Estudantes do Ensino Médio e Superior participam de encontro arquidiocesano

No último sábado (21/05), diversos estudantes do Ensino Médio e Superior participaram do I Encontro Arquidiocesano voltado para o público promovido pelo Educação, Cultura e Catequese da Arquidiocese de Brasília, que contou com diversas palestras focadas na atuação do leigo na sociedade.

Pela manhã, o primeiro palestrante foi Dom José Aparecido, Bispo Auxiliar de Brasília, que falou sobre a identidade eclesial e a espiritualidade cristã do fiel leigo. Em seguida, o assessor do setor, Padre Paulo Rogério, proferiu a palestra “A responsabilidade na Igreja e na sociedade do fiel leigo”, destacando princípios claros de atuação do fiel leigo sob a ótica da fé, na vida da sociedade. Após a palestra do padre, os participantes tiveram a oportunidade de fazer perguntas aos palestrantes em um bate-papo na roda de conversa promovida pelo evento com os dois palestrantes.

 

A parte da tarde foi iniciada com a presença do Arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa, que apresentou “A atuação política do fiel leigo no magistério do Papa Francisco”, tema bastante pertinente neste ano por ocasião das eleições que acontecerão em outubro no Brasil. Em seguida, teve lugar a fala do colaborador da Nunciatura Apostólica no Brasil, Padre André Zaccheo, doutorando em Doutrina Social da Igreja, que falou sobra a importância dela na formação da consciência política no fiel leigo.

 

A perda da fé ao contexto universitário

Sobre a importância do encontro, o assessor, Padre Paulo Rogério, destacou que, por vezes as pessoas associam, atualmente, a perda da fé ao contexto universitário, entretanto, ele tem uma outra visão: “Na minha visão a fé é algo que pode ser perdido em qualquer meio, vai depender do nível de noção e vivência que temos dela. Mais ainda: do que queremos mesmo, no final das contas. Se uma salvação espiritual, que passa por amar como Jesus amou (Jo 13,34) e tomar a cruz de cada dia como Jesus tomou (Lc 9,23), ou uma salvação mundana, feita de conforto material, glória superficial e prazeres físicos (Mt 4,1-11).

Sejamos sinceros: o mundo é mesmo um dos três inimigos bíblicos de nossa salvação (Mc 4,19), mas o mundo, em si, é só um lugar cheio de oportunidades. Nesse sentido, é o inimigo mais fácil de ser vencido, pois a grande verdade é que ninguém é obrigado a nada. O contexto pode até ter fortes incentivos para sairmos do bom caminho da nossa salvação (Jo 14,6), nos contando doces mentiras do que seja a vida feliz, mas o que vamos mesmo fazer vai depender única e exclusivamente do que o nosso coração quer de verdade, “pois onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Lc 12,34).

Por isso a fé, que Deus nos dá por meio da Igreja, é como uma luz (Sl 119,105) que iluminando o nosso coração afasta para longe as trevas da dúvida que leva ao erro naquilo que realmente importa para sermos felizes que é fazer a justiça do Reino de Deus (Lc 12,31). Mas se nossa esperança em Cristo é apenas para esse mundo (1Cor 14,19), então, nossa fé não se sustenta em meio as tentações de uma vida que o mundo considera boa porque fácil, mesmo que isso custe nossa degradação moral e o prejuízo dos outros. E não se sustenta porque outro inimigo da nossa salvação, e pior do que o mundo, somos nós mesmos (Mc 4,16-17): as más inclinações do nosso coração.

Dito tudo isso é besteira demonizar o meio universitário. Na verdade, ele apresenta um risco à fé tanto quanto qualquer outro meio. E digo mais: é nossa obrigação brilhar no mundo (Mt 5,14-16), como Jesus (Jo 8,12), por meio de uma vida santa (1PE 2,12). De modo que, se o meio universitário representa mesmo um perigo particularmente especial à fé, é sinal de que estamos, os cristãos, nos deixando vencer no grito pelos que militam contra a fé por medo de sermos rejeitados pela ditadura do pensamento único. E é isso o que nos deve fazer pensar: não nos perigos à fé que representa o meio universitário e sim nas oportunidades de evangelizar.”

Uma “testemunha” é uma prova viva de algo

Por fim, Padre Paulo Rogério envia uma mensagem a todos os estudantes que estiveram ou que não estiveram neste momento de encontro sobre serem testemunhas da fé em seus ambientes acadêmicos: “Querido estudante de nível médio e superior, falo diretamente contigo agora. Uma “testemunha” é uma prova viva de algo. Uma testemunha da Jesus é uma prova viva de que ele é o salvador dos homens (Jo 5,24). Portanto, você quer testemunhar Jesus? Antes de mais nada, pratique sua fé. Seja coerente com aquilo no que você diz creditar.”

É verdade que, quando se fala em evangelizar, sempre vem à mente aquela passagem da primeira carta de são Pedro na qual noz manda de estarmos “sempre prontos a responder a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança” (1Pe 15,16) E se para por aí, mas a passagem continua dizendo: “mas fazei-o com suavidade e respeito. Tende uma consciência reta a fim de que, mesmo naquilo em que dizem mal de vós, sejam confundidos os que desacreditam o vosso santo procedimento em Cristo. Aliás, é melhor padecer, se Deus assim o quiser, por fazer o bem do que por fazer o mal.” (1Pe 15,16-18).

Veja, querido irmão, que são Pedro valoriza mais o comportamento como meio de evangelização que o discurso que, com certeza, tem sua importância e utilidade, mas cai em descredito se quem o faz não tem moral.

Isso me faz lembrar o que o Papa Paulo VI dizia na sua Encíclica Evangelii Nuntiandi (O Anúncio do Evangelho), sobre a evangelização do mundo contemporâneo: “O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, dizíamos ainda recentemente a um grupo de leigos. Melhor dizendo: se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas”.

Seja, então, uma verdadeira testemunha de Jesus e o que quer que você tenha a dizer será levado mais em consideração. Uma vida coerente é, de longe, o melhor serviço que qualquer fiel (leigos e clérigos) presta à obra da evangelização.