Evangelização, acolhida e solidariedade marcam a 6º edição do Natal do Povo de Rua

A Arquidiocese de Brasília, por meio da Pastoral do Povo de Rua, realizou nesta quinta-feira, 13, mais uma edição do Natal do Povo de Rua. A Celebração foi realizada na Catedral Metropolitana de Brasília e foi presidia pelo bispo auxiliar dom José Aparecido, a pedido do Arcebispo dom Sergio da Rocha, que por problemas de saúde não pode participar este ano. Concelebraram os padres, Carlos Henrique, Vigário Episcopal para o Vicariato Social, padre Evandro, padre Moacyr Goudim, padre Paulo Rogério e padre João Fimino.

Cerca de 1.300 pessoas participaram da Celebração.

A programação do Natal do Povo de Rua teve inicio às 08h, quando foi servido um café da manhã para todos. Em seguida os participantes se dirigiram a Catedral onde participaram da Santa Missa.

Este ano o evento contou também com a presença de 55 migrantes Venezuelanos que estão em Brasília por meio do programa Pana – Programa para Migrantes e refugiados –  da Cáritas Brasileiras. Os migrantes vieram da cidade de Boa Vista, (RR), e chegaram em Brasília no fim do último mês.

O programa Pana trabalha diretamente com os migrantes e refugiados, acolhendo e auxiliando essas pessoas que vieram em busca de um novo começo e de uma vida melhor.  Pelo programa eles recebem todo o apoio social e psicológico, além de terem acesso a cursos da língua portuguesa e cultura brasileira e também cursos profissionalizantes para inserção no mercado de trabalho.

Santa Missa

Dom José Aparecido ressaltou em entrevista a importante atuação da Pastoral do Povo de Rua na ajuda a quem mais precisa. “A Pastoral do Povo de rua é muito importante, sobretudo pela indicação do Papa Francisco que inaugurou no ano passado o Dia do Pobre. Isso significa uma atenção que a Igreja tem e vai ter sempre com os irmãos de rua e em situação de pobreza e de dificuldade.”

Já na homilia, o bispo fez uma comparação sobre a história do nascimento de Jesus com a dos que nascem na rua. Segundo dom Aparecido, Jesus se fez pobre e quis nascer pobre para assim estar mais próximo dos mais desvalidos. “A festa que nós antecipamos hoje, exige de nós um olhar comprometido. O Menino Jesus nasceu em uma estrebaria porque não tinha nenhuma casa onde nascer. Jesus foi colocado em uma cocheira porque não tinha um berço. Deus escolheu nascer como um morador de rua, como homem rejeitado e que lhe foi negado o mínimo de conforto ao nascer para perceber que assim Deus se encarnou e se tornou companheiro nosso de cada dia.”, explicou.

Ainda segundo o bispo, é preciso que nós cristãos possamos pedir a Deus a graça de enxergar no irmão de rua, no pobre, naqueles que mais precisam o próprio Jesus. “É preciso lembrar que, ao mesmo tempo em que contemplamos e adoramos o Senhor na eucaristia, o ato de amor que é exigido de nós é o mesmo do ato de abrirmos ou fecharmos as janelas dos nossos carros quando alguém se aproxima de nós suplicando algum auxilio. É Jesus que nos visita. Se o Verbo de Deus se encarnou em Jesus de Nazaré, Jesus continua presente, até os fins dos tempos, também em nossos irmãos moradores de rua, também nos nossos irmãos mais pobres, nos doentes, nos enfermos e nos que sofrem. E nessa presença de Deus em nossos irmãos que precisamos adorar a Jesus.”

Dom Aparecido também falou sobre a cegueira espiritual que muitas vezes nos impede de enxergar Jesus nos outros. “Queridos irmãos. Ao fazer a festa já antecipada do Natal nós pedimos a Deus a graça de curar os nossos olhos para que possamos vê-Lo, para que nós saibamos contemplá-Lo com olhos de amor como o próprio Jesus soube contemplar também os pecadores. Como seria bonito se pudéssemos ver com o olhar curado da cegueira que temos. Que deixemos que Deus limpe os nosso olhares para que possamos enxergar a fundo o próximo e poder dizer “Jesus está aqui”. Que assim iluminados possamos olhar para os nossos irmãos e irmãs de rua e dizer, Deus está aqui. Deus reina aqui.”, falou o bispo.

Para concluir dom José se dirigiu aos irmãos em situação de rua e disse: “Irmãos de rua, vocês são um sinal da presença de Deus para nós e queremos suplicar hoje a Deus que possamos ser mais comprometidos com a causa e vida de vocês. Vocês são sinal amoroso da presença de Deus nas nossas vidas e nos fazem ser Igreja em saída e nos ajudam a nos movermos em nossas comodidades. Que Deus seja louvado e que essa festa do Santo Natal seja um derramar de bênçãos e esperança para que as situações que criam injustiças e pobreza sejam transformadas pelo nosso compromisso.”, concluiu o bispo.

Ao final da Celebração, uma das integrantes do grupo dos venezuelanos, Julyan Teran, subiu ao altar e agradeceu em nome de todos a ajuda que vem recebendo tanto da Cáritas Brasileiras, quanto da Arquidiocese de Brasília.

Dom José Aparecido acolheu com carinho as palavras da venezuelana e pediu a todos do grupo que estavam presentes, que de pé, fossem saudados por toda a Igreja, reforçando assim a acolhida como membros da comunidade Arquidiocese.

Programação

Logo após a Santa Missa os presentes foram conduzidos a paróquia São Judas, na Asa Sul para participarem de uma almoço. No local também será oferecido cortes de cabelo, banho, roupas e sapatos e kits de higiene pessoal.

Segundo a coordenação da Pastoral do Povo de Rua, este ano, cerca de 400 pessoas serão atendidas no evento. O Natal do Povo de Rua contou com a participação de 100 voluntários que se revezaram durante todo o dia para ajudar.

Todo o material usado para a realização deste evento veio por meio de doações.

Quanto o convite aos irmãos de rua, a Pastoral informou que este ano participaram pessoas vindas de todo o Distrito Federal. O trabalho teve inicio desde o meio do ano e contou com com a realização de visitas, realizadas todas as sextas-feiras, às famílias que já são atendidas pela Pastoral e também em busca de novas famílias que surgem nas ruas todos os dias, principalmente nesta época de fim de ano.

Pastoral do Povo de Rua

A Pastoral da Rua é composta por cerca de 30 pessoas e conta com a colaboração de dezenas de voluntários.

Durante todo o ano, a Pastoral realiza atividades de abordagem e acolhimento de moradores de rua em todo o Distrito Federal.

Tradicionalmente, ao final de cada ano, este grupo promove momentos de confraternização e evangelização para a população moradora de rua, levando um pouco de conforto, alegria e até autoestima.

De acordo com a Secretaria de Estado de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh), o número de pessoas em situação de rua aumentou 20% em um ano. Em 2016, eram aproximadamente 2,5 mil pessoas morando sob marquises, árvores ou viadutos. Em 2017, já passa de 3 mil indivíduos. E o número pode ser muito maior: organizações que trabalham diretamente com essas pessoas garantem que no Distrito Federal há mais de 6 mil pessoas nessa condição.

Como ajudar?

Você pode doar durante todo o ano. Doe qualquer quantia por meio da Conta corrente: Banco: Caixa econômica / Conta corrente: 4873-4 / Agência: 0002 /Operação: 003 /
Nominal: Cáritas arquidiocesana.

Para ajudar de outra forma:

Doe alimentos ou bebidas, como água, refrigerante, suco, para o almoço natalino; ou produtos descartáveis: pratos, colher, copos, guardanapos; ou ainda roupas e calçados e brinquedos.

Ou ainda produza um kit de higiene pessoal completo, com creme dental, escova de dente, sabonete, desodorante, lâmina para barbear, pente etc., e entre em contato com a organização, através dos números: 33941672/ 98475 0530 / 98587 3609, que eles se encarregarão de coletar os donativos.

 

Confira as fotos do café da manhã e da Missa na Catedral

 

Por Kamila Aleixo

2018-12-13T17:13:46-02:0013/12/2018|