III DOM DO ADVENTO

Dom Paulo Cezar Costa

Arcebispo de Brasília

 

E nós, o que devemos fazer?

Neste terceiro domingo do advento, temos novamente diante de nós a figura de São João Batista. Se no domingo passado, encontramos João no deserto que pregava a conversão, hoje, ele concretiza a conversão (Lc 3, 10-18). Cada categoria de pessoa pergunta a João o que devemos fazer, e ele mostra que a mudança de vida deve tomar forma concreta nas pequenas e grandes atitudes da vida. O Evangelho apresenta as multidões, cobradores de impostos e soldados que perguntam ao profeta: Que devemos fazer?

A pergunta o que devemos fazer, lança a existência no plano das atitudes concretas. Kant já dizia que à pergunta o que devo fazer, a resposta é dada pela moral, isto é, entra-se na área do nosso agir, das nossas atitudes concretas.

São João Batista aponta para cada categoria concreta de pessoas atitudes que mostrem conversão. Ele não aponta ritos penitenciais, abluções, etc. À multidão ele responde: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo” (Lc 3, 11). À multidão ele aponta o caminho da divisão, do ir ao encontro de quem não tem, de quem se encontra necessitado. Aos cobradores de impostos: “Não cobreis mais do que foi estabelecido”, isto é, não roubeis, não deixai vos levar pela ganância, pela corrupção.  E aos soldados responde: “não tomeis a força dinheiro de ninguém, nem façais falsas acusações; ficai satisfeitos com o vosso salário”.   A conversão torna-se realidade na nossa vida quando pequenas e grandes mudanças começam a acontecer. Esta pergunta das diversas categorias de pessoa chega até nós hoje. Cada um (a) deve se perguntar: o que devo fazer?  Elas são exemplares que devem indicar para cada um de nós a estrada do amor, o sair do egoísmo e começar a trilhar o caminho do amor. A conversão acontece na nossa vida sempre que passamos do desamor ao amor, do egoísmo ao amor. A existência se realiza sempre que nos abrindo ao amor. O amor dá asas á existência, o egoísmo nos fecha na nossa mesquinhez.  Este é o esforço que cada um de nós deve fazer, se queremos que a Palavra de Deus toque a nossa vida.

São João Batista mostra ao povo que ele não é o Messias. Ele batiza com água, mas o Messias é aquele que batizará com o Espírito Santo.   Com o Messias chega o juízo. Mas o juízo é uma realidade que vai acontecendo no hoje da nossa vida, da nossa história. Diante de Jesus, o Salvador, todo homem, toda mulher são chamados a tomar decisão. Não se pode ficar indiferente: “Ele virá com a pá na mão: vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga” (Lc 3, 17).

Peçamos a graça, neste domingo, que a pergunta de São João Batista nos alcance onde nos encontramos. Esta pergunta é sempre atual: E nós, o que devemos fazer?  Que esta interrogação nos ajude a nos colocarmos numa atitude de mudança, de conversão.