ARTIGO-“MEU FILHO, NADA TE AFLIJA. NÃO ESTOU EU AQUI, QUE SOU SUA MÃE? ”

São Bernardino de Sena nos ensina que “toda a graça que é dada aos homens procede de uma tríplice ordenada causa: de Deus passa a Cristo, de Cristo passa à Virgem, pela Virgem é dada a nós”. (Sermão VI na Solenidade da Anunciação). Por isso, nos momentos turbulentos da nossa história, é sinal de fé nos acolhermos sob o manto da Santa Mãe de Deus, pois, diante das necessidades do nosso mundo, Ela continua com os braços abertos e com as mãos estendidas, intercedendo por nós.

Quando recorremos à Virgem Santa Maria em nossas necessidades, nós professamos que cremos que Ela é a Desatadora dos nós, ou seja, afirmamos que Ela é uma bondosa Mãe que Cristo nos concedeu. Ela é a nossa medianeira diante do nosso Redentor e, por isso, nos ajuda a vencer as dificuldades, as contrariedades, as pelejas do dia a dia e o emaranhado de nós que impedem o nosso crescimento humano e espiritual, bem como de tantos outros, nós esses que impedem o desenvolvimento da vida em nosso planeta.

Desde os primeiros séculos, os fiéis cristãos tinham conhecimento desse título da Virgem Mãe, graças a Santo Irineu de Lyon que, no ano 180 D.C, no século II, no seu escrito contra os hereges, afirmou: “O nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria. Pois o que a Virgem Eva atou por sua incredulidade, a Virgem Maria desatou pela sua fé”.

O desenvolvimento da devoção mariana na História da Igreja sempre foi acompanhado pela consciência de que, unidos à Virgem Maria, podemos desatar todo e qualquer nó que se apresente em nosso cotidiano. Em vários momentos da História humana, inúmeras pessoas encontraram na Virgem Maria o auxílio necessário para sanar diversas dificuldades. Incontável é o número das pessoas que, exercendo a devoção mariana, e comprovando a eficácia da intercessão da Santa Mãe de Deus, aprenderam a bradar: “Que alívio eu sinto nas minhas penas, que consolação nas minhas tribulações, que força nas tentações, quando penso em vós, e vos chamo em meu auxílio, Maria, Mãe terna e santa! ”.  (Santo Afonso de Ligório, Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, página 111).

A Virgem Maria é a nossa Mãe providente. Desse modo, quando nos falta o vinho, Maria se preocupa conosco e recorre a seu Filho Jesus, para que Ele intervenha na situação pela qual estamos passando, oferecendo-nos uma oportuna solução. Ela se preocupa com tudo aquilo que falta em nossa vida. Ela intercede por nós, diante de Cristo, suplicando um emprego, uma moradia, saúde, conversão e tudo o mais de que necessitamos. Nenhuma das nossas necessidades passa imperceptível diante dos seus olhos maternos, pois Ela tem um olhar cuidadoso para conosco. Por conseguinte, é regra de fé sabermos que, nos momentos turbulentos da vida, é preciso nos acolhermos sob o manto da Santa Mãe de Deus. Ela, com carinho, atenção e zelo, guarda a nossa fé, salva-nos das tempestades e intempéries e nos preserva do mal. Onde Nossa Senhora se faz presente, tudo muda. Onde Maria se faz presente, não há perturbação ou insegurança. Onde Maria se faz presente, a fé e a esperança vencem o medo.

A história de Nossa Senhora de Guadalupe, que ocorreu no México, no século XVI, em plena colonização da América, é a feliz comprovação de que a Mãe de Deus e da Igreja se preocupa conosco, do mesmo modo que Ela se preocupou com o índio Juan Diego e com todo o povo do continente americano. Diante da preocupação de Juan Diego com o estado de saúde de seu tio, a Virgem Maria lhe disse: “Meu filho, nada te aflija. Não estou eu aqui, que sou sua Mãe?”.

Quando a Virgem Maria apareceu ao índio Juan Diego para lhe dizer: “Eu sou sua Mãe!”, isso aconteceu para nos dar a consciência de que, apesar das doenças, das tempestades e dos dissabores que tantas vezes a humanidade atravessa, não estamos sozinhos, pois Deus está conosco. A maneira mais singular e singela que Deus tem para se fazer presente no meio de nós é por meio da Sua amorosa Mãe e do aconchego de sua presença materna.

À luz do mistério da maternidade espiritual da Virgem Maria, procuremos entender a extraordinária mediação de Nossa Senhora das Graças. Em pleno século XIX, na França, diante de uma epidemia de cólera, peste negra, a Virgem Maria apareceu a Catarina Labouré, uma noviça da Congregação de São Vicente de Paulo. Era o dia 27 de novembro de 1830, quando Catarina foi até à capela, impelida para rezar. Estando em oração, ela teve uma visão da Virgem Maria, que se revelou como Nossa Senhora das Graças.

Naquela ocasião, a Virgem solicitou à jovem noviça que cunhasse uma medalhinha que iria proteger todos aqueles que a usassem com renovada fé e confiança em Deus. Na aparição a Catarina Labouré, Nossa Senhora lhe apresentou o modelo da medalha, onde se liam, em letras de ouro, estas palavras: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós!”. No reverso da medalha, a letra M, tendo uma cruz na parte de cima, com um traço na base e, por baixo, os Sagrados Corações de Jesus e de Maria. O coração de Jesus estava cercado por uma coroa de espinhos e a arder em chamas, e o coração de Maria, também em chamas, estava atravessado por uma espada, cercado de doze estrelas.

“Manda, manda cunhar uma medalha por este modelo. As pessoas que a trouxerem, com devoção, hão de receber muitas graças”. Este foi o pedido de Nossa Senhora a Catarina Labouré. Logo depois, a jovem Catarina conseguiu que a medalha fosse confeccionada e distribuída entre o povo que, em pouco tempo, pôde testemunhar o fim da epidemia da peste negra, graças à mediação de Nossa Senhora. Daquele dia em diante, após o fim da epidemia, o povo francês aprendeu a professar: “Foi graças ao Senhor que não fomos aniquilados”. (Lam 3, 22). Assim, como o povo da França no ano de 1830, hoje todos nós somos convidados a recorrer à Virgem Maria, buscando as graças de que tanto precisamos.

No século XX, por meio das aparições de Nossa Senhora em Fátima, Portugal, em plena vigência da Primeira Grande Guerra Mundial, a Virgem Mãe apareceu aos três pastorinhos e anunciou que a guerra teria fim, mas, se o mundo não se convertesse, outra guerra pior e mais sangrenta seria realizada em um breve espaço de tempo. Para alcançar o fim das guerras, a necessária paz do mundo e a conversão dos pecadores, a Virgem solicitou aos pastores de Fátima a consagração do mundo ao seu Imaculado Coração.    

Em Fátima, na França, no México ou em qualquer outro lugar do mundo, nós somos convidados a perceber que, unidos a Deus e à Virgem Maria, nós não estamos sozinhos, nós não estamos abandonados. Não somos órfãos, e, por isso, não iremos sucumbir em meio às dificuldades da vida e do mundo, porque, no céu e na terra, nós temos uma Mãe que intercede por nós.

Nestes nossos dias, nós estamos recorrendo à poderosa intercessão da Virgem Santa Maria, para que Ela obtenha de Deus para nós a esperada cura do Covid-19 e, por isso, estamos observando que, em diversos países, cidades e Estados, alguns sacerdotes, religiosas e leigos estão sobrevoando de helicóptero nossas cidades com o Santíssimo Sacramento e a imagem da Virgem Maria, suplicando o fim desta pandemia.

Isto é o queremos de novo, e mais claramente, atestar: o nosso reconhecimento pelos benefícios recebidos das mãos da Virgem Santíssima. Deste modo, clamamos: “Mestra, mostra-nos que és Mãe! ”, pois, “bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! ”. Mãe, amparai-nos e socorrei-nos, neste momento tão difícil de nossa História! Mãe, nós confiamos em Cristo e em Vós e, por isso, bradamos: “À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém! ”

Aloísio Parreiras

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