AS LÁGRIMAS DE NOSSA SENHORA

Chorar é algo natural e intrínseco dos seres humanos. Nós choramos quando
estamos tristes ou nos deparamos com dores, perdas, medos e ausências. No decorrer da
vida, em diversas situações, ouvimos os relatos de mães de primeira viagem que choram
junto com o bebê, seja por cansaço, temores ou inseguranças. Sabemos também que
existem muitas mães que choram mais que os seus filhos quando têm que deixá-los na
Escola no primeiro dia de aula.
Com Santa Mônica, nós vislumbramos o alcance das lágrimas das mães que não
titubeiam na determinação de conseguir de Deus a conversão de seus filhos. As mães
são especialistas em transformar lágrimas em oração, por meio das súplicas em prol das
necessidades materiais e espirituais dos filhos, elevando aos céus uma prece suplicante,
principalmente pelos filhos que não rezam, não creem e não esperam.
Na Bíblia Sagrada, nós percebemos que nosso Senhor Jesus Cristo chorou na
morte de Lázaro. Ele também chorou ao passar pela cidade de Jerusalém ao anunciar a
sua destruição futura, lamentando, assim, pela falta de acolhimento da graça por parte
de seus habitantes.
Certamente, em alguns momentos de sua vida, a Virgem Santa Maria deve ter
chorado, expressando os seus mais nobres sentimentos. Podemos imaginar que a jovem
Mãe Maria deve ter chorado de alegria no dia do nascimento de Jesus em Belém, no
domingo da Ressurreição do Senhor e no dia de Pentecostes. Por outro lado,
provavelmente, Ela deve ter chorado de dor e de tristeza nos momentos centrais da
Paixão e da Morte de Cristo.
Fazendo memória da História da Igreja e dos seus caminhos de peregrinação
pelo mundo, nós adquirimos o conhecimento de que a Virgem Santa Maria, por ser uma
bondosa e atenta Mãe, em algumas de suas aparições, apareceu chorando, suplicando-
nos a perseverança na conversão, na oração, na santidade e o abandono do pecado e do
mal.
Entre outras aparições, nós sabemos que Maria chorou na Montanha francesa de
La Salette, em meados do século XIX, no dia 19 de setembro de 1846, ao meio dia, na
hora do Ângelus. Naquele dia de sábado, Ela apareceu aos videntes Mélanie e
Maximino e, em lágrimas, revelou-lhes que os homens estavam perdendo a fé e se
afastando de Deus. Anos mais tarde, a Virgem Mãe novamente chorou em Lourdes, em
um período no qual o Cristianismo na França estava enfrentando uma crescente
hostilidade.
As benditas lágrimas de Nossa Senhora pertencem à ordem dos sinais
extraordinários de Deus e testemunham a presença intercessora de nossa Mãe diante dos
problemas do mundo e da humanidade. Assim como inúmeras mães choram ao perceber
seus filhos ameaçados por algum mal, espiritual ou físico, Nossa Senhora também chora
por nós, os seres humanos, quando nos vê afastados de Deus e escravos dos modernos
relativismos e niilismos.

Em La Salette, chorando, a Bela Senhora revelou aos videntes e ao mundo que
precisamos nos dedicar ao estudo das verdades reveladas, conhecer e respeitar os
Mandamentos, além de cumprir o preceito do Domingo como um dia de descanso. Em
La Salette, Nossa Senhora convidou a humanidade a uma mudança absoluta, a uma
sincera conversão a Deus, que deve ser realizada por meio do abandono do pecado e
pela obediência ao Decálogo, principalmente aos três primeiros mandamentos que se
referem a Deus. Em outras palavras, Nossa Senhora de La Salette nos convida a amar a
Deus sobre todas as coisas, a não tomar Seu Santo Nome em vão e a guardar os
domingos e os dias santificados.
Em La Salette, a Virgem Maria deixou claro que o desrespeito ao Nome de Deus
e ao domingo estavam tornando pesado o braço de seu divino Filho. As lágrimas de
Nossa Senhora em La Salette são lágrimas de correção e de esperança, que visam
abrandar a dureza dos corações, abrindo-os ao encontro com o Cristo. Ouçamos o que
Ela revelou, naquele dia, a toda a humanidade: “Se meu povo não quer se submeter, sou
forçada a deixar cair a mão de meu Filho. Ela é tão forte e pesada que não posso mais retê-la.
Há quanto tempo sofro por vocês! Se quero que meu Filho não os abandone, sou obrigada a
suplicá-lo incessantemente. E vocês nem se importam com isso. Por mais que rezem, por mais
que façam, jamais poderão recompensar a aflição que tenho sofrido por vocês”.
Nessas palavras de Nossa Senhora de La Salette, movidos pelo entusiasmo da fé, nós
percebemos que a nossa Mãe Maria é coração, é intercessão, é bondade materna, é solicitude
contínua e, acima de tudo, a reconciliadora dos pecadores que sofre diante dos nossos atos de
egoísmo e de desamor. Por ser uma Mãe zelosa e atenta, quando nos vê em situações de perigo
para o corpo e a alma, Ela tem uma mensagem a nos transmitir, revelando-os os sinais da
misericórdia divina e a riqueza do perdão.
As lágrimas de Nossa Senhora de La Salette são lágrimas de dor de uma Mãe que sofre
ao verificar que muitas pessoas perdem a fé, recusam o amor de Deus e vivem como se Ele não
existisse. Benditas lágrimas de Nossa Senhora que nos apresentam o poder da oração das mães
que rezam pelos filhos, sensibilizando até os corações mais duros!
Uma mãe que chora é um manancial de orações que fecunda o solo árido e pedregoso
dos corações insensíveis dos filhos, pois o pranto de uma mãe é um grito de atenção que
evidencia que estamos em perigo. O pranto de Nossa Senhora é a demonstração de que Ela
cuida de nós, nos protege e nos fortalece na senda da santidade. É uma oportunidade
privilegiada de examinarmos a nossa consciência e verificarmos se amamos a Deus sobre todas
as coisas. É ainda uma iniciativa materna cheia de amor e de misericórdia.
As lágrimas de Nossa Senhora nos exortam incessantemente à conversão, à comunhão,
à solidariedade e à caridade e, por serem a súplica da Santa Mãe de Deus, alcançam de seu Filho
Jesus o dom da nossa perseverança na fé. Graças às lágrimas de Nossa Senhora, Deus tem
paciência conosco e sempre nos oferece uma nova oportunidade de recomeço.
Que Deus nos conceda a capacidade de estarmos atentos aos pedidos e às lágrimas de
Nossa Senhora, pois, por meio da Virgem Maria, Ele nos recorda que somos preciosos aos Seus
olhos. Que Ele nos ajude a sermos dóceis ao Espírito Santo, a fim de que possamos ouvir as

palavras lacrimosas da nossa amada Mãe nos alertando: “Meus filhos, é preciso rezar de noite e
de manhã, dizendo ao menos um Pai nosso e uma Ave Maria quando não puderem rezar mais.
Se for possível rezar mais, rezem!”. Nossa Senhora de La Salette, perdoai-nos por tantas
ofensas e pecados e auxiliai-nos, por meio do aprendizado da fé e da santidade, a levar
um sorriso ao rosto misericordioso de Cristo.

Aloísio Parreiras
(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

2020-09-19T20:41:29-03:0019/09/2020|