Arquidiocese de Brasília leva esperança para os cemitérios do Distrito Federal no dia de Finados

Depois de não poder realizar as tradicionais Missas nos cemitérios do Distrito Federal no ano passado por conta das restrições ocasionadas pela pandemia, neste ano de 2021, a Comissão de Finados voltou a promover as Celebrações por toda a Arquidiocese, contando com novidades. Além das tradicionais Missas durante todo o dia, o Arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa, enviou os seminaristas da Arquidiocese, juntamente com membros de diversos movimentos e missionários para levar, aos familiares e amigos que visitavam os túmulos de seus entes queridos, uma mensagem de esperança, um momento de oração e a presença da Igreja.

Durante todo o dia, os seis cemitérios que estão localizados no Distrito Federal contaram com Missas, atendimento de confissões, momentos de oração e orientação espiritual. No cemitério do Gama o dia foi iniciado com Santa Missa presidida pelo Arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa, às 9h30. Já no cemitério de Sobradinho, o bispo auxiliar de Brasília, Dom Marcony Vinícius celebrou a Missa das 8h. Em Taguatinga, a Missa foi oficiada por Dom José Aparecido, bispo auxiliar de Brasília, às 9h30; ele também celebrou às 17h no cemitério de Brazlândia. No cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, o maior do Distrito Federal, às 9h30 o Cardeal Dom Raymundo Damasceno, Arcebispo emérito de Aparecida e Vigário Geral da Arquidiocese de Brasília, celebrou a Santa Missa com grande presença de fiéis. Da mesma forma, às 14h, o Cardeal Dom João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica e Arcebispo emérito de Brasília, celebrou a Missa lembrando de seus parentes falecidos sepultados no Cemitério.

O dia de celebrações foi encerrado com a Missa presidida por Dom Paulo Cezar no fim da tarde, no Cemitério Campo da Esperança. Contando com a presença de inúmeros fiéis e dos seminaristas e missionários que evangelizaram durante todo o dia, Dom Paulo levou ao povo uma mensagem de alegria e esperança na reflexão sobre a morte. O Arcebispo lembrou que neste tempo de pandemia muita gente perdeu entes queridos e não tiveram oportunidade de velá-los e sepultá-los. Dom Paulo lembrou que todas as pessoas têm o direito a este ritual que faz parte da vida humana, mas a pandemia tirou até isso das pessoas.

Em sua homilia, o arcebispo que celebrou pela primeira vez a comemoração de Finados na arquidiocese afirmou que “é preciso deixarmos com que a esperança da fé, a certeza da fé ilumine esse tempo. Jesus disse “eu sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim não morrerá’. Jesus afirma que ele é vida, que ele é ressurreição, isso implica dizer que ele venceu a morte. Essa é a nossa certeza!”

 

O testemunho do pastor em relação a morte

 

Durante a homilia, Dom Paulo fez uma reflexão a partir de uma vivência pessoal de sua infância que tocou a muitos fiéis: “Vocês podem perguntar: Dom Paulo, por que morremos então? A única certeza que temos é a que morreremos. A própria filosofia entrou em crise quando se deparou com essa questão com essa realidade, de que o ser humano morre. Me lembro quando era criança quando perguntei para minha mãe, na primeira vez que me dei conta de que todo mundo morria. Eu fui elencando as profissões e perguntando ‘médico morria?’, ‘se professor morria?’, ‘se padre morria?’, ela disse que morria. E foi aí que tive a minha grande crise em relação a morte. Ela disse que não tinha jeito de escapar da morte, que todo mundo morria. Mas é só a ressurreição de Cristo que nos tira desse ciclo, que abre a nossa existência ao absoluto de Deus, onde nós sepultamos o corpo, mas o ser humano é mais do que o corpo, o ser humano vai além da sua corporeidade. Mesmo quando entregamos o corpo, o ser humano sobrevive, o ser humano vai além da morte. A morte se torna para o homem e a mulher de fé uma passagem para o definitivo de Deus. Essa é a grande certeza que deve sustentar a nossa caminhada.”

 

A experiência da missão em um dia de saudade

 

Este foi o primeiro ano em que os seminaristas passaram o dia nos cemitérios em missão oficial, evangelizando, rezando e auxiliando no serviço litúrgico nas Missas. A convocação foi feita pelo próprio Arcebispo que desejou que os rapazes que estão sendo formados para o sacerdócio tivessem essa experiência com os fiéis em um momento de saudade em todos os cemitérios da capital.

Além dos seminaristas, estiveram presentes membros do Movimento Regnum Christi com a juventude e família missionária, fiéis da Renovação Carismática Católica, membros da Comunidade Católica Shalom, além dos agentes da Pastoral da Esperança da Arquidiocese e do COMIDI.

O coordenador dos seminaristas da Arquidiocese, Lucas Soares, afirmou que “a missão proporcionou aos seminaristas um novo ânimo no que se refere a vida pastoral. Depois de um tempo longe das paróquias foi perceptível a falta disso em nossa vida interior. É próprio da natureza da vida cristã o apostolado, então esse foi um momento propício para reacender o amor pelo anúncio do amor de Cristo, de se fazer presente como Igreja na vida das pessoas nesse momento difícil que tivemos recentemente.” Já o seminarista Gabriel Dias, responsável pela missão no cemitério do Gama partilhou que “foi uma experiência muito enriquecedora para todos nós, pois pudemos sentir de perto a dor das famílias enlutadas, em especial as que perderam tantos parentes durante a Pandemia do Covid-19. Foi bonito ver que, após o anúncio de Cristo e a oração pelos fiéis defuntos, todos se sentiam, de alguma forma, confortados pelo próprio Senhor.”

O testemunho dos fiéis comprovou a eficácia da iniciativa. O senhor José Renato, emocionado, disse que “Deus nos prova sempre sua bondade. Hoje estávamos no cemitério, no túmulo da minha mãe e da minha prima e Ele nos enviou dois anjos seminaristas que fizeram uma bela oração conosco, nos ajudaram a deixar o dia mais leve. Muito obrigado pela iniciativa. Já a senhora Vitória lembrou que “senti saudades desta celebração porque ano passado não aconteceu por conta da pandemia. Foi muito bonito ver esse tanto de seminaristas e missionários ajudando a gente a rezar.”

 

Ao final da última Missa do dia, o coordenador da Comissão de Finados, Padre Silas César, agradeceu a todos os que colaboraram para que o evento acontecesse da melhor forma possível. O padre lembrou as administrações dos cemitérios do Distrito Federal, as secretárias de estado da segurança e da justiça, bem como, a pastoral da esperança e demais grupos da Igreja que colaboraram. O coordenador também agradeceu o entusiasmo e confiança de Dom Paulo Cezar com os trabalhos afirmando que isto tem empolgado clero e fiéis a servirem com mais empenho e alegria.

 

Finados 2021