IGREJA: O SINAL VIGREJA: O SINAL VISÍVEL DO CRISTOISÍVEL DO CRISTO

A Igreja é o sinal visível do Cristo invisível, é o Corpo Místico de Cristo e é a
Sua esposa que anuncia e testemunha os sinais do nosso Redentor, vivo e ressuscitado,
em nosso meio e, por isso, a Igreja é muito mais que uma instituição humana. A Igreja é
“um povo reunido em virtude da unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. (São
Cipriano).
Uma das características da Igreja é a santidade, e não poderia ser diferente, pois
Cristo a santifica continuamente com a Sua graça e o Espírito Santo trabalha, sem
descanso, em sua renovação, com os Seus dons e carismas. Sendo a Igreja santa, a
vocação para a santidade é o objetivo, a meta principal de cada cristão. Assim, “para o
cristão, o combate espiritual, diante de Deus e de todos os irmãos na fé, é uma
necessidade, uma consequência da sua condição. Por isso, se algum de nós não luta, está
traindo Jesus Cristo e todo o Seu Corpo Místico que é a Igreja”. (São Josemaría Escrivá,
É Cristo que passa, nº 74).
A Igreja pode ser comparada “com uma rede lançada ao mar e que apanha
peixes de todo tipo”. (Mt 13, 47). Ou seja, a Igreja é composta por seres humanos que
percorrem o caminho da fé, no cotidiano da História, entre sombras e luzes, combatendo
o bom combate da santidade a fim de vencer o pecado, o mal e o egoísmo. Em outras
palavras, a Igreja é Santa, mas constituída por membros pecadores. Desse modo, a
Igreja vive na luta entre o pecado de seus membros e a santidade de Cristo que nela
habita; afinal, “a Igreja reúne no seu próprio seio os pecadores e, sendo ao mesmo
tempo santa e sempre necessitada de purificação, avança sem cessar pelos caminhos da
penitência e da renovação”. (Lumen Gentium, nº 8).
Afirmar que a Igreja é santa não implica que nela não haja pecadores. Como
sabemos, desde os primeiros séculos da era cristã, encontramos sombras que são
consequências da debilidade humana, pois, nós batizados, membros da Igreja, somos
humanos, falhos, limitados, frágeis e imperfeitos e, por isso, necessitamos da
misericórdia divina. Precisamos também da correção fraterna e do acolhimento dos
irmãos, pois “quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele”. (1Cor 12,
26).
Os pecadores, – e todos nós somos pecadores – desde que não abandonem a fé ou
a obediência à hierarquia da Igreja, continuam sendo seus membros, pois Cristo veio
exatamente para salvar os doentes, os pecadores que precisam ser reconquistados
mediante a expressão da caridade.
A luta pela perseverança na santidade e pela contínua pertença ao Corpo Místico
de Cristo é um desafio cotidiano, pois “a Igreja prossegue entre as consolações de Deus
e as perseguições do mundo”. (Santo Agostinho, A cidade de Deus). Dessa maneira,
uma Igreja que não enfrenta qualquer contratempo ou dificuldade está incompleta, pois
nela está faltando algo e, por isso, não está em sintonia com o Cristo que nos diz: “Se
perseguiram a mim também hão de perseguir a vocês”. (Jo 15, 20).

Por ser a Alma da Igreja, é o Espírito Santo quem constrói e solidifica a
harmonia e a perfeição na vida da Igreja, evidenciando que uma Igreja de portas
fechadas destrói quem está dentro e uma Igreja que não está em saída em pouco tempo
fica cheirando a mofo e exalando ácaros.
A Igreja é um povo de fortes, uma comunidade em saída que visita as periferias
humanas e existenciais, professando a certeza de que “Cristo amou a Igreja e se
entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra,
para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro
defeito semelhante, mas santa e irrepreensível”. (Ef 2, 25).
A Igreja é e sempre será santa, em primeiro lugar, porque Cristo, que é a Cabeça
da Igreja, é o Santo por excelência. Por ser pleno de amor, Cristo nos legou uma
doutrina santa, os Seus ensinamentos, os Sacramentos e os meios necessários para
galgarmos a perfeição. Dessa maneira, a santidade da Igreja consiste naquela força de
santificação que o nosso Redentor exerce nela, apesar da nossa tendência para o mal, o
pecado e as concupiscências.
Para vivermos a santidade sem reservas, nós não precisamos fugir das realidades
do mundo. Ao contrário, devemos permanecer no mundo testemunhando que a Igreja
não é feita apenas de regras a serem seguidas, de mandamentos e de proibições, mas,
sim, de homens e mulheres, crianças, jovens e adultos que são modelos de vida e
praticam a comunhão e as obras de misericórdia.
Na vivência da comunidade da Igreja, nós reconhecemos nossos erros e
professamos que, somente em Cristo, podemos encontrar as orientações claras e
precisas que demonstram que o caminho da fé é um caminho tortuoso, mas a Igreja, por
ser uma bondosa mãe, está sempre disposta a correr atrás das ovelhas perdidas. Agindo
assim, a Igreja segue em frente, em paz, com júbilo e entusiasmo, entre as consolações
de Deus e as perseguições do mundo. Por conseguinte, “que alegria poder dizer com
todas as forças da minha alma: Amo a minha Mãe, a Santa Igreja!”. (São Josemaría
Escrivá, Caminho nº 517).
Apesar de sermos pecadores, somos membros da Igreja que é sempre santa e,
por isso, trazemos em nossas almas o nobre desejo de conhecer e amar sempre mais essa
instituição divina, sobretudo quando muitos se agitam tentando ocultar a sua
importância e a sua beleza. A Igreja é a comunidade dos fiéis, pois ninguém é cristão
sozinho: somos cristãos na Igreja e pela Igreja.
A Igreja “é santa no seu Fundador, nos seus meios e na sua doutrina, mas
formada por homens pecadores; temos que contribuir para melhorá-la, e ajudá-la a uma
fidelidade sempre renovada, que não se consegue com críticas corrosivas”. (São João
Paulo II, Homilia em 7 de novembro de 1982). Senhor, eis-nos aqui, pode contar
conosco no serviço missionário da fé, no anúncio do Evangelho e no testemunho da
santidade nos diversos ambientes sociais. Maria, Mãe de Deus e da Igreja, rogai por
nós!

Aloísio Parreiras

2020-07-30T17:33:05-03:0030/07/2020|