D.Sergio – 19/05/2019 – V Domingo da Páscoa

“Como Eu Vos amei”

+ Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília

Como reconhecer um verdadeiro discípulo de Cristo? Como saber se alguém é cristão? É o próprio Jesus quem nos dá a resposta: “nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13,25). No breve trecho do Evangelho segundo João, hoje proclamado, encontra-se um traço essencial da identidade cristã: o amor. Com tantos modos diferentes de se entender o amor, hoje, é necessário recordar o critério ou a medida do amor na vida cristã: amar como Jesus amou, conforme sua palavra: “como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34).

Para tanto, basta recordar o momento vivido por Jesus e os discípulos, ao deixar o mandamento novo: a última ceia, com a eucaristia e o gesto do lava–pés, na véspera de sua paixão e morte na cruz. Embora toda a vida de Jesus manifeste o seu amor e o modo como devemos amar, a última ceia e a cruz expressam isso, de modo especial,  através da doação da própria vida e no serviço humilde e generoso. O amor cristão se manifesta, acima de tudo, por gestos de doação e serviço, por meio de renúncias e sacrifícios.  O modo como Jesus amou ilumina o modo como cada discípulo deve amar.

Jesus estava falando diretamente aos seus discípulos. O “amai–vos uns aos outros” deve ser vivido, antes de tudo, na comunidade, entre os que creem em Cristo. A comunidade, assim como a família de cada um de nós, deve ser o primeiro espaço de vivência do amor, através do perdão e da reconciliação. O mundo necessita de pessoas e famílias reconciliadas, de comunidades que promovam o perdão e a reconciliação.

A caridade, vivida entre os cristãos, sempre foi muito importante, mas hoje adquire relevância ainda maior. A primeira comunidade cristã crescia através do testemunho do amor entre os seus membros. O testemunho comunitário do amor é um traço essencial da comunidade eclesial, de tal modo que podemos concluir que uma comunidade será reconhecida como cristã, se praticar o mandamento do amor.

O Papa Francisco tem mostrado a face amorosa de Deus e da Igreja, com simplicidade. O caminho do amor de Cristo há de ser trilhado de modo simples e generoso, sem orgulho ou ostentação.  Por isso, devemos reconhecer que necessitamos crescer sempre mais no amor: entre nós, na Igreja; na família, nos diversos ambientes e, de modo, especial, para com os pobres, os doentes e sofredores. Somente o amor de Deus é perfeito. O amor por nós vivido precisa crescer e amadurecer para se assemelhar ao amor ensinado e vivido por Cristo. Assim fazendo, estaremos glorificando a Deus na liturgia e na vida, como Cristo glorificou ao Pai amando-nos até o fim.

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