CF2020: Encontro de Formação discute formas de combater a indiferença e preservar a vida

Olhar a vida de um jeito mais atento, com ternura e zelo, sensibilizando-se com o sofrimento e a dor alheia, a ponto de se sentir motivado a agir, a tomar posição, principalmente em situações onde a vida é, de alguma forma, agredida. Assim como fez o samaritano, aquele da parábola de Jesus.

Esta foi a mensagem enfatizada, ao longo da manhã deste sábado, 29/06, aos participantes do Encontro de Formação da Campanha da Fraternidade, que aconteceu na Universidade Católica de Brasília, no campus de Taguatinga Sul.

O evento reuniu o secretário executivo para a Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, Pe.  Patrik Samuel Batista; Oncologista do Hospital da Criança de Brasília José Alencar, HCB, Dra. Estefânia Rodrigues Biojane; a representante da Obra Social Santal Izabel, OSSI, Irmã Maria Tereza Diniz, e o Vigário Geral da Arquidiocese de Brasília, Pe. Jeová Elias Ferreira, além do Reitor da Universidade Católica, Prof. e Dr. Ricardo Pereira Alegari, e o arcebispo de Brasília, Dom Sergio da Rocha, que abriram o evento e fizeram uma breve acolhida aos presentes.

Compareceram também, os bispos auxiliares, Dom José Aparecido Gonçalves e Dom Marcony Vinícius Ferreira, bem como diversos padres, diáconos e religiosos de nossa Arquidiocese.

Abrindo as atividades, o professor Ricardo cumprimentou a todos e expressou a satisfação pela Universidade sediar, por mais um ano, o Encontro de Formação da Campanha da Fraternidade.

“Abrir a Universidade Católica para se discutir temas de valores cristãos nos deixa muito felizes, essa que é uma casa de Deus. E a campanha deste ano busca conscientizar, à luz da palavra de Deus, o sentido da vida com o tema ‘Fraternidade e vida: Dom e compromisso’, que se traduz em relação de mútuo cuidado entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade e em nosso planeta” disse.

Dando prosseguimento ao discurso, o reitor afirmou que a temática deste ano motiva os cristãos a colocar a insensibilidade de lado, na tentativa de alcançar um mundo melhor. E revelou como a instituição contribui com a Campanha.

“Com base no testemunho de Santa Dulce do Pobres, a campanha deste ano propõe um convite para superar a indiferença em busca do bem coletivo. E esta universidade está comprometida com os valores cristão. E a nossa missão é transformar a pessoa e a sociedade por meio da produção e a gestão do conhecimento. Esta é a nossa contribuição”.

Para concluir, Prof. Ricardo fez votos que o evento fosse proveitoso para todos, e que os reflexos do encontro reverberassem nas comunidades e, principalmente, entre os mais necessitados.

Com a palavra, Dom Sergio da Rocha agradeceu a acolhida ao reitor e a todas as pessoas que estavam ali, no auditório, para discutir e aprofundar os conhecimentos acerca da campanha. Aproveitando a ocasião, o arcebispo explicou que, por falta de calendário, o evento não foi realizado antes do início da Quaresma, como acontece de costume, motivando a vivência do período Quaresmal.

No momento seguinte, o arcebispo esclareceu como é feita a escolha da temática da empreitada e, resumidamente, falou sobre a finalidade deste encontro de formação.

“A temática da Campanha da Fraternidade é sempre muito atual. Quando a CNBB decide o tema da Campanha, não é o bispo que escolheu por conta própria. Nós, na verdade, recebemos sugestões, propostas que podem vir da Igreja ou da sociedade civil, de toda pare do país. Então quando é escolhido tema, nós estamos expressando uma necessidade sentida pela nossa gente, nossa Igreja. E é claro que a temática deste ano, certamente, todos nós que estamos aqui já estamos convencidos da sua importância, da sua atualidade, da sua urgência. Esta é apenas uma oportunidade para conhecermos melhor a proposta, para pensar juntos como agir, o que fazer para tornar concreta esta campanha, para que ela seja expressa em gesto concreta, em caráter pessoal, comunitário, social”, falou.

Dando início às palestras formativas, o secretário executivo para a Campanha da Fraternidade, Pe. Patrik Samuel apresentou o Texto Base da Campanha da Fraternidade. Elaborado sob o método “ver”, “julgar” e “agir”, o livreto esmiuçou o lema da campanha, que tem como base a parábola do Bom Samaritano, citada unicamente no livro do Evangelista Lucas, capítulo10, versículos 30 a 37. Veja como ficou a divisão logo abaixo:

– Método ver – “Viu”
– Método julgar – “Sentiu compaixão”
– Método agir – “cuidou dele”

Na parábola, ao ser questionado por um doutor sobre o que fazer para alcançar a eternidade, Jesus respondeu contando uma história. De acordo com Jesus, um homem ao se deslocar de Jerusalém a Jericó, foi capturado por homens que o roubaram, espancaram-no e o deixaram na beira da rua, bastante debilitado para morrer. Por ele, passou um sacerdote e um levita, e nada fizeram. Mas um samaritano, ao passar pelo homem caído, teve compaixão, aproximou-se e cuidou dele. O socorro veio justamente de um samaritano, visto como um inimigo, um ser impuro. Desprezado por ser um povo oriundo da mistura entre israelitas e estrangeiros. Os judeus não podiam se relacionar com os samaritanos. Se fossem tocados, o mínimo que fosse, teriam que passar por um ritual de purificação.

Padre Patrik explica que o samaritano poderia não ter parado para ajudar o homem, pois ele tinha um itinerário, uma viagem a seguir.

“Pela história contada por Jesus, podemos perceber que o samaritano tinha uma rota a seguir. Ele poderia apenas ter ficado com o homem até aparecer o socorrer e ir embora? Poderia! Ele poderia apenas ficar em cima do cavalo e ordenar que alguém ajudasse o homem? Poderia! Mas ele fez melhor, desceu do cavalo e foi ajudar o moribundo. Ou seja, ele parou a rotina dele, interrompeu o que estava a fazer e foi cuidar do homem que encontrou na estrada. Essa ação representa bem uma igreja em saída, representa a igreja que desce às periferias existenciais”.

Aprofundando a reflexão em torno da parábola, o padre citou que após prestar os primeiros socorros, o homem foi levado a uma hospedaria e deixado aos cuidados do hospedeiro.

“O samaritano pediu que cuidasse do homem ferido e deu dois denários ao hospedeiro. E que na volta, ele pagaria pelo o que fosse gasto a mais. Esse Denário podemos comparar ao Fundo Nacional de Solidariedade, que realiza obras em todo país, Já o Bom Samaritanos, podemos comparar a Jesus, que virá pela segunda vez, e recompensará os escolhidos com a eternidade”, disse.

Segundo o coordenador executivo para a CF, com a parábola, Jesus deixa o incentivo que devemos ter compaixão com o próximo, devemos nos compadecer com a dor alheia. Não podemos achar natural a morte, a dor, a violência. Temos que ser caridosos, ajudar, proteger, zelar, ainda mais no cenário atual em que vivemos, onde a vida sofre ameaças de todas as formas.

Para fechar a primeira parte do encontro, a Oncologista Pediatra do Hospital da Criança de Brasília José Alencar, HCB, Dra. Estefânia Rodrigues Biojane, foi convidada a dar o testemunho sobre como transformar dor em amor.

A médica relatou ações realizadas pela unidade hospitalar para amenizar a dor e o sofrimento de crianças e familiares que sofrem com o câncer, como o uso de fantasias, danças, decoração, conversas e acompanhamentos de voluntários, entre eles, amigos do leito e doutores do riso.

“O nosso trabalho não se resume à cura, à medicação. O nosso trabalho está muito além da medicina”, assegurou.

Logo após o intervalo, teve início a segunda rodada de palestras formativas. Agora foi a vez do Frei Rogério Soares de Almeida Silveira tratar sobre acolhimento a jovens com vulnerabilidade social e dependência química. O padre compartilhou experiências das pastorais sociais existente na paróquia dele, Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora das Mercês, na L2 Sul. Para completar, o padre falou sobre um projeto que está se concretizando, as obras do Recanto Mercês, uma área de acolhimento de Jovens, localizada em Alexânia.

O próximo a ministrar a formação foi o Vigário Geral da Arquidiocese, Pe. Jeová Elias, que falou da importância de combater a indiferença nas relações humanas no cotidiano.

E para finalizar a formação, a Irmã Maria Tereza Dinis, da Obra Social Santa Izabel, deu o testemunho para inserção e convivência das pessoas idosas na comunidade.

 

 

Materiais utilizados no Encontro de Formação da Campanha da Fraternidade

 

 

Veja abaixo as fotos do evento

 

Nesta página, você irá encontrar tudo sobre a Campanha da Fraternidade 2020. Acompanhe logo abaixo:

 

Clipe Oficial da Campanha da Fraternidade

 

Subsídio da Campanha da Fraternidade

Para auxiliar os fieis, grupos, pastorais e movimentos a vivenciarem a Campanha da Fraternidade e a produzirem formação sobre o temática dela em suas paróquias, comunidades ou em encontros, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, desenvolveram alguns subsídios, como, por exemplo, o texto base.

O livreto citado acima apresenta a contextualização do tema, a relação dele com a igreja e com a sociedade, além de trazer a prestação de conta do ano anterior.

CDs, adesivos, camisetas, banners, cartaz, bem como o texto base podem ser adquiridos nas lojas das edições CNBB, pelo site: www.edicoescnbb.com.br ou ainda pelo telefone: (61) 2193-3019 / 0800 940 3019 / 61 9 8374-1116 (número com Whatsapp).

A Conferência Nacional dos  Bispos do Brasil, CNBB, ainda criou um espaço no site institucional, onde dispõe todas as informações sobre a Campanha da Fraternidade e também disponibiliza materiais para downloads. Acesse: www.cnbb.org.br/cf2020 e veja todas as opções.

 

Parábola do Bom Samaritano

Lc 10,30-37

Jesus contou: “Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram; e depois de o terem maltratado com muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o meio morto. Por acaso desceu pelo mesmo caminho um sacerdote, viu-o e passou adiante. Igualmente um levita, chegando àquele lugar, viu-o e passou também adiante. Mas um samaritano que viajava, chegando àquele lugar, viu-o e moveu-se de compaixão. Aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; colocou-o sobre a sua própria montaria e levou-o a uma hospedaria e tratou dele. No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo-lhe: Trata dele e, quanto gastares a mais, na volta te pagarei”.

 

Oração da Campanha da Fraternidade 2020

Deus, nosso Pai, fonte da vida e princípio do bem viver, criastes o ser humano e lhe confiastes o mundo como um jardim a ser cultivado com amor.

Dai-nos um coração acolhedor para assumir a vida como dom e compromisso.

Abri nossos olhos para ver as necessidades dos nossos irmãos e irmãs, sobretudo dos mais pobres e marginalizados.

Ensinai-nos a sentir verdadeira compaixão expressa no cuidado fraterno, próprio de quem reconhece no próximo o rosto do vosso Filho.

Inspirai-nos palavras e ações para sermos construtores de uma nova sociedade, reconciliada no amor.

Dai-nos a graça de vivermos em comunidades eclesiais missionárias, que, compadecidas, vejam, se aproximem e cuidem daqueles que sofrem, a exemplo de Maria, a Senhora da Conceição Aparecida e de Santa Dulce dos Pobres, Anjo Bom do Brasil.

Por Jesus, o Filho amado, no Espírito, Senhor que dá a vida.

Amém!

(Padre Patriky Samuel Batista – Secretário para Campanhas da CNBB)

 

Letra do Hino da Campanha da Fraternidade 2020

Tema: Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso
Lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (cf. Lc 10,33-34)
Autor: Pe. José Antonio de Oliveira

1) Deus de amor e de ternura, contemplamos
este mundo tão bonito que nos deste. (Cf. Gn 1,2-15; 2,1-25)
Desse Dom, fonte da vida, recordamos: (Cf. SI 36,10)
Cuidadores, guardiões tu nos fizeste. (Cf. Gn 2,15)

Peregrinos, aprendemos nesta estrada
o que o “bom samaritano” ensinou:
Ao passar por uma vida ameaçada,
Ele a viu, compadeceu e cuidou. (Cf. Lc 10,33-34)

2) Toda vida é um presente e é sagrada,
seja humana, vegetal ou animal. (Cf. LS, esp. Cap. IV)
É pra sempre ser cuidada e respeitada,
desde o início até seu termo natural.

Peregrinos, aprendemos nesta estrada
o que o “bom samaritano” ensinou:
Ao passar por uma vida ameaçada,
Ele a viu, compadeceu e cuidou. (Cf. Lc 10,33-34)

3) Tua glória é o homem vivo, Deus da Vida; (Cf. Santo Irineu)
ver felizes os teus filhos, tuas filhas;
é a justiça para todos, sem medida; (Cf. Am 5,24)
É formarmos, no amor, bela Família.

Peregrinos, aprendemos nesta estrada
o que o “bom samaritano” ensinou:
Ao passar por uma vida ameaçada,
Ele a viu, compadeceu e cuidou. (Cf. Lc 10,33-34)

4) Mata a vida o vírus torpe da ganância,
da violência, da mentira e da ambição.
Mas também o preconceito, a intolerância.
O caminho é a justiça e conversão. (Cf. 2Tm 2,22-26)

Peregrinos, aprendemos nesta estrada
o que o “bom samaritano” ensinou:
Ao passar por uma vida ameaçada,
Ele a viu, compadeceu e cuidou. (Cf. Lc 10,33-34)

 

Hino da Campanha da Fraternidade



Mensagem do Papa Francisco aos fieis brasileiros por ocasião da Campanha da Fraternidade 2020

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Iniciamos a Quaresma, tempo forte de oração e conversão em que nos preparamos para celebrar o grande mistério da Ressurreição do Senhor. Durante quarenta dias, somos convidados a refletir sobre o significado mais profundo da vida, certos de que somente em Cristo e com Cristo encontramos resposta para o mistério do sofrimento e da morte. Não fomos criados para a morte, mas para a vida e a vida em plenitude, a vida eterna (cf. Jo 10,10).

Alegro-me que, há mais de cinco décadas, a Igreja no Brasil realize, no período quaresmal, a Campanha da Fraternidade, anunciando a importância de não separar a conversão do serviço aos irmãos e irmãs, sobretudo os mais necessitados. Neste ano, o tema da Campanha trata justamente do valor da vida e da nossa responsabilidade de cuidá-la em todas as suas instâncias, pois a vida é dom e compromisso; é presente amoroso de Deus, que devemos continuamente cuidar. De modo particular, diante de tantos sofrimentos que vemos crescer em toda parte, que “provocam os gemidos da irmã terra, que se unem aos gemidos dos abandonados do mundo, com um lamento que reclama de nós outro rumo” (Carta Enc. Laudato Si’, 53), somos chamados a ser uma Igreja samaritana (cf. Documento de Aparecida, 26).

Por isso, estejamos certos de que a superação da globalização da indiferença (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium,54) só será possível se nos dispusermos a imitar o Bom Samaritano (cf. Lc 10,25-37). Esta Parábola, que tanto nos inspira a viver melhor o tempo quaresmal, nos indica três atitudes fundamentais: ver, sentir compaixão e cuidar. À semelhança de Deus, que ouve o pedido de socorro dos que sofrem (cf. Sl 34,7), devemos abrir nossos corações e nossas mentes para deixar ressoar em nós o clamor dos irmãos e irmãs necessitados de serem nutridos, vestidos, alojados, visitados (cf. Mt 25, 34-40).

Queridos amigos, a Quaresma é um tempo propício para que, atentos à Palavra de Deus que nos chama à conversão, fortaleçamos em nós a compaixão, nos deixemos interpelar pela dor de quem sofre e não encontra quem o ajude. É um tempo em que a compaixão se concretiza na solidariedade, no cuidado. “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7)!

Por intercessão de Santa Dulce dos Pobres, que tive a alegria de canonizar no passado mês de outubro e que foi apresentada pelos Bispos do Brasil como modelo para todos os que veem a dor do próximo, sentem compaixão e cuidam, rogo ao Deus de Misericórdia que a Quaresma e a Campanha da Fraternidade, inseparavelmente vividas, sejam para todo o Brasil um tempo em que se fortaleça o valor da vida, como dom e compromisso.

Envio a todos e cada um a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.

Vaticano, 26 de fevereiro de 2020.

Clique aqui e veja a mensagem do Papa Francisco para a Campanha da Fraternidade 2020.

 

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– Quer saber mais sobre as Obras Sociais da Irmã Dulce, acesse: www.irmadulce.org.br.

 

 

 

Por Gislene Ribeiro

2020-03-03T13:00:18-03:0029/02/2020|