IGREJA: CASA DA MISERICÓRDIA

A Igreja Católica Apostólica Romana, sinal visível do Cristo, é a casa da misericórdia: como é bela essa realidade da fé para a nossa vida! Por ser amor, Cristo deseja que todos nós participemos da vida da Igreja, pois é ali, no seio da Igreja, no coração de Jesus, que a graça divina atinge cada ser humano e a Providência abraça a todos.

A misericórdia é um atributo de Deus, é a expressão do amor divino que vem ao encontro da nossa debilidade, das nossas dúvidas e da nossa falta de fé.  “A misericórdia divina é uma grande luz de amor e de ternura; é a carícia de Deus nas feridas dos nossos pecados”. (Papa Francisco, Homilia na Capela da Casa Santa Marta, em 07 de abril de 2014).

É na Igreja que somos convocados a proclamar e testemunhar a misericórdia. É também na Igreja – depositária e dispensadora da misericórdia – que somos convidados a descobrir as fontes da misericórdia que Cristo nos confiou e, por isso, quando participamos da vida da Igreja, nós experimentamos a misericórdia de Deus e abrimos cada vez mais o coração à misericórdia superabundante de Cristo, com o firme propósito de vivenciar a santidade sem reservas. Quando albergamos no coração a misericórdia de Deus, nós saímos de nós mesmos e partimos ao encontro dos irmãos. Essa atitude é consequência da percepção de que, quando alcançamos a misericórdia, temos o grato dever de sermos misericordiosos para com o nosso próximo.

Quando mergulhamos nas fontes da misericórdia de Deus, nós percebemos que, mesmo nos momentos mais sombrios, nas noites mais escuras, Cristo está conosco, caminha conosco e aquece o nosso coração com a Sua presença. Quando alcançamos a revelação de que Cristo é amor e misericórdia, a nossa existência adquire um novo referencial, pois “o autêntico conhecimento do Deus da misericórdia, Deus do amor benigno, é a fonte constante e inexaurível de conversão, não somente como momentâneo ato interior, mas também como disposição permanente, como estado de espírito”. (Papa João Paulo II, Encíclica Dives in misericórdia, nº 13).

Graças à revelação de Cristo, nós sabemos que Deus é um Pai justo e misericordioso. Ele é o perdão que nos acolhe no sacramento da Reconciliação, a Fonte da Graça que nos alimenta com a Eucaristia e o Manancial dos dons que sacia a nossa sede de vida eterna.  Quando acolhemos essas fontes da misericórdia, passamos a integrar a comunidade cristã, que é um lugar de santidade onde a vivência da misericórdia se traduz no impulso de uma evangelização renovada.

Quando saímos de nós mesmos e abandonamos todas as formas de egoísmo, nós adquirimos a consciência de que a Igreja é a comunidade da misericórdia. Deste modo, por sermos membros da Igreja, nós somos arautos da misericórdia que, em nome de Cristo, não poupam recursos para dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar abrigo aos peregrinos, assistir aos enfermos; visitar os presos e enterrar os mortos. Por sermos membros da Igreja, diante das necessidades do nosso próximo, nós devemos ver, sentir compaixão e cuidar, ou seja, devemos ser samaritanos nos devidos cuidados.

É o próprio Cristo quem nos exorta a continuar o serviço de apoio aos excluídos e aos marginalizados, por meio das obras de misericórdia corporais. Mas Ele também nos convoca ao aprendizado das obras de misericórdia espirituais: dar bom conselho; ensinar os ignorantes; corrigir os que erram; consolar os aflitos, perdoar as injúrias e rogar a Deus pelos vivos e pelos defuntos. Todos nós, dentro de nossas possibilidades e dons, podemos e devemos ser discípulos missionários da misericórdia que conservam o espírito de solidariedade que aprendemos de Cristo. A caridade, dom inefável do Espírito Santo, encontra no exercício da solidariedade o seu necessário fundamento e a possibilidade da sua máxima expressão.

A misericórdia de Cristo é um mistério de amor que não pode ser expresso em meras palavras. Essa é a principal lição acerca da misericórdia que nos tem sido transmitida pelos últimos Papas. Com o Papa João Paulo II, nós descobrimos que Deus é rico em misericórdia e, atualmente, com o Papa Francisco, temos aprendido que a misericórdia divina “é um amor que não falha, que sempre segura a nossa mão, nos sustenta, levanta e guia”. Por conseguinte, somente pelo exercício da oração – grito de súplica à misericórdia divina – estamos capacitados para o sólido testemunho da misericórdia nos ambientes que frequentamos.

Em oração, peçamos ao Cristo a graça de vislumbrarmos sempre mais os sinais da Sua misericórdia em nossa vida, pois hoje, amanhã e sempre, Ele continua realizando maravilhas em nossa história. Por crermos na misericórdia de Deus, que se expressa plenamente na Igreja da misericórdia, nós nos educamos para uma relação intensa com Ele, para o exercício de uma oração que não é esporádica, mas constante, cheia de confiança na misericórdia divina, capaz de iluminar a vivência cotidiana da nossa fé. Por crermos na misericórdia de Cristo, nós clamamos: Senhor, que a Vossa misericórdia esteja sempre conosco. Em Vós esperamos. Continuamos a esperar unicamente em Vós, ó Cristo, Filho da Virgem Maria, nosso Deus adorado e amado, Fonte suprema da misericórdia. Vinde, Senhor Jesus, em nosso auxílio, fortalecei a nossa esperança e incrementai a nossa justiça! Ensinai-nos, Senhor, a sermos misericordiosos, como Vós sois misericordioso!

Aloísio Parreiras

2020-06-09T15:19:05-03:0009/06/2020|