EVANGELIZAR: MISSÃO PERMANENTE DA IGREJA

Já paramos para pensar em quanto as más notícias correm rápido e quantas vezes nós, os cristãos, colaboramos para a sua difusão? Nesse nosso mundo onde parece que somente há espaço para as más notícias, nós somos chamados a anunciar boas notícias, boas novas, a alegria do Evangelho e os sinais do amor e da misericórdia de Jesus Cristo. E era essa a inquietação que levava São Paulo a afirmar: “Ai de mim, se eu não evangelizar”. (1 Cor 9, 16). Evangelizar, anunciar o Evangelho com renovado ardor e entusiasmo é, em suma, o que Deus espera de nós, pois “evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar”. (Papa Paulo VI, Evangelii Nuntiandi, nº 14).

Nesses dias de pandemia, de dificuldades e de noites escuras, Deus nos desafia a evangelizar, com sabedoria, utilizando os meios que temos ao nosso alcance. Nesse contexto, mais do que nunca, a internet se tornou o bom terreno onde os cristãos podem lançar a semente do Evangelho com o intuito de ver florescer uma nova seara, uma floração de santidade. Nesses nossos dias, não podemos nos esquecer de que “o empenho em anunciar o Evangelho aos homens do nosso tempo, animados pela esperança, mas ao mesmo tempo torturados muitas vezes pelo medo e pela angústia, é, sem dúvida alguma, um serviço prestado à comunidade dos cristãos, bem como a toda a humanidade”. (Papa Paulo VI, Evangelii Nuntiandi, nº 1).

Esses tempos difíceis nos desafiam a crescer na fé com a consciência de que Deus conta conosco para alcançar os corações das pessoas que estão afastadas d’Ele e da Santa Igreja e, por isso, quando abraçamos o serviço missionário, nós professamos a convicção de que evangelizar o mundo não é uma utopia, mas, sim, uma grande tarefa que se nos impõe, pois a nossa vida já não se apresenta apenas como um dom, pois tornou-se empenho. Desse modo, a nossa atitude não se reduz a esperar tudo pronto do Papa, dos Bispos e dos sacerdotes. Também nós temos que fazer um esforço, um grande esforço, a fim de que possamos participar da obra de evangelização da Igreja sem medo e com muita esperança.

No início dessa pandemia, nós refletimos: Como vou realizar o serviço missionário com segurança e coragem? Naqueles momentos, ouvimos a voz do Espírito Santo, sussurrando em nossos ouvidos: “Você não está sozinho, Deus, a Virgem Santa Maria e a Igreja estão ao seu lado”. Os meses foram se passando rapidamente e o tempo foi exigindo de nós iniciativas e empreitadas de serviço catequético e missionário. Hoje, nesse início do mês de outubro, é muito bom poder olhar para trás e perceber que as limitações advindas da pandemia não diminuíram o nosso ardor missionário, pois em nossas almas continuou viva  a certeza de que inúmeras pessoas que estão afastadas de Deus dependem de nossos esforços missionários para que, de alguma forma, sejam alcançadas pela mensagem de salvação que Cristo nos oferece em Sua infinita caridade.

Evangelizar é a missão permanente da Igreja, é um serviço que não possui pausas ou descansos, pois ainda existe um grande contingente de pessoas que desconhecem o verdadeiro e único Deus, e, por isso, Cristo também nos envia: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura”. (Mc 16,15). Ide, denunciai os erros provenientes do hedonismo, do consumismo e do materialismo. Ide, anunciai com vossa vida, o plano de amor de Deus acerca da família e do matrimônio.  Ide, superai os falsos deuses e as ilusões niilistas. Ide e ensinai que a salvação é a vitória do bem sobre o mal, realizada no ser humano, em todas as dimensões da vida. Ide e anunciai que a própria superação do pecado e do mal já tem um caráter salvífico.

“Duc in Altum!”. Lançai as redes em águas mais profundas – é o desafio missionário que o Cristo nos faz no cotidiano da fé. Alicerçados no Espírito Santo, nós devemos seguir em frente, mesmo em meio aos riscos de uma pandemia, pois o novo coronavírus pode matar o corpo, mas o pecado e a ausência de Deus causam um dano muito maior ao ser humano matando a alma, a possibilidade de salvação, negando um destino eterno e feliz.

Não obstante as sombras da morte que estão bem próximas de nós, sigamos em frente, pois há um imenso campo onde podemos realizar um fecundo apostolado. Em nossas famílias, no ambiente de trabalho, ou entre os amigos, existem inúmeras pessoas sedentas em ouvir falar de Deus. Nesses lugares é missão nossa comunicar, transmitir o Cristo inteiro com Suas exigências e compromissos. Por conseguinte, com criatividade e inovação, nós devemos criar oportunidades para “proclamar a Palavra, insistir oportuna e inoportunamente, repreender, admoestar, exortar com toda a paciência e pedagogia.” (2Tm 4,2).

Insisto: há muitos que desconhecem o Bom Pastor e são ovelhas desgarradas do rebanho e ainda não foram alvos de um trabalho apostólico, e assim, como o eunuco etíope, nos questiona: “Como vou entender, se ninguém me explica?” (At 8,31). Deve ressoar fundo em nossos corações o brado daqueles que desconhecem o Amor de Deus. “E como crerão, se não ouviram falar d’Ele? Como ouvirão, se ninguém lhes anuncia?” (Rm 10, 14-15).

Esse clamor deve ressoar em nossos corações como ressoou no coração de São Francisco Xavier, que durante dez anos se empenhou na evangelização da Índia e do Japão e morreu em 1.552, quando estava a caminho da China, onde iniciaria um novo trabalho missionário. Ressoou também no coração de Santa Teresa de Lisieux, que sem nunca sair de seu convento, soube converter suas dores e sofrimentos em orações, sacrifícios e renúncias em prol do trabalho missionário. O terceiro milênio da era cristã, este ano de 2020 e os anos vindouros precisam, necessitam com extrema urgência de novos Franciscos Xavier e de novas Teresas de Lisieux. Precisam, enfim, de pessoas disponíveis, de novos discípulos missionários de Jesus que queiram realizar a sublime missão de salvação de almas.

Hoje, existem novos desafios, novos areópagos e novas realidades, mas existe em uma proporção infinitamente maior o auxílio de Deus Espírito Santo que nos cumula de graças e bênçãos. “Não temais” (Mt28,5) e ide, pois o mundo precisa de sua fidelidade e do seu testemunho.

O filósofo Dostoievski nos diz que “o segredo da existência humana consiste em não apenas em viver, mas também em encontrar um motivo para viver”. E faz parte do trabalho missionário demonstrar o Caminho, a Verdade e a Vida, transmitir a alegria de conviver com Deus, testemunhar o entusiasmo em participar dos sacramentos e da Igreja de Cristo, demonstrando assim, “as razões da nossa fé.” (1Pd 3,15).

Na obra missionária da Igreja há espaço para todos. Crianças, jovens, adultos e idosos; todos são bem vindos e, por isso, devemos ocupar, com gratidão e entusiasmo, o nosso lugar no projeto de Deus em prol da obra missionária, a fim de que possamos cumprir o grato dever de anunciar o amor e a misericórdia de Cristo.

A melhor maneira de agradecermos a Deus a presença de uma pessoa em nossas vidas que nos falou d’Ele e nos cativou para a fé é darmos continuidade a esse serviço de evangelização, buscando sempre os meios necessários para lançarmos a boa semente da santidade nos corações dos nossos coetâneos.

Senhor, podeis contar conosco; somos fracos e limitados, mas confiamos na ação do Espírito Santo. Senhor, sabemos que o mundo precisa de Vós, do Vosso sorriso, do Vosso acolhimento e do Vosso amor. Senhor, eis-nos aqui, enviai-nos, pois queremos lançar as nossas redes em águas mais profundas, queremos ser o sal da terra e a luz do mundo e queremos contemplar, ao Vosso lado, os milagres e os frutos da pesca, alegrando-nos Convosco, o primeiro e o maior dos evangelizadores. Senhor, enviai-nos, pois queremos ser Vossos discípulos missionários, portadores de Boas Notícias, comunicadores da verdade e do bem, construtores de um novo mundo, testemunhas credíveis da santidade, da graça divina e da paz.

 

Aloísio Parreiras

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

2020-10-04T19:23:48-03:0004/10/2020|