Guido Schaffer: Um Surfista A Caminho dos Altares

A santidade é o mais belo rosto da Igreja e, por isso, um santo é sempre um sinal da gratuidade do amor de Deus. Ser santo é o desafio que Cristo nos faz no cotidiano da nossa história. A santidade é acessível a todos, e quando é contemplada na vida e nas ações de um jovem, a santidade revela ser um fecundo manancial de fé e de esperança.

Um jovem brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, Guido Schaffer, pode se tornar o primeiro santo surfista. O jovem surfista, médico e seminarista, morreu em 2009, aos 34 anos, enquanto surfava na praia da Barra da Tijuca. Guido foi um jovem que, impulsionado pelo testemunho da vida de São Francisco de Assis, ouviu o chamado de Deus para mergulhar em águas mais profundas, passando assim a enxergar em sua prancha de surf uma oportunidade de apostolado junto aos jovens surfistas.

Por meio da sua correspondência ao chamado de Deus, o jovem Guido percebeu que é possível estar na praia, no mar, surfar, jogar futebol, estar no mundo e, sem ser do mundo, ter amigos, expressar apreço pelos pobres, servir aos mais necessitados e ser santo. A Palavra de Deus, a confissão e a Eucaristia eram os principais meios de perseverança vivenciados pelo jovem Guido. A oração do santo terço era um exercício de santidade de que ele não se descuidava. Expressando o seu amor pela Virgem Maria, ele escreveu: “Ave Maria, Mãe do Puro Amor, dai-nos a graça da obediência e da docilidade à Palavra de Deus, para que, repletos de sabedoria, possamos irradiar a luz de Cristo em nossos corações. Amém.”

No exercício da medicina, o jovem Guido percebeu uma oportunidade de se dedicar ao próximo e, em especial, aos pobres. Ele atuou como clínico geral na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, dedicou-se à Pastoral da Saúde e auxiliou no trabalho das irmãs Missionárias da Caridade no atendimento aos moradores de rua e mendigos. Como a santidade é contagiante, era comum o jovem Guido estar acompanhado de jovens, que faziam parte dos grupos jovens fundados por ele, no serviço aos excluídos. Guido não cuidava só da saúde do corpo, mas também da saúde da alma e, por isso, não perdia oportunidade de falar do amor de Cristo e da importância da fé.

O amor de Cristo no coração do jovem surfista foi transbordante, expansivo. Desse modo, Guido sentiu a necessidade de se preparar para servir a Igreja como sacerdote. Ingressou no Seminário, mas não deixou de surfar e continuou, sempre que possível, jogando bola com os amigos. Na praia, no campo de futebol, no hospital e nas ruas, no atendimento aos pobres, ele continuou anunciando a Palavra de Deus, orientando momentos de oração e ensinando “que todas as nossas ações devem visar o amor de Deus”.

No dia 1º de maio de 2009, Guido estava surfando com um grupo de jovens quando veio a falecer de forma precoce e inesperada. Poucas semanas depois, a sua mãe, dona Nazareth, questionou a um sacerdote: “Eu tinha tanta alegria de dar um filho sacerdote à Igreja. A Igreja precisa tanto de padres, por que isso? ”. Impulsionado pelo Espírito Santo, o sacerdote respondeu: “Alegre-se, Dona Nazareth, pois você deu à Igreja mais que um filho sacerdote; a senhora deu um santo à Igreja! ”.

 

Por Aloísio Parreiras
Escritor e membro do Movimento Emaús

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