“Antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim” – 9 anos de Pontificado do Papa Francisco

No dia 13 de março de 2013, após a surpreendente renúncia do Papa Bento XVI ao trono petrino, surge no balcão da Basílica de São Pedro um homem latino-americano que, como ele mesmo disse, os cardeais foram buscar no “fim do mundo” para ser Bispo de Roma: assim começava o pontificado do Papa Francisco. Em seu primeiro pronunciamento, assistido atento por milhares de pessoas na Praça de São Pedro e milhões ao redor do mundo, o novo Papa deu o tom de seu pontificado ao pedir que “antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim”

 

Nesta semana, então, a Igreja em todo o mundo celebra os 9 anos da eleição e do início solene – 19 de março, Solenidade de São José – do pontificado do primeiro Papa latino-americano da história. Sua primeira Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium, sobre o anúncio do Evangelho atualmente, mostrou seu itinerário como Vigário de Cristo: mostrar ao mundo a alegria do Evangelho e levar o amor de Deus aos de dentro e aos de fora da Igreja. Com seu coração pulsante pela evangelização pensada em Aparecida 2007, o desejo de fazer com que a Igreja faça a experiência de estar em saída alimentou os ares missionários da caminhada eclesial.

Papa Francisco no Angelus do último domingo (13/03). Reprodução: Youtube Vatican News

E a evangelização querida pelo Santo Padre, nestes 9 anos de pontificado não é um anúncio de preceitos pesados e enfadonhos, mas um anúncio misericordioso da presença e do amor de Cristo, como ele mesmo descreve a partir do lema que escolheu para estampar o listel de seu brasão “Miserando atque eligendo” que pode ser traduzido como “Olhando-o com misericórdia o elegeu” retirado de uma homilia de São Beda, Venerável onde se comenta o chamado de São Mateus diante do olhar de Jesus quando aquele estava sentado na coletoria de impostos.

 

Dá misericórdia vem as “santas quebras de protocolo” que se tornaram típicas do Pontificado do Papa Francisco: ele convoca um ano santo extraordinário dedicado a Misericórdia, em 2016 estendendo a todo o mundo a possibilidade de lucrar indulgências no Ano Jubilar e a faculdade de os padres missionários da misericórdia de levarem o perdão dos pecados reservados, pelo direito, a todo o mundo.

 

A alegria do Evangelho, a misericórdia, as reformas estruturais, o diálogo com os poderes civis em vistas da resolução dos conflitos, chegando ao pensamento da sinodalidade, onde o desejo do Papa de fazer da Igreja um corpo mais participativo são os caminhos que o Espírito Santo abriu para a Igreja nesses últimos 9 anos.

 

Certamente, ser o guia espiritual de mais de um bilhão de pessoas, somado ao pastoreio das ovelhas “que não seu deste redil” – porque o Papa é pastor de toda a humanidade, não é tarefa fácil para um senhor que já abraça seus 85 anos. Por isso, urge de todos os católicos, responder ao pedido insistente do Papa Francisco todas as vezes que faz um pronunciamento e que ajuda a decorarmos algumas palavras em italiano: “Per favore, non dimenticatevi di pregare per me.” – Por favor, não se esqueçam de rezar por mim.