EM MEMÓRIA DE KAROL WOJTYLA

Há quinze anos, precisamente no dia 02 de abril de 2005, o nosso amado Papa João Paulo II concluiu a sua peregrinação terrena, depois de um não breve período de dores e sofrimentos. Neste dia 18 de maio de 2020, nesta data feliz do centenário de seu nascimento, nós somos convidados a entoarmos um Te Deum ao Senhor por ter concedido à Igreja, por meio da pessoa de Karol Wojtyla, um Pastor intrépido e generoso, um corajoso defensor da Verdade e da fé.

A recordação das palavras, dos ensinamentos, dos gestos e do testemunho de fidelidade do Papa João Paulo II e o legado do seu pensamento e serviço continuam vivos em nossos corações e na vida da Igreja. Eu, pessoalmente, não tive a oportunidade de apertar a mão de Karol Wojtyla e nunca compartilhei a força de seu abraço, mas, por outro lado, mediante a leitura de seus livros, homilias, discursos e documentos pontifícios, eu tive a grata oportunidade de sentir seu apreço por Cristo, reconhecer sua docilidade ao Espírito Santo e vislumbrar o seu abandono incondicional nas mãos do Pai. Deste modo, misteriosamente, de alguma forma, eu apertei a mão de João Paulo II e senti o calor acolhedor de seu abraço.

No dia 15 de outubro de 1991, na imensidão da Esplanada dos Ministérios em Brasília, eu tive a graça de participar de uma Santa Missa presidida pelo Papa João Paulo II. Naquele tempo, eu era ainda um cristão tenro na fé, mas, mesmo assim, senti em meu coração, por meio da presença do Papa, que estava diante de um homem de Deus que era alegre, jovial e otimista. Naquele dia, em sua homilia, ele nos disse: “Sem a fé é impossível agradar a Deus. Sem a fé não é possível que a vida humana seja semelhante a Deus. No entanto, esta é a vocação do homem. Disto depende seu bem e sua felicidade, não só temporal, mas eterna”.

Desde aquele dia, cada vez mais, passei a escutar o Papa João Paulo II como um filho escuta o seu pai e passei assim a integrar a geração João Paulo II com o firme propósito de servir a Deus e à Igreja com esmerada santidade. Aos poucos, seguindo os ensinamentos de Karol Wojtyla, eu descobri a alegria de ser cristão e passei a experimentar, de maneira entusiástica, a presença de Cristo em minha história. Por vontade de Deus, eu passei a ter sempre diante dos meus olhos a figura forte e serena de João Paulo II e, com renovado entusiasmo, passei a ser um devorador de seus livros. Agindo assim, abracei e propaguei o seu apelo profético: “Não tenhais medo! Abri as portas a Cristo!”.

Ouvindo e assistindo o Papa João Paulo II, participando da vida da Igreja, eu descobri que o segredo da fecundidade espiritual é a união com Deus, a perseverança na vida da graça e a contínua aproximação com Cristo. Ouvindo as pregações do Papa João Paulo II, eu percebi que somente vencendo o mal e o pecado eu serei verdadeiramente livre. Atento aos conselhos de Karol Wojtyla, eu comecei a perceber que deveria expressar a Deus um sentimento de gratidão por tudo aquilo que aprendi com o Papa peregrino e ainda hoje, em minhas orações, eu agradeço a Deus o vibrante testemunho que vislumbrei com o Papa que soube ser o Pároco do mundo inteiro.

No dia da morte de Karol Wojtyla, eu estava na Catedral de Brasília, participando da Santa Missa e rezando pela sua páscoa. Naquele dia, ao tomar conhecimento de sua morte, eu chorei copiosas lágrimas, senti um aperto em meu coração por ter perdido um pai que me amava e, de alguma maneira, eu senti, ao mesmo tempo, dois sentimentos distintos: tristeza e alegria. Tristeza pela morte do Santo Padre que me ensinou a confiar na misericórdia divina e me desafiou a abraçar a fé sem reservas. Alegria por crer que, do céu, ele continuaria a interceder por todos nós.

Apesar de sua morte física, o Papa João Paulo II permanece vivo em meu coração e em minha vida, pois eu continuo vivenciando o processo de conhecimento do seu vasto legado espiritual. Continuo também percorrendo o seu pontificado por meio da leitura e meditação de seus escritos. O perfume de sua esperança permanece vivo em minha alma e, por isso, eu ainda tenho diante de meus olhos os sinais de sua paternidade, amizade e santidade. Por tudo que aprendi e aprendo com Karol Wojtyla, hoje eu professo que o Papa João Paulo II foi um homem de coragem, de fé e de uma dignidade extraordinária. Ele foi, sem sombras de dúvidas, um valioso empreendedor do bem, o pilar do mundo moderno que serviu à causa católica e toda a humanidade.

Hoje, com entusiasmo, gosto de suplicar a intercessão de São João Paulo II, pois creio que ele está junto de Deus, pois, em vida, ele promoveu com palavras encorajadoras e atos convincentes a renovação da Igreja e a participação dos jovens nos serviços missionários. Sem bombas ou guerras, mas utilizando-se somente da força transformadora da Verdade, e pela suavidade da oração, ele derrubou muros que pareciam eternos. A fidelidade a Cristo era o seu compromisso diário. Portanto, mesmo com a agenda repleta de compromissos, ele soube ser um homem de uma profunda vida de oração que testemunhou um nobre espírito de renúncias e sacrifícios.

Em toda a sua vida, Karol Wojtyla, assim como uma vela sobre o Altar, se deixou consumir para Cristo, para a Igreja e para os jovens e nos ensinou a amar o Papa, seja ele quem for. Inspirado nas palavras do nosso saudoso Papa, aprendi também a acolher e seguir fielmente os pontificados dos Papas Bento XVI e Francisco.

É verdade! João Paulo II é um santo e, por isso, poder viver a memória do centenário de seu nascimento é motivo de alegria para todos nós, pois no dia 18 de maio de 1920, dia de seu nascimento, Deus nos concedeu um santo homem, um santo sacerdote, um santo Papa. Desse modo, quanto mais mergulhamos na vida e na obra do nosso amado Papa, mais percebemos que grande motivo de orgulho é pertencer à Igreja Católica que, por ser uma boa mãe, nos ensina a recorrer à intercessão dos santos.

Eu creio que, neste exato momento, no céu, na dimensão invisível da Igreja, São João Paulo II vê-nos e abençoa-nos. Por crer, eu clamo: por intercessão de São João Paulo II, que a graça, o amor e a esperança de Deus nos amparem e fortaleçam sempre! Que São João Paulo II nos ajude do céu a incrementar o nosso serviço à Igreja para sermos “sentinelas do amanhã”, neste terceiro milênio da era cristã! São João Paulo II, cremos que seu pontificado foi essencial para a queda do comunismo sem o uso de armas e, por isso, hoje, nós lhe suplicamos: São João Paulo II, intercedei por nós, diante de Deus, suplicando pelo fim dessa pandemia que assola o mundo e fortalecei a nossa esperança, a fim de que possamos permanecer firmes na fé e na santidade! São João Paulo II, rogai por nós!

Aloísio Parreiras

2020-05-18T17:19:01+00:0018/05/2020|