IV DOMINGO DA QUARESMA

A PALAVRA DO PASTOR

+ Dom Paulo Cezar Costa

O amor de Deus por nós

O Evangelho da liturgia deste quarto domingo da Quaresma (Jo 3, 14 – 21), nos apresenta a figura de um chefe do judaísmo que se encontra com Jesus: Nicodemos. Nicodemos era um membro do sinédrio judaico . Ele representa o judaísmo oficial que se encontra com Jesus Cristo. A cena acontece em Jerusalém. É muito interessante o discurso que Jesus faz para Nicodemos. Jesus coloca Nicodemos numa perspectiva nova, pois ele vivia sob o regime da Lei, mas Jesus o coloca diante do “crer no Filho do Homem”. No deserto, os israelitas feridos mortalmente pelas picadas de serpente eram salvos, se olhavam para a serpente de bronze. Assim, quem crer no filho do Homem levantado na cruz recebe a vida eterna. Não é mais o cumprimento minucioso da Lei que salva a pessoa humana, mas a fé em Jesus Cristo. É crendo Nele que se tem a vida eterna. A vida eterna é uma Pessoa. Quem tem Jesus, tem a vida eterna, quem rejeita conscientemente Jesus, rejeita a vida eterna. A missão salvífica de Jesus Cristo exige uma correspondência que se dá por meio da fé.

O envio do Filho, Jesus Cristo, manifesta o amor misericordioso de Deus: “Deus amou tanto o mundo que, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 17). O envio do Filho, Jesus Cristo, manifesta o amor do Pai por nós. Deus não nos deu qualquer coisa, mas nos enviou o seu Filho amado. O envio do Filho manifesta quem é Deus, nos faz olhar para o ser de Deus, nos faz perceber quem é Deus: Deus é amor (1Jo 4, 8. 16). É o amor de Deus que vence a barreira do pecado existente entre o mundo e Deus. Crendo no Filho, pela fé no Filho de Deus, o ser humano tem já a vida eterna. A vida eterna é uma realidade que já se tem hoje pela fé. Seguir Jesus Cristo é participar, de algum modo, da realidade escatológica  Dele, é entrar nessa dinâmica de vida que já opera no presente da história. O cristão, pelo  batismo, é inserido no mistério da morte e ressurreição de Cristo. Ele já trás na sua pobre carne a vitória de Cristo.

O Evangelho, na parte final, trabalha a imagem da luz (Jo 3, 19 – 21). Jesus é a luz que veio ao mundo. Ele é a luz do mundo. O jogo de palavras “luz e trevas” é usado para expressar a decisão por Cristo ou contra Cristo. A decisão pela luz ou pelas trevas se mostra através das ações. Os que preferem as trevas realizam ações más, os que seguem a luz realizam suas ações segundo a verdade para que se manifeste que suas ações são feitas em Deus.

São Paulo, falando aos Efésios, vai dizer que “Deus nos ressuscitou com Cristo e nos fez sentar nos céus, em virtude de nossa união com Jesus Cristo” (Ef 2, 6).  Que a nossa união com Cristo se manifeste através de nossas boas ações, na certeza de que Cristo mesmo será a nossa recompensa eterna.

2021-03-16T18:13:46-03:0016/03/2021|