EU FUI CONQUISTADO POR CRISTO JESUS!

O filósofo social e escritor francês Montesquieu, ao se referir às guerras, ponderava que “conquistar é fácil, difícil é manter a conquista!”. Essa frase de Montesquieu pode ser utilizada em várias realidades da vida, pois toda conquista, em termos humanos, envolve planejamento, disciplina, dedicação e riscos.

A vida é feita de conquistas, momentos de alegrias que renovam a nossa existência. O ato de conquistar é sempre um desafio e, por isso, muitas vezes sonhamos em conquistar as estrelas, o céu, a lua, os oceanos e a terra inteira, evidenciando sempre que todas as conquistas começam com o simples ato de acreditar que elas são possíveis.

No terreno da fé e da espiritualidade, toda conquista, todo avanço que conseguimos no itinerário da santidade é consequência da nossa adesão a Cristo e da correspondência à Sua graça. Tudo começa com a nossa conversão, mas a conversão precisa ser renovada, aprimorada e purificada a cada novo dia com a consciência de que Deus nos amou primeiro. Desse modo, a iniciativa do encontro é sempre d’Ele. Este é o eixo que movimenta o coração da nossa conversão, ou seja, a certeza de que Deus movimenta o céu, a terra, a natureza e tudo o que for preciso para se encontrar conosco e nos proporcionar uma mudança radical de vida, de atitude e de postura.

São Paulo, o Apóstolo dos gentios, foi o grande conquistador que transmitiu o Evangelho na Igreja nascente, edificando sólidas comunidades cristãs em Corinto, Éfeso, Roma, Tessalônica e em outros lugares. Mas, antes de ser um conquistador, Paulo era um perseguidor dos cristãos. Somente após ser conquistado por Jesus Cristo, nos caminhos de Damasco, foi que ele percebeu que não há nada melhor do que estar a serviço de Deus na conquista de almas para o Reino dos Céus.

A conversão de Paulo aconteceu no encontro com o Cristo ressuscitado e foi graças a esse decisivo encontro que a sua existência mudou definitivamente. Na estrada de Damasco, Saulo converteu-se porque, graças à luz divina, acreditou no Evangelho e aderiu à Pessoa de Jesus. Essa conquista de Saulo por parte de Jesus é o que chamamos de encontro pessoal com o nosso Redentor. Em geral, de uma forma única e inesquecível, esse encontro muda radicalmente a nossa vida, dando novo sentido a tudo o que somos e fazemos.

Quando somos conquistados pelo Cristo, assim como São Paulo, nós sentimos a necessidade de transmitir aos nossos coetâneos as razões da nossa fé e da nossa alegria. Toda conversão é para a Igreja, e para a sociedade, uma semente de uma nova primavera. Se olharmos para a História da Igreja, poderemos observar quantas páginas de autêntica renovação social e espiritual foram escritas com a contribuição de inúmeros santos que deixaram suas marcas em nossa história. Entre outros, podemos citar São Francisco de Assis, São João Paulo II, Santa Catarina de Sena, Santo Ignácio de Loyola, São João da Cruz e Santa Teresa de Lisieux. O processo de conversão de todos esses santos começou com a simples aceitação do amor de Deus, com a abertura da porta da fé para as exigências de Jesus.

Quando somos conquistados pelo amor de Cristo, quando permitimos que Ele faça parte de nossa história e caminhe conosco na senda da esperança, nós aprendemos que somente a fé possui a resposta plenamente satisfatória que é capaz de tranquilizar nossas inquietações e de levar conforto à necessidade de respostas que atormenta o nosso coração apreensivo com o próprio destino.

Quando Cristo se faz presente em nossas vidas, quando Ele transforma os nossos dias, passamos a querer soltar os nossos braços, vozes, pernas e corações, a fim de conquistarmos o céu. Ao mesmo tempo, desejamos comunicar essa alegria aos nossos familiares e amigos. Passamos a testemunhar que a nossa conversão consiste em crer que o Cristo, morto e ressuscitado, é a razão da nossa esperança.

Converter-se significa acreditar que “Jesus se entregou por mim”, morrendo sobre a cruz. Ressuscitado, Ele vive conosco e em nós e, por isso, confiamos no poder do Seu perdão e na força da Sua misericórdia, e seguramos em Suas mãos para sairmos das areias movediças do pecado e do orgulho, da tristeza e da mentira e de toda falsa segurança, para que possamos viver a riqueza do Seu amor.

Toda conversão, todo processo de adesão ao amor de Deus, implica dois necessários e importantes passos. No primeiro passo, e na luz de Jesus, vislumbramos claramente os nossos erros e imperfeições. Este reconhecimento de nossas fraquezas transforma-se em dor e arrependimento que nos impulsiona a um novo começo, à retomada da vida da graça e à participação no sacramento de cura da confissão.

Quando vamos amadurecendo na vivência na fé, quando pisamos, com segurança, o terreno do sagrado, nós damos um segundo passo no sentido da nossa conversão ao reconhecermos que este caminho não pode decorrer de nós mesmos, ou seja, não somos nós que definimos tudo o que vai acontecer para que possamos alcançar a vida eterna, pois não temos controle nem sobre o dia de amanhã.

Desse modo, a cada novo dia, na senda da conversão, temos que nos deixar conquistar pelo Cristo que, desde o primeiro encontro, quer contar com o nosso sim, para que possa lançar as redes de nossas vidas em águas mais profundas. No primeiro dia da nossa conversão, nós não conseguimos vislumbrar aonde Deus irá nos conduzir no aprendizado da santidade. Mas, podemos, desde o primeiro momento, acreditar que o lugar a que Deus nos levará é o lugar apropriado para a vivência e desenvolvimento da nossa conversão.

Em termos espirituais, a frase “conquistar é fácil, difícil é manter a conquista”, exige uma nova interpretação, pois Deus nos concedeu os sacramentos, em especial, a Eucaristia e a Reconciliação, a Sua graça, a Sua Palavra, a Sua Mãe e a intercessão dos santos, a fim de que possamos manter a conquista, ou seja, a perseverança na fé e na justiça.

É claro que a vida da fé é sempre um combate, um bom combate, mas Deus já nos capacitou com os meios necessários para vencermos em todo tempo e lugar. Ele está ao nosso lado, capacitando-nos para o serviço do Evangelho, principalmente quando enfrentamos dificuldades e perseguições, tais como a pouca receptividade das pessoas e a consciência de nossas limitações, a certeza de que não estamos à altura do desafio que recebemos do Senhor. Mas, por outro lado, devemos olhar para a Sabedoria de Deus e nossa ignorância, a Sua onipotência e nossa fraqueza, a Sua justiça e nossas iniquidades, a Sua bondade e nossa maldade, a fim de percebemos claramente que tudo o que há de bom em nós é fruto da presença de Deus em nossos corações.

Diante das contrariedades que enfrentamos na realização de um apostolado, devemos professar: “Sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo porque quando estou fraco então sou forte. (2 Cor 12, 10). É o Espírito Santo, o Promotor da evangelização da Igreja, que nos impulsiona a novas messes, bradando: “Ainda não atingi a meta; ainda não atingi a perfeição; mas esforço-me por correr para o alcançar, porque também fui alcançado por Cristo!”. (Fl 3,12).

A docilidade ao Espírito Santo atualiza a presença de Cristo em nossos corações e nos ajuda a perceber, nos batizados que estão afastados da Igreja, almas que estão carentes da realidade da vida sobrenatural da graça e, por isso, não podemos poupar esforços para conquistá-las ou reconquistá-las para o rebanho de Cristo, meditando em nosso íntimo: “Eis uma alma, uma alma que é preciso ajudar, uma alma a quem se deve compreender, uma alma com a qual temos de conviver, uma alma que é preciso salvar”. (São Josemaría Escrivá).

Ser conquistado por Cristo Jesus é a graça definitiva de nossas vidas, pois, quando somos conquistados por Ele, nós passamos a ser conquistadores de novos discípulos missionários, fiéis que se esforçam em colocar os seus corações em sintonia com o Sagrado Coração de Jesus, os seus passos no caminho do Evangelho e as suas vozes a serviço do anúncio da Palavra que é a luz que ilumina a nossa existência.

Quando somos conquistados por Cristo, nós aprendemos a adentrar a escola da Virgem Maria a quem suplicamos, cotidianamente, o dom de uma verdadeira conversão. A Ela nós confiamos as nossas orações, esforços, zelo, dedicação e serviços em prol do Reino de Deus, a fim de que, por sua poderosa mediação, possamos impulsionar nossa correspondência ao amor de Cristo, para que Ele nos ajude a alcançar novas graças, bênçãos e proteção para os nossos amigos, familiares e para o mundo inteiro. Virgem Santa Maria, rogai por nós e ajudai-nos a conquistar almas para o Reino dos Céus!

Aloísio Parreiras

2020-05-27T16:51:18-03:0027/05/2020|