Dom.Sergio – 14/07/2019 – XV Domingo do tempo comum

“QUEM É O MEU PRÓXIMO?”

+ Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília

“Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” (Lc 10,25). Jesus responde esta pergunta em dois momentos. O primeiro, após recordar o mandamento do amor a Deus e ao próximo, ele diz: “Faze isso e viverás” (Lc 10,28). Contudo, naquele tempo, os mestres da Lei discutiam a respeito de quem seria precisamente “o próximo”, com diferentes posições. A tendência predominante era excluir da definição de “próximo” os inimigos e os que não faziam parte do povo de Israel. Por isso, num segundo momento, Jesus conta a “parábola do bom samaritano” transmitindo uma compreensão justa de quem é o próximo e de como tratá-lo.  No final, ele conclui a sua resposta dizendo: “Vai e faze a mesma coisa” (Lc 10,37), ensinando-nos a ter “compaixão” e “usar de misericórdia” para com o próximo.

De acordo com a parábola, o próximo é, acima de tudo, quem necessita de nós, por estar caído no caminho, ferido e abandonado, seja amigo ou não, seja conhecido ou não, seja da mesma raça ou não. A estrada, de cerca de 30 km, entre Jerusalém e Jericó era perigosa, com bandos armados ameaçando os viajantes, o que dificultava receber ajuda em casos de extrema violência, como descrito na parábola. As dificuldades existentes na relação entre os judeus e os samaritanos tornavam o gesto misericordioso do samaritano ainda mais significativo. O samaritano reconheceu o outro como o próximo a ser amado.

É preciso aproximar-se de quem sofre com compaixão e misericórdia, a fim de cuidar dos feridos e de levantar os caídos. Há muita gente sofrida e caída pelo caminho à espera de um bom samaritano que a levante, anime e conduza. Esta é a atitude dos verdadeiros discípulos de Cristo e praticantes da Palavra de Deus: usar de misericórdia, gastar nosso tempo, nossas energias e nossos bens com quem necessita do nosso amor fraterno e solidário.

A quem achar difícil demais ou fora do seu alcance praticar a Palavra de Deus, o livro do Deuteronômio afirma: “Ao contrário, esta palavra está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir” (Dt 30,14). Nós cumprimos a Palavra, animados pela fé em Jesus Cristo, sustentados pelo poder de Deus. S. Paulo ressalta a soberania e a primazia de Cristo, no belo hino transmitido em sua carta aos Colossenses (Cl 1,15-20). Motivados pelo Evangelho, elevemos a nossa oração a Jesus, a fim de imitar o samaritano e, deste modo, responder com generosidade à sua palavra: “Vai e faze o mesmo!”

 

2019-07-03T10:41:56-03:0003/07/2019|