IDE ANUNCIAR O CRISTO RESSUSCITADO

A ressurreição de Jesus, a Sua vitória definitiva sobre o pecado, a morte e o mal, é um farol sempre aceso que nos ajuda a não nos perdermos nas horas de escuridão e nas tempestades da História, pois, em diversos momentos da vida, sombras atingem as portas de nossas casas, invadem nossos pensamentos e balançam a nossa segurança, planos e sonhos.

Nestes nossos dias onde enxergamos claramente as sombras da morte no tsunami pandêmico da Covid-19, na guerra entre a Rússia e a Ucrânia e nas atitudes egoístas de tantas pessoas, nós, os discípulos missionários de Jesus, somos desafiados a comunicar as razões da nossa fé, a fim de que possamos cumprir a missão de evangelizar com novos métodos e novas expressões.

Alegria, esperança, entusiasmo e resiliência são palavras chaves que devem ser transmitidas pelos fiéis cristãos nos diversos ambientes onde se fazem presentes inúmeros seres humanos que estão cansados, tristes, deprimidos e infelizes. No exercício dessa missão, nesse feliz anúncio da vitória da vida sobre a morte, não devemos ter medo de professar os sinais da nossa fé. Devemos, sim, ter a coragem de anunciar o amor do Cristo Ressuscitado, porque Ele é a nossa paz; afinal, foi Ele quem construiu a paz com o Seu amor, o Seu perdão, o Seu Sangue e a Sua misericórdia.

O envio missionário de Cristo, “Ide e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15), é, em sua essência, a missão que foi implantada no coração dos Apóstolos pelo Senhor Jesus e fecundada pelo poder vivificador do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Essa missão se expressa pela decisão irrevogável de gastar a nossa vida e empenhar os nossos dons no testemunho da Boa Nova da Salvação. Deste modo, mesmo diante dos desafios do nosso tempo, mesmo diante do risco de cancelamentos e de perseguições, nós propagaremos a fé cristã na medida em que levarmos em nós, em todos lugares e em todas as circunstâncias, os sinais do Cristo vivo e ressuscitado que brilha esplendoroso no horizonte de um novo dia. Agindo assim, com coerência e santidade, de alguma forma, todos aqueles que se encontrarem conosco poderão afirmar: “Vi o Senhor!”. (Jo 20, 18).

Contemplando os desafios que precisamos enfrentar na vivência cotidiana da fé, podemos afirmar que “os tempos estão incontestavelmente perigosos”. (2 Tm 3,8). Por isso, devemos buscar no encontro com a Palavra de Deus e na recepção dos sacramentos, em especial, a Eucaristia e a Reconciliação, a inspiração necessária para o exercício da criatividade inovadora que nos ajuda a superar o medo e a desesperança com a força da oração, da compaixão, do altruísmo e da ternura que se expressa por meio da caridade.

Permanecendo no Amor do Senhor, nós procuraremos o apoio dos irmãos na fé, para reforçar os laços fraternos como membros de uma só família, a fim de que possamos, em comunidade, estender as nossas mãos a todos aqueles, jovens e adultos, sãos e enfermos, ricos ou pobres, que carecem de acolhimento, de perdão, de apoio, de incentivo, de amizade e de confiança. Nesta empreitada, devemos fazer um super time com a assistência do Espírito Santo que sempre nos inspira a lançar as redes em águas mais profundas, com a consciência de que “se a Igreja não for para a rua, acabará adoecendo com o ar viciado”. (Papa Francisco).

O convívio em comunidade reforçará a nossa consciência de que nascemos para conhecer, servir e amar a Deus e ao próximo. Por meio do nosso batismo, nascemos também para evangelizar, para anunciar o Cristo ressuscitado que passou pela Cruz, que deu Sua vida por nós e nos trouxe a vida eterna.

Por sermos batizados e enviados, nós temos a noção de que, no serviço da evangelização, podemos encontrar diversos obstáculos: falta de recursos materiais, perseguições e a insana propagação das ideias niilistas e relativistas que tentam erradicar a força da Verdade, tentando justificar os erros em nome de uma falsa liberdade.

Para superar o mal com a generosidade do bem, devemos reforçar nossa confiança no Senhor, que nunca nos desilude. Unidos ao Cristo, iremos acolher ao nosso próximo que retorna à vida da Igreja, expressando a certeza de que uma das mais belas vitórias é levantar-se depois de ter caído. Iremos, de um modo singular, aos jovens, buscando estar perto deles por meio da internet e das mídias sociais, mas, também, promovendo encontros e cursos de valores humanos e cristãos que aqueçam os seus corações com a chama do Amor que precisa ser amado. Dessa maneira, seremos aprendizes das virtudes humanas da paciência, da constância, da perseverança e da audácia que nos capacitam para o serviço do Evangelho, evidenciando que é do mistério pascal de Cristo que nasce a Igreja, e nasce com a força apostólica destinada a transformar o mundo.

Ide anunciar o Cristo ressuscitado! Ide com ousadia, santidade e esperança! Este anúncio é o fermento da vida nova, da vida divina que emana de um Sagrado Coração que não quer que fiquemos parados olhando para o céu.

Somos animados, renovados e acompanhados pelo Espírito Santo que nos fortalece no anúncio do nome e do amor de Jesus Cristo por onde quer que estejamos, afastando o medo e impelindo-nos a sair do Cenáculo para vivermos a realidade da Igreja em saída que não poupa esforços para alcançar os batizados que estão longe da Casa do Pai.

Acompanha-nos nesse bom combate, a Virgem Santa Maria, a primeira testemunha da ressurreição do Senhor. Ela é a nossa inspiração no serviço missionário e, por isso, a Ela confiamos os nossos bons propósitos de passarmos pelo mundo fazendo o bem.

Aloísio Parreiras

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)