A VITÓRIA DA FÉ

Por sermos “servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus” (1 Cor 4, 1), nós temos que professar que nosso Senhor Jesus Cristo infundiu em nossas almas a virtude teologal da fé. A fé é um dom de Deus e é pela aceitação desta virtude que o homem se abre à Salvação. Por meio da fé, realizamos uma adesão plena, livre e pessoal ao amor e à misericórdia de nosso Redentor.

“Pela fé, Cristo habita em nossos corações” (Ef 13,17). Pela vivência da virtude da fé, somos capacitados a crescer na santidade; consequentemente, “tudo o que não vem da fé é pecado” (Rm 14,23). Por outro lado, é pela fé que superamos os erros e vencemos o pecado; afinal, “esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé!” (1 Jo 5,4).

Pela leitura atenta da Sagrada Escritura, temos acesso às verdades da fé que Deus nos revelou. As verdades da fé nos oferecem uma contribuição excepcional para o nosso crescimento na vida cristã.  A fé provém da Palavra de Deus e da intimidade com a Pessoa de Cristo e, por isso, quanto maior for o conhecimento das verdades reveladas e quanto maior for a nossa correspondência ao Cristo, maior será o alcance da nossa fé.

Acreditar é aderir, incondicionalmente, à vontade de Deus, renunciando a tudo aquilo que possa prejudicar nossa união com nosso Redentor, pois “para quem está em Jesus Cristo, nem a circuncisão nem a incircuncisão são eficazes, mas a fé que age pelo amor” (Gl 5,6). A fé exprime-se em atos de religião. Pela fé, participamos retamente dos sacramentos, exercitamos as práticas de caridade e, desinteressadamente, nos dedicamos ao serviço de propagação do Evangelho. Em comunidade, no serviço de Igreja, descobrimos que “o justo viverá pela fé!” (Rm 1,17)

Pela fé, cooperamos com a obra de Deus em nós. Com efeito, “é pela graça que vós sois salvos por meio da fé”. (Ef 2,8). Consequentemente, é necessário que, todos os dias, realizemos uma obediência de fé. Como não basta unicamente a nossa vontade para ter fé, é preciso que saibamos bradar: “Eu creio, Senhor, mas aumenta a minha fé!” (Lc 17,5). Com renovada fé, ouviremos o que Ele nos diz: “Tudo é possível a quem crê!” (Mc 9,23). “Credes em Deus!” (Jo 14,1). Ou ainda: “Vai, a tua fé te salvou!” (Mc 10, 52). Professando nossa fé, diremos a Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus-Vivo!” (Mt 16,16).

A fé não é algo estagnado; é, sim, algo dinâmico e em constante evolução. Sendo assim, a fé nos impulsiona a um contínuo crescimento na vida espiritual. Ficar parado, em termos de fé, é um sério risco. A fé gera em nós a alegria de viver o Cristianismo e uma ampla satisfação em pertencer à Igreja de Cristo. “A fé dá alegria. Se Deus não está presente, o mundo desertifica-se e tudo se torna aborrecido, tudo é completamente insuficiente. (…) Quem realmente vive a fé com paciência e se deixa formar por ela é purificado por muitos revezes e fraquezas, e torna-se bom”. (Cardeal Joseph Ratzinger, “O sal da terra”.)

A fé é um poderoso instrumento que Deus nos concedeu para que possamos superar as dificuldades advindas de uma doença e de um contínuo sofrimento. “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê”. (Hb 11,1). Por isso, mesmo nas tempestades, nas noites escuras e no enfrentamento de uma pandemia, nós temos que discernir a suave voz de Cristo que nos diz: “Se tivésseis fé como um grão de mostarda!” (Lc 17,6). A fé não é um antídoto que faz com que as dificuldades desapareçam, mas é uma singular confiança que evidencia que, mais cedo ou mais tarde, as tempestades vão passar e o sol voltará a brilhar no céu de nossas vidas. Crescer na fé é uma necessidade vital, pois a fé nos ajuda a caminhar de cabeças erguidas, testemunhando os sinais da nossa esperança no Senhor.

Vamos concluir, professando nossa fé em Nossa Senhora, pedindo que Ela interceda junto a seu Filho para que aprendamos a imitar o seu exemplo e, por meio da vivência da fé, façamos do nosso coração um imenso reservatório que transborde a água límpida e fecunda do amor de Deus.

Ajuda-nos, Mãe, a crescer na fé, para que inspirados em teu exemplo, também possamos dizer, com convicção de fé:  Senhor, “faça-se em mim segundo a tua palavra!”. (Lc 1,38). Ensina-nos, Mãe, a adentrar, com coragem, o mistério da fé, a fim de que o exercício dessa virtude teologal seja constante em nossos corações e produza uma fecunda raiz que nos una, cada vez mais, ao teu Filho Jesus, para que possamos também produzir frutos de conversão e de santidade!

 

Aloísio Parreiras

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)