EVANGELIZAR É A NOSSA MISSÃO

Assim como nos primeiros séculos do Cristianismo, neste Terceiro Milênio da
era cristã, nós percebemos a existência de diversas práticas de idolatria e de inúmeras
posturas niilistas que negam a nossa fé. Em diversos campos de nossa sociedade, há
evidências de sinais de morte que se concretizam em caminhos de morte. “Caminhos de
morte são os caminhos que traçam uma cultura sem Deus e sem Seus mandamentos ou,
inclusive, contra Deus, animada pelos ídolos do poder, da riqueza e do prazer efêmero, a
qual termina sendo uma cultura contra o ser humano”. (Documento de Aparecida, nº
13). Em meio a essa difícil situação, os nossos contemporâneos procuram respostas
lógicas aos seus questionamentos, e se cercam de inúmeros porquês e bem cedo
percebem que as coisas criadas por nós, homens, não servem para responder aos
questionamentos que nós mesmos criamos. Pensar por algum momento que as coisas
finitas vão saciar nossa sede de infinito é se esquecer de que Cristo é uma Pessoa e um
mistério que não pode ser totalmente compreendido pela nossa limitada inteligência
humana. Esse é o cenário do mundo atual! Esse é o panorama dos ambientes, nos quais
Deus espera que saibamos atuar como missionários que têm a plena convicção de que
urge evangelizar por meio de uma ação pastoral orgânica, renovada e vigorosa!
Em Sua providência, nosso Senhor Jesus Cristo não se cansa de criar novas
oportunidades para que o nosso próximo, que é atualizado, em termos de tecnologia, se
torne atualizado também em termos espirituais, reconhecendo-O como o nosso
Salvador, pois Ele “quer que todos os homens sejam salvos e venham ao conhecimento
da verdade”. (1Tm 2,4).
É desejo de Jesus Cristo que todo fiel batizado saia do anonimato da solidão e do
comodismo propostos pela omissão, pois cada um dos batizados deve ser uma
testemunha credível do Evangelho e um atuante missionário que sempre vislumbra, com
os olhos da fé, novos campos e novas messes, onde há a imperiosa necessidade de um
apostolado transformador. Nenhum batizado pode se esquecer de que nós somos
“homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja”.
(Documento de Puebla, nº 786).
Como homens da Igreja no coração do mundo, cada um de nós deve realizar um
profundo ato de amor e de obediência ao Pai assumindo-se como missionário e atuando
sem descanso ou folga, na defesa da dignidade do ser humano. É uma graça imerecida
poder ser um missionário do amor de Deus que sabe oferecer, ou demonstrar ao outro,
as sólidas e definitivas respostas que os nossos povos buscam. É uma graça imerecida
poder ser um leigo apaixonado pelo Senhor que sabe renovar os seus ambientes de
trabalho, de estudo e de lazer, com o serviço inovador da caridade, da misericórdia e da
santidade.
Como homens do mundo no coração da Igreja, cada um de nós deve professar
que ser um missionário não é algo opcional, mas sim, uma missão que decorre de nosso
batismo; consequentemente, “sejamos conscientes de que todos somos missionários,
isto é, enviados pelo Senhor a ser suas testemunhas em todos os momentos da nossa
existência”. (Mensagem do Papa Bento XVI para o Domingo Mundial das Missões de
2007).

No cotidiano da fé e no aprendizado da esperança, Deus nos chama a realizar
um fecundo trabalho missionário em nossas famílias, em nossas cidades, nas redes
sociais, nos diversos ambientes sociais e, até mesmo, em outros Estados e em outros
países. Para que isso ocorra, Ele nos dá a fortaleza que provém do Divino Espírito
Santo, pois, para fazer contraponto aos desvalores anunciados pelo mundo, nós
contamos com a ajuda do Paráclito. Em toda obra missionária, nós somos cooperadores
do Espírito Santo. Em toda obra missionária, nós somos os protagonistas do Amor, que
estão a serviço da obra da verdade e da fé.
Aspirar a ser um missionário é um nobre desejo, fruto de uma fecunda
intimidade com o nosso Redentor. “Conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria;
segui-Lo é uma graça e transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor
nos confiou ao nos chamar e nos escolher”. (Documento de Aparecida, nº 17).
Como discípulos e missionários de Jesus Cristo, saibamos agradecer ao Senhor a
graça de poder colaborar, de alguma forma, para a conversão do nosso próximo.
Saibamos, como ousados missionários da fé, cantar com a suave voz do coração:
“Aonde mandar eu irei. Teu amor eu não posso ocultar. Quero anunciar para o mundo
ouvir que Jesus é o nosso Salvador. Grato eu estou, Senhor, porque me confiaste a
missão de proclamar o Teu eterno amor!”. Renovados pelo amor do Senhor, saibamos
clamar aos nossos coetâneos: “Para nós, existe um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual
tudo existe, e nós também existimos por Ele!”. (1 Cor 8, 6).

Aloísio Parreiras
(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

2020-09-11T10:31:48-03:0011/09/2020|