HÁ SESSENTA ANOS SOB O MANTO DA MÃE APARECIDA

Nesse aniversário de 60 anos da inauguração de Brasília e da instalação da nossa Arquidiocese, nós somos convidados a resgatar a memória histórica da presença de Nossa Senhora Aparecida na história de Brasília, pois, desde antes da inauguração da nova capital, os bravos e destemidos pioneiros aceitaram o desafio do então presidente Juscelino Kubitschek de edificar a nova capital em mil dias no inóspito Planalto Central do nosso país.

Movidos pela fé em Deus e pela devoção a Nossa Senhora Aparecida, muitos brasileiros aceitaram a missão de lançar as suas redes no meio do nada, no cerrado do Planalto Central, vislumbrando, ao mesmo tempo, uma nova, moderna, ousada e bela capital. Certamente, muitos pioneiros trouxeram em suas malas algumas estampas e imagens de Nossa Senhora Aparecida para alimentar a certeza de que, onde Maria se faz presente, tudo muda e, por isso, movidos pela visão sobrenatural da fé, eles contemplavam a certeza de que, onde havia apenas a poeira vermelha do cerrado, em anos futuros haveria uma cidade planejada que abrigaria um povo determinado, sempre disposto a colaborar na construção de um mundo novo.

Para fortalecer a fé dos candangos, Nossa Senhora Aparecida foi escolhida para ser a Padroeira de Brasília. No dia 3 de maio de 1957, foi celebrada a primeira Missa em Brasília e uma réplica fiel da imagem de Nossa Senhora Aparecida aqui chegou, pelas mãos do Cardeal Dom Carmelo Mota, de São Paulo, após ter visitado todas as capitais brasileiras, evidenciando a certeza de que os candangos não estavam sozinhos, pois Nossa Senhora Aparecida e milhares de brasileiros estavam com eles fortalecendo o cansaço, revigorando as forças e impulsionando a esperança. Esse gesto de unidade era a garantia de que os candangos eram, na construção de Brasília, a representação de todos os brasileiros, os desbravadores que não se limitavam a sonhar. Ao contrário, eles eram os brasileiros que iriam enfrentar os desafios, o frio, os incômodos e a ausência de conforto para que a terra prometida fosse uma mãe acolhedora.

A imagem de nossa Padroeira, naquela celebração, era o sinal visível da unidade nacional na fé, na caridade e na esperança. Era também um alento, um gesto de atenção da nossa Mãe Padroeira para com os candangos que ali, naquele momento, vivenciaram a Festa da comunhão que reacendeu a confiança em Deus e a consciência de que, cada vez mais, deveriam edificar as suas vidas, as suas famílias, o Brasil e a nova capital, enraizados na fé em Cristo e na devoção à Virgem Santa Maria.

Nos precários acampamentos dos operários não havia água encanada, rede de esgoto e muitas outras coisas. Mas, em muitos quartos dos candangos, que em sua imensa maioria era composta por homens, não faltaram as imagens de Nossa Senhora Aparecida, testemunhando que os homens também são devotos da Santa Mãe de Deus. E ali, naqueles modestos acampamentos, na Vila Planalto, na Metropolitana e em outros lugares, os homens candangos iniciaram em Brasília o exercício do terço dos homens.

No ano de 1970, a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida foi inaugurada na imensidão da Esplanada dos Ministérios. Desde aquele mês de maio de 1970, a Catedral resplandece no centro das decisões políticas do país como uma estalagem acolhedora de mãos abertas voltadas para o céu, evidenciando que Deus e Sua bondosa Mãe estão conosco nos caminhos de nossa história. A nova casa da Mãe Aparecida passou então a ser um lugar de encontro, de grandes celebrações, de piedosas manifestações e de veneração a Nossa Senhora, lugar de envio de novas missões e de incontidas expressões de gratidão.

A Catedral de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, no centro da Esplanada dos Ministérios, é um ponto de chegada: chegada dos discípulos de Jesus, chegada de devotos marianos, que habitam nas diversas regiões administrativas do Distrito Federal, que não poupam esforços para visitar a nossa Padroeira em sua Casa. É também um ponto de chegada dos servidores públicos que, na hora do almoço, conseguem reservar um tempo precioso para participar da Santa Missa. A Catedral de Nossa Senhora da Conceição Aparecida é principalmente um singular ponto de partida: ponto de partida dos missionários que irão continuar zelando pelos exercícios da piedade mariana; ponto de partida dos fiéis que revigoram suas baterias para continuar servindo à Igreja, participando da difusão da lógica e do estilo da caridade autêntica.

Por ser um belo ponto de partida, todas as vezes que nós deixamos a Catedral de Brasília e voltamos para nossas casas, acompanha-nos a certeza de que o nosso Redentor e Sua Mãe permanecerão sempre conosco no cotidiano de nossas vidas, até o término da nossa história, fortalecendo a graça divina em nossas almas. Acompanha-nos, também, a certeza de que o nosso Redentor e a nossa Padroeira desejam que as nossas mãos permanceçam sempre mais abertas para a oração, a caridade, o serviço, o acolhimento, a ternura e o aprendizado da misericórdia.

Hoje, no Distrito Federal, além da Catedral, existem paróquias dedicadas a Nossa Senhora Aparecida em Planaltina, Sobradinho (Fercal), Sobradinho II, São Sebastião, PADEF, Gama e Samambaia. Mas, de alguma forma, podemos afirmar que Nossa Senhora Aparecida está sempre presente nos corações do povo brasiliense. Expressão dessa devoção para com a nossa Mãe é a celebração da Festa da nossa Padroeira que, desde o ano 2000, é celebrada no dia 12 de outubro, no gramado da Esplanada dos Ministérios. Essa Festa é uma manifestação pública do nosso amor para com a Virgem Maria. É também um testemunho visível da certeza de que Maria cuida de nós, assim como cuidou do Menino Jesus, da casa de Nazaré, dos Apóstolos e dos discípulos de Cristo.

Por ser a Mãe da esperança, Nossa Senhora da Conceição Aparecida é a estrela da manhã que nos conduz pelos caminhos da humildade e da caridade, em direção ao Porto seguro que é Cristo. Ela, a Virgem fiel, nos ensina a seguir o seu Filho com renovada convicção e com a santa ousadia da fé. Que Ela continue nos auxiliando na correspondência ao amor de Cristo e nos inspirando na construção de uma Brasília mais solidária, humana e cristã.

            Nossa Mãe e Senhora Aparecida foi, sem sombra de dúvidas, a Mãe da esperança que ajudou os candangos a superarem as dificuldades e o cansaço nos mil dias da construção da nova capital. Foi e é a Mãe da Igreja nesses 60 anos da Arquidiocese de Brasília e é hoje a Mãe da unidade, da caridade e da misericórdia que nos fortalece na vivência da fé e no aprendizado cotidiano da santidade, em sintonia com Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela continua nos incentivando a perseverar no itinerário da justiça e na alegria do Evangelho, a fim de que possamos, de algum modo, continuar edificando no Planalto Central do nosso país uma civilização onde o amor, a bondade e a presença de Deus sejam um sinal visível da comunhão entre os povos.

Mãe Aparecida, amada Padroeira, queremos permanecer sob o vosso manto evangelizando o Distrito Federal com o terço na mão e o vosso nome em nosso coração! Mãe Aparecida, abençoai-nos e protegei-nos!

Aloísio Parreiras

2020-04-18T11:41:27-03:0020/04/2020|