CONVÉM QUE CRISTO REINE!

No último domingo do Ano Eclesiástico, a Igreja celebra a solenidade de Cristo Rei e nos conscientiza de que Jesus Cristo é o Senhor da história, do tempo e de nossas vidas; consequentemente, “cada homem, ao encontrar Cristo, descobre o mistério da sua própria vida”. (Gaudium et spes, 22). Para nós, católicos, o dia de Cristo Rei é um dia solene: é o dia dedicado à soberania e ao senhorio de nosso Salvador.

Essa solenidade foi instituída em 1925, no período entre guerras, pelo Papa Pio XI, com o objetivo de combater as heresias modernas, o relativismo e o laicismo. Neste terceiro milênio da era cristã, para fazer frente ao laicismo de um modo novo, devemos implorar a Cristo que a extensão do Seu Reino de verdade seja cada vez mais uma realidade entre nós. Em todos os momentos, devemos bradar que Cristo é a razão de ser de todas as coisas, e é por Ele que tudo existe e é para Ele que todas as coisas caminham. É missão de todos nós tornar presente o rosto de Cristo Rei, clamando que “o Seu domínio é um domínio eterno, que não passará jamais, e Seu reino jamais será destruído”. (Dn 7,14). É dever de todo batizado professar que “o Senhor é Rei e se revestiu de majestade; Ele se cingiu com um cinto de poder. A terra, que com firmeza Ele estabeleceu, não será abalada”. (Sl 92,1).

Celebrar a Solenidade de Cristo Rei é declarar-se discípulo de Jesus e missionário de Sua Igreja. Festejar Cristo Rei é saber cumprir com zelo os mandamentos de Cristo, entoando com sabedoria: “Convém que Ele reine!” (1Cor 15,25). Festejar Cristo Rei é ter a firme convicção de que Cristo é o Senhor absoluto da história humana e de todos os seres humanos, pois “tudo foi criado por meio d’Ele e para Ele. Ele existe antes de todas as coisas e todas as coisas têm n’Ele a sua consistência. Ele é a cabeça do corpo, isto é, da Igreja. Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo Ele tem a primazia”. (Cl 1, 16-18). Festejar Cristo Rei é estar disponível para trabalhar com zelo e entusiasmo em cada Diocese, Paróquia ou Movimento, procurando levar a toda parte a certeza da nossa fé e do nosso amor por um serviço frequente e fiel a Cristo Senhor.

A solenidade de Cristo Rei nos faz perceber que “temos não só o direito e o dever, mas também a satisfação e a honra de confessar o Seu excelso senhorio sobre todas as coisas e sobre todos os homens”. (Homilia do Papa João Paulo II na Solenidade de Cristo Rei em 23 de novembro de 1980). É uma imensa satisfação poder proferir que Cristo é “o Alfa e o ômega, Aquele que é, que era e que vem, o Todo Poderoso!” (Ap 1,8).

Com a presença de Cristo, tudo se renova, dando início a um novo reino. Como sabemos, “o Reino de Deus consiste na justiça, na paz e na alegria no Espírito Santo”. (Rm 14,17). Onde há justiça, paz, alegria e verdade, ali se faz presente o Reino de Deus. Todos nós ansiamos pela vivência da alegria. “Os jovens, principalmente, buscam a alegria. O mundo ao redor deles é triste. A tristeza, por assim dizer, nos agarra pela garganta. (…). Não é retórica: a tristeza passeia pelas nossas ruas, pode-se quase vê-la abertamente no rosto. Vagueia dentro das casas. Está contagiando as nossas crianças, as quais pedem alegria e amor e veem ser dadas, em troca, coisas para se consumir e brinquedos sempre mais monstruosos para ser destruídos”. (Fr. Raniero Cantalamessa, “O Mistério do Natal”). A alegria é consequência da pertença a Cristo e do conhecimento de que há um Deus que é Amor. O segredo para transmitir a alegria aos jovens, às crianças e aos anciãos é simples: basta demonstrar o que podemos fazer para viver o senhorio de Jesus Cristo nas diversas etapas de nossas vidas.

Terminamos o Ano Eclesiástico renovando nossos ideais cristãos, reforçando os vínculos que nos prendem a Cristo e assim começamos a preparar nossas almas para a vivência do Advento. Na solenidade de Cristo Rei, no período do Advento e nos demais períodos litúrgicos, é fundamental que tenhamos a consciência de que “Cristo, num certo sentido, está sempre diante do tribunal das consciências humanas, como se encontrou uma vez diante de Pilatos. Ele revela-nos sempre a verdade de Seu Reino. E sempre se enfrenta com a pergunta, vinda de muitos lados: ‘Que é a verdade?’ (Jo 18,38). Por isso, esteja Ele mais perto de nós. Esteja o Seu Reino cada vez mais em nós. Retribuamos-lhe com o amor a que nos chamou e N’Ele amemos cada vez mais a dignidade de cada homem! Seremos então verdadeiros participantes da Sua missão. Tornar-nos-emos apóstolos do Seu Reino!” (Homilia do Papa João Paulo II na Solenidade de Cristo Rei em 25 de novembro de 1979). Como apóstolos de Cristo Rei, “aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar a misericórdia e achar a graça de um auxílio oportuno”. (Hb 4,16).

 

Aloísio Parreiras

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

2020-11-23T09:53:39-03:0023/11/2020|