“Bem-aventurados sois vós…” – Solenidade de Todos os Santos

 

A Solenidade de Todos os Santos consta no calendário litúrgico da Igreja no dia 01 de novembro, entretanto, no Brasil, para facilitar a participação dos fiéis, a celebração é transferida para o Domingo seguinte, este ano dia 07.

Esta solenidade foi inaugurada como consequência da Grande Perseguição do Imperador Diocleciano, no início do século IV, por conta da numerosa quantidade de mártires cristãos mortos pelo poder romano da época. No século VIII, o Papa Gregório III fixou a Solenidade no dia 1º de novembro em resposta a festa pagã do ano novo celta que estava por confundir os cristãos.

Esta comemoração está intimamente ligada ao dia que a sucede, Finados. Em finados a Igreja relembra os fiéis que estão no purgatório, na chamada Igreja padecente, ou seja, já têm a certeza do Céu, entretanto, estão passando por um tempo de purificação para alcançar com dignidade a glória celeste. Já os santos celebrados no dia 1º, são a parcela da Igreja chamada triunfante, tendo em vista que já estão na glória da presença de Deus.

Muitos são os santos que tem seu dia de memória reservado no calendário litúrgico e que são recordados em nossos altares nas igrejas espalhadas pelo mundo. Entretanto, inumeráveis são aqueles que alcançaram a santidade, mas não são conhecidos e, esta festa os celebra também.

Vale lembrar que, também, esta celebração recorda que a santidade é possível a todos. Os santos e santas que são celebrados, conhecidos ou não, sentaram-se nas mesmas fileiras nas assembleias das nossas igrejas, viveram situações de vida semelhantes, problemas iguais ou até maiores e provaram que é possível o seguimento de Jesus Cristo com afinco e seriedade.

Apesar de ser, também, um ato da vontade buscar a santidade, é importante relembrar que a fonte da santidade é o próprio Deus: “grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus” (I Jo 3, 1) Por ser o próprio Deus, é ele quem nos ensina este caminho de santidade. “Se alguém quer me seguir, tome a sua cruz…” E, Assim Ele faz, nos ensinando, de maneira muito clara, o itinerário para participarmos da multidão incontável daqueles que quiseram lavar suas vestes no Sangue do Cordeiro (cf. Ap 7, 14)

A Nossa atitude, perante estes ensinamentos é um convite o qual somos chamados em nosso processo de formação, sermos discípulos, nos assentarmos diante do mestre para escutá-lo (cf. Mt 5, 1). Hoje recordamos a grande família, uma multidão numerosa de amigos conhecidos e não conhecidos que fizeram sua peregrinação terrestre. (cf. Ap 7, 9) Lutaram com dificuldades semelhantes ou mais difíceis que as nossas; caíram muitas vezes, tiveram que recomeçar. Mas, são santos porque foram operários incansáveis da vinha do Senhor. Decidiram firmemente, através de sua vida cotidiana, fazer o melhor para Deus. Vivenciaram as bem-aventuranças em sua vida corrente, onde os Senhor os chamou, nos pequenos deveres diários, a fazer tudo com perfeição – Deram o máximo de si: “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito…”

E o que essa Solenidade nos diz hoje: Ao passar este dia, ao sair da Celebração da Santa Missa, a vida cotidiana, os nossos afazeres continuam. A mudança e o empenho partem de dentro de cada cristão. No ordinário de nossas vidas, nos é dado a possibilidade, através de nosso batismo, a dar sentido sobrenatural ao corrente; façamos de nossas vidas, uma perfeita configuração ao único modelo de sacerdote que deve nos guiar e que guiou os nossos amigos que contemplam já a Sua Face: Nosso Senhor Jesus Cristo. Oferecendo as nossas obras, sacrifícios, alegrias e desolações, o pecado e o arrependimento, deste o levantar-se até o deitar-se, para que toda a nossa vida seja uma imitação total do Santo dos Santos.

Inspiremo-nos naquela que é a Rainha da milícia celeste, para que, no fim de nossa peregrinação nesta Terra, possamos alcançar o prêmio da bem-aventurança e ela nos estenda a mão para que, também nós possamos “subir ao monte do Senhor e adentrar em sua santa habitação.” (cf. Sl 23)