I DOM ADVENTO 28/11

Dom Paulo Cezar Costa

Arcebispo de Brasília

 

A vossa libertação está próxima

O ser humano é um ser que espera, espera para esta vida, e possui a esperança para além desta vida, para a eternidade. Esta realidade faz parte da nossa constituição antropológica. Este tempo de preparação para o Natal do Senhor, o Advento, quer despertar esta realidade em nós. A Igreja, como uma mãe, quer gerar em nós a dinâmica da espera.

A liturgia deste primeiro domingo coloca, diante de nós, o texto de Lc 21, 25-28.34-36. Jesus fala da sua segunda vinda. A linguagem é a apocalíptica do Antigo Testamento: sinais no sol, na lua e nas estrelas. Sinais que aparentemente nos causam medo. Mas a vinda de Jesus Cristo, o Filho do Homem, será para a nossa libertação. É Aquele que nós amamos, testemunhamos e seguimos que virá, não é outro. Quem durante esta vida O testemunhou e seguiu receberá a sua recompensa; mas quem O rejeitou poderá ser rejeitado também por Ele.

O Evangelho fala das atitudes que o discípulo deve ter: “tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida…” (Lc 21, 34). O discípulo deve estar atento para não se tornar insensível. A falta de sensibilidade nos impede que perceber os sinais, de ter uma visão mais profunda da realidade, das coisas. Gula, embriaguez e preocupações da vida significam a vida cotidiana, e o texto bíblico nos alerta do perigo de se ficar com a consciência anestesiada por causa das preocupações.  A posição do discípulo de Jesus Cristo deve ser a de atenção nas pequenas e grandes coisas da vida do dia a dia para não cair na insensibilidade.  Neste caminho, a oração é apresentada como atitude que dispõe o homem a saber reconhecer os sinais de Deus. É a oração que nos faz ver os acontecimentos na dimensão de Deus.

“Levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”. Este é o grande convite para nós neste tempo do Advento.  Levantar é a atitude do homem que se coloca com confiança diante do Senhor, pois sabe que não está diante de um juiz, mas Daquele que ele seguiu, amou e dedicou toda a vida. Erguer a cabeça significa a atitude de quem confia, espera, pois é Deus que veio e que vem para libertar o ser humano do fechamento em si mesmo, do pecado e da morte, abrindo a existência ao absoluto, pois o ser humano foi criado por Deus e para Deus.

O Advento quer suscitar em nós esta dinâmica de espera, quer nos livrar do perigo do anestesiamento com as preocupações e as diversões da vida que nos fazem esquecer que nossa realização última não está neste mundo.

Vivamos abertos à grande Esperança que sustenta a vida humana, que é Deus mesmo, que veio a nós naquela criança simples e humilde, e que acolhemos sempre que celebramos o Natal.