ARTIGO: CORPUS CHRISTI, A FESTA DA EUCARISTIA

 

Foto: Ed Alves

Em todos os anos, sessenta dias após a Páscoa, a Igreja celebra a Solenidade de Corpus Christi em honra da Eucaristia, o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, sob os sinais sacramentais. Essa Solenidade está intimamente ligada à Páscoa e ao Pentecostes: a morte e ressurreição de Jesus e a efusão do Espírito Santo são os seus principais pressupostos. Além disso, está imediatamente relacionada com a Solenidade da Santíssima Trindade, que é celebrada no domingo que antecede o de Corpus Christi.

No dia de Corpus Christi, a Festa da Eucaristia, o Sublime Sacramento do Altar é levado solenemente em procissão pelas ruas de nossas cidades e, por isso, sempre que celebramos a Solenidade de Corpus Christi testemunhamos aos nossos vizinhos, aos companheiros de trabalho e de lazer que temos necessidade de adorarmos o Tesouro mais precioso que Jesus nos deixou: o Seu próprio Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Por conseguinte, todo fiel cristão que participa da Solenidade de Corpus Christi acompanhando o Santíssimo Sacramento, em procissão pelas ruas da cidade, cantando os hinos eucarísticos e confeccionando os tradicionais Tapetes, concretiza a singular oportunidade de bradar ao mundo que nós fazemos parte do Corpo Místico de Cristo e só podemos dar esse testemunho em comunhão, como um só corpo.

A Solenidade do Corpo de Cristo, mesmo em tempos de pandemia, é uma festa de alegria e, por isso, ao ver e sentir a nossa emoção, a nossa fé e o nosso amor pelo nosso Redentor, mesmo os mais incrédulos poderão afirmar: “Houve uma grande alegria naquela cidade!” (At 8, 8)

Os cuidados, os serviços e a entrega que empreendemos na realização e participação da Festa do Sublime Sacramento podem ser oportunos meios que possibilitem aos habitantes de nossa cidade vislumbrar as razões da nossa verdadeira alegria; afinal, quem é alcançado pelo poder transformador da Eucaristia tem a alma transformada em um terreno fecundo, onde a Boa Semente do Evangelho produz generosos frutos.

Quando a nossa alma é, de fato, um terreno fecundo de santidade; nós testemunhamos que, graças à contínua participação no Sacramento do Altar, estamos conduzindo Jesus Eucarístico para o nosso trabalho profissional, para os nossos ambientes de estudo e de convivência e para os mais diversos ambientes sociais. Desse modo, como cristóforos, portadores de Cristo, realizamos, a cada novo dia, uma nova procissão de Corpus Christi, pois levamos e conduzimos o nosso amado Redentor para o centro de nossas vidas e de nossa História.

O renovado anúncio da esperança, que é tão necessário nesses dias de noites escuras e de tempestades, é um efeito direto da reta participação no Corpo dado e no Sangue derramado de Jesus pela nossa salvação. A virtude da esperança nos leva a evidenciar que o nosso entusiasmo com a retomada da celebração da Solenidade de Corpus Christi, no gramado central da Esplanada dos Ministérios, é consequência direta das horas e dos momentos que empregamos nas visitas aos Sacrários e na adoração ao Senhor de todas as coisas que sempre vem em auxílio de nossa fraqueza, concedendo-nos o apoio de que necessitamos.

A maturidade na fé nos faz ver que nossa união com o Cristo e a nossa missão eucarística não podem e nem devem se limitar apenas ao dia de Corpus Christi, pois as rosas e as flores que embelezam o Altar e o Tapete de Corpus Christi, no dia seguinte à Festa, começarão a murchar, a perder sua beleza e o seu perfume, mas, quando renovamos nossos encontros com o Cristo Eucarístico, sobretudo aos domingos, em nossas Paróquias e Comunidades, as rosas e as flores eucarísticas da nossa alma não perdem jamais o seu aroma, a sua beleza, a sua grandeza e majestade, perfumando assim a nossa existência com a boa essência da santidade.

E não poderia ser diferente, pois a Festa de Corpus Christi leva-nos a expor, escancarar ao nosso próximo, sem medo ou reservas, a questão fundamental de nossa existência: Deus alimenta-nos com o Seu próprio Corpo e quer-nos santos; e essa vontade do Senhor não é uma quimera, um sonho, pois, na Eucaristia, Cristo nos dá os meios oportunos para a nossa santificação.

Celebrar Corpus Christi é, de alguma forma, testemunhar que essa solenidade litúrgica possui uma dimensão cósmica que une o céu e a terra, pois o Pão Eucarístico é o sinal visível d’Aquele no qual céu e terra, Deus e homem se tornaram um só.  Celebrar Corpus Christi é também bradar que no centro dessa Festa está o mistério da transubstanciação, o sinal de nosso Redentor que transforma o mundo.

Zelo, cuidado, esmero e dedicação são palavras chaves quando nos referimos à Eucaristia e, por outro lado, a pandemia da covid-19 tem nos ensinado que precisamos uns dos outros, precisamos cuidar de nós e do nosso próximo. O melhor cuidado que podemos prestar ao outro é vivermos em estado de graça, testemunhando que temos a grata responsabilidade de anunciar Cristo crucificado e ressuscitado, animados pelo sopro do Espírito Santo, maravilhados com a percepção de quão infinita é a misericórdia de Deus.

A Solenidade de Corpus Christi evidencia a consciência de que crer em Jesus significa segui-Lo, ir atrás d’Ele no Seu caminho, como fizeram os primeiros discípulos. Seguir o caminho de Jesus Eucarístico requer, antes de tudo, dar lugar à graça e à caridade, pois não podemos nos dar ao luxo de nos cansarmos de fazer o bem.

É a esperança, que provém da caridade de Cristo, que nos concede a força necessária para vivermos e enfrentarmos as dificuldades que vivenciamos nesses dias. Por isso, no dia de Corpus Christi, nós cantamos, enquanto levamos em procissão o Sublime Sacramento do Altar; cantamos, louvamos e adoramos ao Senhor Jesus que Se revelou ao esconder-Se no sinal do Pão repartido. Todos nós precisamos deste Pão, porque o caminho rumo à justiça e à paz é longo, árduo e cansativo.

Em Sua misericórdia, no dia de Corpus Christi, Cristo nos convida a fazer uma pausa, em adoração diante da Eucaristia, onde Ele é o Pão repartido para nós, o Alimento da esperança.  Vamos em frente com esta confiança: na Eucaristia, Deus renova Sua aliança conosco, aquece o nosso coração e nos desafia a superar o medo.

No dia de Corpus Christi, acompanhemos o nosso amado Redentor, que percorrerá as ruas de nossas cidades e de nossos estados, derramando inúmeras graças e bênçãos sobre o mundo, o nosso país, nossas famílias, nossas comunidades e sobre cada um de nós. Vamos vestidos com roupa de festa para rezar, cantar o sublime Amor, honrar e louvar ao Senhor e professar que todo o aparato exterior da Festa é a simples manifestação das nossas mais puras e santas disposições interiores.

Que a Virgem Santa Maria, Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, guie e oriente os nossos passos na enorme tarefa de testemunhar, em Corpus Christi e em todos os dias de nossa existência, a grandeza do dom de Deus renovado e escondido nas Sagradas Espécies Eucarísticas. Na escola de Maria, Mulher eucarística, aprendamos a renovar continuamente a nossa comunhão com o Corpo de Cristo, para nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou.

Aloísio Parreiras

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)