Advento: tempo de piedosa e alegre expectativa

Ao chegar ao final do ano, as pessoas já começam a se preparar para as chamadas, festas da virada. Essas celebrações acontecem do dia 31 de dezembro para o dia 01 de janeiro. É, de fato, importante para o cristão, render graças a Deus pelo ano que está findando, como também, entregar nas mãos do Senhor, o ano que se inicia, tendo em vista a vontade que deve partir do coração dos fiéis de fazer tudo para Ele, Nele e com Ele, pois tudo é de Deus (cf. Rm 11, 36)

A vida da Igreja também é regida por um calendário que ajuda os fiéis a vivenciarem o itinerário dos mistérios salvíficos de Cristo. O Ano Litúrgico se inicia com as Primeiras Vésperas do I Domingo do Advento. Neste tempo a Igreja se reveste de roxo, numa espera penitencial, não como no tempo da Quaresma, mas desejando preparar-se para o Natal e a segunda vinda de Cristo.

O tempo do Advento possui uma dupla característica: a preparação para celebrar a lembrança da Encarnação de Cristo e, também, voltar os corações para a expectativa da segunda vinda do Senhor no fim dos tempos. Ao nos preparar para celebrar a primeira vinda de Jesus no Natal, os fiéis aguardam, neste exílio da peregrinação terrena, pela segunda vinda, em que Ele deseja nos encontrar sem pecado. O chamado à santidade é também a tônica, pois, do Advento.

Na Liturgia, a Igreja orienta que, neste tempo, instrumentos musicais e ornamentação do altar devem ser feitos com moderação, em vistas de não antecipar a solenidade do Tempo do Natal. Lembre-se, entretanto, que o III Domingo do Advento se reveste de um caráter de alegria, por isso, neste dia, utiliza-se a cor rósea nos paramentos, além de ter um nome especial “Gaudete”, literalmente, “Alegria”.

O que norteia os Domingos do Advento, são os Evangelhos. Eles dão a tônica da mistagogia do dia e remetem aos personagens e temas que vão guiar os fiéis na dupla preparação que o tempo proporciona.

O Catecismo da Igreja Católica nos ajuda a entender a dinâmica teológica e espiritual deste tempo. Se fala da preparação para vinda de Cristo, numa dimensão temporal, onde A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da ‘Primeira Aliança’, tudo ele faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. Desperta, além disso, no coração dos pagãos a obscura expectativa desta vinda.” (CIC 528)

Além disso, inserindo o contexto na vida litúrgica da Igreja, o Catecismo afirma que “ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda. Pela celebração da natividade e do martírio do Precursor, a Igreja se une a seu desejo: ‘É preciso que Ele cresça e que eu diminua’ (Jo 3,30).” (CIC 530)

Ao celebrar o Advento, pois, somos chamados a uma experiência de profunda esperança. Além de celebrar o nascimento do Cristo encarnado, somos impelidos a nos preparar espiritualmente para a segunda vinda de Cristo, para que Ele nos encontre em paz e em comunhão com Ele, além de estar a clamar sempre: “Vem, Senhor Jesus!”