Cor 8,2). A caridade é a plena manifestação do amor de Deus que está em nós. Por conseguinte, a caridade “nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Cor 13, 5-7).

         Temos conhecimento de que “a caridade de Deus foi derramada em nossos corações por meio do Espírito Santo, que nos foi dado” (Rm 5,5). É o Espírito Santo quem nos faz perceber que temos que acolher o próximo em suas necessidades. Não podemos nunca deixar que aqueles que recorrem a nós retornem com as mãos vazias. Se não temos condições financeiras para sanar a dificuldade material, pelo menos que não falte o abraço, o acolhimento e uma palavra de apoio.

O beneficiário de nossa caridade merece receber o que há de melhor em nossos corações. A mera doação de roupas velhas, unicamente com o intuito de se livrar de um pedinte que nos importuna, não é uma prática caritativa. A ação, para ser caritativa, deve expressar que o destinatário daquela ação é o próprio Deus. É em Deus que nós buscamos as forças necessárias para testemunhar, com heroísmo, a vivência da caridade no tempo oportuno e no inoportuno.

Quando somos dóceis ao Espírito Santo, nós professamos, com atos, palavras e obras, que o amor de Cristo transforma qualitativamente os relacionamentos humanos, pois o amor ao próximo é indissociável do amor de Deus. Desse modo, “quem não ama o seu irmão a quem vê, não pode dizer que ama a Deus a quem não vê”. (1 Jo 4, 20). Pela perseverança na caridade, o amor humano alcança as qualidades do amor divino, ou seja, passa a ser bondoso, misericordioso, compassivo e justo.

Tempos de crises, de dificuldades e de pandemias são tempos propícios para a vivência da caridade, pois deixam à mostra as fragilidades humanas e, por isso, são tempos especiais para o aprendizado da caridade que concretiza as ações samaritanas de ver, sentir compaixão e cuidar. A caridade não possui fronteiras e nem é limitada pelos muros. Ao contrário, a caridade constrói pontes e edifica hospitais onde os enfermos são tratados como seres humanos dignos de valor e de respeito.             

A caridade é a mais perfeita virtude teologal e, por isso, “a caridade jamais passará!” (1 Cor 13,8), pois, no céu, continuaremos amando a Nosso Senhor Jesus Cristo e o nosso próximo. Quando caminhamos de cabeça erguida em direção ao céu, nós bradamos: “A tua caridade deve adequar-se, ajustar-se, às necessidades dos outros; não às tuas”. (São Josemaría Escrivá, Sulco nº 749).

A vivência da caridade no céu será uma consequência da concretização das práticas caritativas que empreendemos aqui e agora, no cotidiano de nossa existência. Graças ao amor salvífico e transformador de Jesus, o amor, que já vivenciamos aqui na terra, nunca vai morrer. No céu o amor será pleno, purificado e transbordante. Por conseguinte, pela fidelidade ao amor, nós iremos nos reconhecer no céu.

O céu é o nosso destino, pois somos estrangeiros aqui nessa dimensão visível da Igreja onde, se não cuidamos, ainda somos levados pelo egoísmo. Mas, desde já, somos desafiados pelo Amor a superar toda soberba que possa existir em nós, a fim de que, purificados e renovados, sejamos autênticos discípulos missionários de Jesus.

Senhor Jesus, nós cremos que Vós sois o Amor que não se cansa de amar. Nós reconhecemos e cremos no Vosso amor. Queremos, Senhor, adentrar o Reino dos Céus, pela correspondência à caridade e, por isso, nós Vos suplicamos: Acendei, em nossas almas, Senhor, a chama da caridade, para que possamos ser um farol do Vosso amor na Igreja, em nossas famílias, na sociedade e nas periferias do mundo!  

Aloísio Parreiras

2020-07-02T12:36:00-03:0002/07/2020|