CARLO ACUTIS

“A única coisa que nós temos que pedir a Deus na oração é a vontade de ser
santos”. Essa frase é um ensinamento que o jovem milanês, Carlo Acutis, gostava de
transmitir aos familiares e amigos.
Carlo Acutis nasceu em Londres, na Inglaterra, onde os seus pais estavam
trabalhando, no dia 3 de maio de 1991, mas viveu em Milão, na Itália. Ele fez a
Primeira Comunhão aos sete anos, no dia 16 de junho de 1998, no Mosteiro de Bernaga,
Perego, a cerca de 40 quilômetros ao norte de Milão e, segundo a sua mãe, Antonia
Acutis, desde muito pequeno, quando passava perto de uma Igreja, ele dizia: “Mãe,
vamos entrar para cumprimentar Jesus e fazer uma oração”.
Carlo foi um jovem do século XX, que, em muitos aspectos, era um jovem igual
aos demais jovens de sua geração. Ele gostava de futebol, de andar de bicicleta, de
informática e de desenhos animados, e jogava Playstation com os amigos. Mas, apesar
da pouca idade, Carlo era um jovem que tinha uma grande abertura aos outros,
sobretudo aos excluídos de nossa sociedade, sem nenhuma distinção de raça ou de
religião. Ele gostava de ler a história da vida dos santos e se dedicava à leitura e
meditação das Sagradas Escrituras.
Carlo Acutis era, acima de tudo, um jovem apaixonado por Cristo, pela Virgem
Maria e pela Igreja e, por isso, ele rezava o terço diariamente, participava dos
sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação e possuía o bom hábito da oração no
sacrário, diante do Santíssimo Sacramento. Ele era um apaixonado por Jesus Eucarístico
e definiu para a sua vida o seguinte objetivo: “Estar sempre unido a Jesus, este é o meu
projeto de vida!”. Ele tinha o conhecimento de que a confissão sacramental é o meio
que Cristo instituiu para que possamos nos livrar dos erros e dos pecados do dia a dia e,
por isso, gostava de afirmar: “A alma para se elevar ao céu necessita se livrar desses
pequenos pesos que são os pecados veniais”.
O venerável Carlo Acutis era extremamente talentoso no domínio das
ferramentas do mundo digital. Para ele, a internet era um bom terreno onde devemos
semear a semente da Boa Nova da Salvação. “Ele sabia muito bem que esses
mecanismos da comunicação, da publicidade e das redes sociais podiam e podem ser
usados para nos tornar seres adormecidos, dependentes do consumo e das novidades que
podemos comprar, obcecados pelo tempo livre, trancados na negatividade. Mas ele foi
capaz de usar as novas técnicas de comunicação para transmitir o Evangelho, para
comunicar valores e beleza”. (Papa Francisco, Christus Vivit, 105).
Visando corresponder aos pedidos do Papa Bento XVI, que solicitava aos jovens
serem presença de Deus na internet, Carlo se dedicou a realizar na internet a
comunicação de boas notícias. Nesse sentido, ele usava o Orkut e outros grupos de
comunicação midiáticos para postar textos, frases e ensinamentos sobre o amor de
Cristo, o valor da oração e, em especial, para testemunhar o valor da Sagrada Eucaristia.

A Sagrada Comunhão era o alimento da pureza e da caridade do jovem Carlo.
Buscando divulgar para os seus coetâneos os tesouros da Eucaristia e almejando que
mais pessoas conhecessem os mistérios eucarísticos, com a ajuda dos seus pais, no
período de três anos, ele construiu uma exposição sobre os milagres eucarísticos que
percorreu diversas dioceses italianas e alcançou o mundo. Contemplando o ardor
eucarístico de Carlo Acutis, nós podemos afirmar: “Através da santidade dos jovens, a
Igreja pode renovar seu ardor espiritual e o seu vigor apostólico”. (Papa Francisco,
Christus Vivit, 50).
No início de outubro de 2006, com apenas 15 anos de idade, Carlo adoeceu.
Parecia ser uma gripe normal, mas os exames revelaram que era uma leucemia
fulminante do tipo M3, a pior e, infelizmente, não havia possibilidade de recuperação.
Cerca de dez dias foi o período que se estendeu do diagnóstico da doença até a sua
morte. Ele foi internado no Hospital São Gerardo de Monza e, ao entrar, antevendo a
sua morte, ele disse aos seus pais: “Daqui, eu não saio”. Naqueles breves dias de
internação, as dores e os sofrimentos chegaram e ele os santificou, vendo naquelas
dificuldades a cruz que Cristo lhe apresentou pela salvação dos pecadores.
No hospital, ele pediu a unção dos enfermos e veio a falecer no dia 12 de
outubro de 2006. No dia de seu funeral, a Igreja e o cemitério estavam repletos de
pessoas que conheceram o jovem milanês que, nas pequenas coisas e em uma vida
curta, testemunhou sinais fecundos de santidade.
Carlo Acutis foi declarado venerável no ano de 2018 e, em 6 de abril de 2019,
seus restos mortais foram levados para o Santuário do Despojamento de Assis.
Recentemente, a Congregação para a Causa dos Santos confirmou para o dia 10 de
outubro deste ano a sua tão esperada beatificação.
Com alegria e esperança, nós estamos contando os dias que faltam para a
beatificação de Carlo Acutis, o jovem que viveu a santidade sem reservas e nos ensina
que “todos nascem como originais, mas muitos morrem como fotocópias”. Diante do
testemunho, da juventude, do entusiasmo e da fé de Carlo Acutis, nós podemos afirmar,
utilizando as palavras de Dom Ennio Apeciti, responsável pelo Escritório para as
Causas dos Santos da Arquidiocese de Milão: “Sua fama de santidade difundiu-se por
todo o mundo, de forma misteriosa, como se Alguém quisesse dá-lo a conhecer. Ao
redor de sua vida aconteceu algo grande, frente ao qual me ajoelho”.

Aloísio Parreiras
(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

2020-09-10T13:04:37-03:0010/09/2020|