DEUS PROVERÁ TODAS AS COISAS

          No decorrer de nossas vidas, todos nós enfrentamos dificuldades, contratempos e inúmeras intempéries e, em todas essas situações, nós somos chamados a crescer na fé e a robustecer nossa confiança no Senhor. Se você está atravessando o árido deserto das provações, não se deixe esmorecer na correspondência ao amor de nosso Senhor Jesus Cristo. Ouça e guarde em seu coração o que eu vou lhe dizer: Não se esqueça de que todo aquele que pertence a Deus sofrerá provações, assim como as sofreram Moisés, Abraão, Samuel, João Batista, Pedro, Paulo e até o próprio Cristo.

Se o dia de hoje trouxer consigo situações difíceis e, aparentemente, você não vislumbrar uma possível solução, saiba alargar o seu horizonte. Não deixe que essas preocupações desgastem sua vida espiritual e professe com a voz de sua alma que amanhã será outro dia, pois uma nova manhã vai surgir, a luz do sol vai brilhar sobre nossas cabeças, propiciando a você e a mim um novo momento, uma nova oportunidade e a real possibilidade de cada um de nós poder recostar sua face nos braços aconchegantes de Cristo.

Como discípulos de Cristo, nós temos que professar que, mesmo diante dos infortúnios do dia a dia, contemplamos com os olhos da esperança a solícita mão de Deus que está sempre estendida, oferecendo-nos uma ajuda propícia no tempo oportuno. Às vezes, pode até parecer que Deus se esqueceu de nós, mas isso não é verdade, pois desde o dia de nosso nascimento, de diversas maneiras, Ele caminha conosco e nos ajuda a perceber que o sofrimento nos faz íntimos d’Ele.

Na vivência cotidiana da fé, nem sempre percebemos a ação de Deus de modo palpável em nossa história, mas não podemos esquecer que é n’Ele que nós vivemos, nos movemos e existimos. Se permanecemos no amor de Cristo e nas Suas palavras, Ele permanecerá em nós, e isso será uma bem-aventurança em nossas vidas.

Quando atravessamos as tormentas e os vendavais amparados no amor de nosso Salvador, purificamos nossa adesão ao Senhor, superamos os defeitos, eliminamos os vícios e fortalecemos os elos que nos prendem à Sua Igreja. Mesmo que o frio vento Minuano cause um furacão nos polares do nosso ser, a plena identificação com os desígnios de Deus nos ajudará a manter a firmeza e a segurança da filiação divina, dizendo: “Dai-nos, Deus, Vosso auxílio na angústia”. (Sl 59,12). Mesmo que o seco e quente vento Siroco se apresente de forma violenta através de uma grave doença inesperada ou por um sério prejuízo financeiro, estaremos firmes, em um porto seguro, se soubermos dialogar com o Senhor, em oração, salmodiando: “O Senhor é muito bom para com todos, Sua ternura abraça toda criatura! ” (Sl 144,9). É maravilhoso saber que, independentemente dos furacões com que nos deparamos em nossas vidas, podemos e devemos chamar, clamar ao Senhor, e Ele virá em nosso socorro. E quando a tempestade passar, como será bom poder afirmar: “Iahweh ouviu a nossa voz: viu nossa miséria, nosso sofrimento e nossa opressão”. (Dt 26,7).

As dificuldades podem começar muito cedo em nossas vidas, podem até nos acompanhar por toda a nossa existência, mas como testemunhas credíveis de Jesus Cristo, mesmo diante do sofrimento, não somos e nem seremos vencidos. Em termos humanos, a possibilidade de passar pelo sofrimento é repugnante, mas em termos espirituais, quando atravessamos a noite escura do sofrimento, aprendemos a não calcular o seu peso ou a medir sua extensão, pois fixamos nosso olhar confiante unicamente no Crucificado que nos ensina a carregar, com garbo, a nossa própria cruz.

O sofrimento, quando é unido ao Cristo, é sempre transformador, pois “é acolhido com amor e iluminado pela fé e converte-se em uma ocasião preciosa que une de forma misteriosa a Cristo Redentor, que sobre a Cruz assumiu toda a dor e a morte do homem”. (Papa Bento XVI, “Visita à Policlínica de São Mateus de Pavia, em 22 de abril de 2007”).  O sofrimento nos faz ver que, para estarmos unidos ao Senhor, em um breve futuro, temos que estar unidos a Ele nesse presente momento. Ele não nos abandona e, quando alcançamos a maturidade da fé, apesar dos sofrimentos e das dificuldades, nós não O abandonamos.

Antes de concluir, quero lhe dizer: ainda que pareça que, em alguns momentos de graves problemas ou de sérias dificuldades, pensamos que o Senhor se distanciou de nós e esqueceu-nos por completo, creia que isso não é verdade. Imaginar isso é até uma grave blasfêmia ou, pelo menos, um grande desconhecimento da Pessoa do único Deus; afinal, Ele nunca nega a Sua misericórdia a todo aquele que supera a obscuridade das provações, bradando: “A Iahweh nosso Deus serviremos e à Sua voz obedeceremos! ”. (Js 24,24).

Amparados no fecundo amor e na ilimitável misericórdia de Cristo, saibamos atravessar as tempestades, as noites escuras, os desafios e os contratempos que nos são propostos hoje e sempre, com a plena consciência de que aceitar e santificar o sofrimento é, antes de tudo, uma questão de amor.

Aloísio Parreiras
2020-05-08T12:29:44-03:0007/05/2020|