DEIXAR-SE GUIAR PELO ESPÍRITO!

Como demonstração visível da Providência divina, nós “recebemos o Espírito que vem de Deus”. (1 Cor 2,12). A correspondência aos dons suscitados pelo Divino Espírito nos faz anunciar, com coragem e entusiasmo, a presença do Reino de Deus em meio a nós. A adesão às inspirações interiores que nos são dadas pelo Paráclito nos faz empreender, em todas as horas, com humildade e em santidade, uma grande obra de evangelização para que ninguém que nos seja próximo seja excluído da possibilidade de uma fecunda vida de união com o nosso Redentor.

Estar disponível para permanecer em oração ou prosseguir em missão, no bom combate da fé, visando, essencialmente, conquistar almas e mais almas para Jesus Cristo é consequência direta da presença do Espírito Santo em nossas almas. Quando estamos dispostos a realizar nossas missões de profetas, sacerdotes e reis, cada um de nós tem que estar consciente de que “é o Espírito Santo quem treina as nossas mãos para a batalha, e os nossos dedos para a guerra”. (Santo Agostinho, “Exposição sobre os salmos, 143,7”).

Como destemidos soldados de Cristo, não podemos ter medo das perseguições ou das dificuldades que a vida nos apresenta em todos os momentos, pois um soldado, quando parte para o campo de batalha, não gasta seu tempo inutilmente pensando em se esconder e, assim, evitar a peleja ou o combate. Para que sejamos intrépidos combatentes da nobre causa do Evangelho, Deus imprimiu em nossas almas o fogo do Espírito que nos leva a realizar a experiência do amor de Deus.

Sentirmo-nos amados por Deus, de forma pessoal e incondicional, é a primeira condição para que possamos nos alistar como missionários de Deus, pois somente quando entendemos a simplicidade e a beleza da vida cristã, estamos prontos e ávidos para colaborar, de alguma maneira, na difusão da Boa Nova em qualquer lugar dos cinco continentes. O Espírito do Filho imprime em nossas almas a virtude da humildade e nos faz ver que não precisamos esperar pela obtenção de uma elevada função para que partamos em missão.

O fogo do Espírito Santo nos faz ter a plena certeza de que não existem missões menores ou maiores. Sob a condução do Espírito, que move e remove o nosso ser, é imprescindível que professemos que todo aquele que não está disposto a dar exemplo de serviço, de despojamento e de oblação, em funções ou missões mais simples, nunca estará preparado para servir em grandes projetos de evangelização. A presença do Divino Espírito em nós penetra e mobiliza todos os nossos dons, os nossos talentos, bem como nossa capacidade física e intelectual.  Colocar nosso corpo e nossa alma à disposição dos projetos de Deus é saber “deixar-se guiar pelo Espírito!” (Gl 5,18). Em termos de santidade, temos que, em silêncio, passar pelo nosso tempo e pelo nosso momento histórico, conquistando inúmeras pessoas das mais diversas faixas etárias para as messes do Senhor,  para que elas sejam, de fato, uma igreja que adere à Palavra, ao Magistério, aos mandamentos, e não se cansa de proferir as maravilhas que Deus operou e continua operando em todos e cada um de nós.

No campo de batalha em prol da fé, utilizando unicamente as imbatíveis armas da verdade e da caridade, suscitados pelo Doce Hóspede de nossas almas, nós vislumbramos que os soldados de Cristo possuem  uma grande variedade de estratégias que se fazem presentes nas Paróquias, nas Pastorais e nos Movimentos, mas, em sua essência, há uma unidade na diversidade; afinal, há um projeto único de salvação que conta com a ajuda imprescindível de nosso Senhor Jesus Cristo. Assim sendo, “sem as armas do Espírito Santo, ninguém avança no campo de batalha”. (Macário, “Homilias espirituais, 21,5”).

Somente sendo dóceis às inspirações que o Divino Espírito provoca em nós, seremos uma igreja viva e dinâmica que não mede esforços para anunciar que, diante da comprovação histórica da ressurreição de Cristo, tudo se torna fraternidade. Em fraternidade, formamos uma comunidade e, nela, temos a capacidade de bradar: “Sem dúvida, falo todas as línguas! Pertenço, com efeito, pela caridade, àquele corpo, a Igreja, que fala todas as línguas e em todas as línguas proclama as grandezas de Deus!” (Santo Agostinho, “Discursos 269,2”).

Infelizmente, pode vir a acontecer que nesse campo de batalha, e logo nas primeiras contendas, haja algumas pessoas que venham a abandonar as fileiras da salvação, por não quererem realizar alguns sacrifícios e renúncias, ou ainda por não entenderem o valor desses atos. Não podemos desanimar perante essas atitudes de desânimo! Não podemos esmorecer perante esses sinais de esmorecimento! Devemos, sim, bradar que o Paráclito é a fonte onde saciamos nossa sede de santidade! Devemos, sim, clamar que o Paráclito é a plena luz que ilumina as trevas!

O Espírito Santo é a força que nos ajuda a dar sempre mais um passo nessa caminhada da fé! Com um novo impulso na fé, Ele impede que fiquemos estagnados e sempre nos demonstra qual o novo caminho que deve ser percorrido, visando a divulgação explícita do Evangelho! Apesar das desistências e debandadas de pessoas bem próximas, o Divino Espírito não nos deixa cair na depressão ou na solidão. Ele sussurra aos nossos ouvidos uma suave admoestação: “Ainda que na Igreja não faltem indignos e traidores, a cada um de nós corresponde contrabalançar o mal que eles realizam com o nosso testemunho limpo de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador!” (Papa Bento XVI, “Audiência em 18 de outubro de 2006”).

Triunfaremos como soldados de Cristo, pois o Doce Hóspede de nossas almas é o manancial da “esperança que não nos deixa confundidos”. (Rm 5,5). Ele é o “penhor da nossa herança, enquanto esperamos a completa redenção”. (Ef 1,14) O Divino Espírito está presente em nosso íntimo para nos ensinar como corresponder ao amor de Deus! Alicerçados no amor de Deus, galgaremos o pódio do céu, pois “a lei do Espírito de vida em Cristo Jesus libertou-nos da lei do pecado e da morte!” (Rm 8,2). Pelas maravilhas que realizas em nossas almas e em nossas comunidades, Divino Espírito Santo, nós te damos graças!

 

Aloísio Parreiras

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

2020-10-19T17:52:40-03:0019/10/2020|