Jesus? Quem é Ele?

O Evangelho desta quinta-feira da 6ª Semana do Tempo Comum lança uma reflexão crucial para a fé de todo cristão: Quem é Jesus? Qual lugar Ele ocupa na minha vida? Com tantas vozes que se misturam e gritam por atenção na atualidade, o Senhor se manifesta no silêncio eloquente, no escondimento aparente, na simplicidade que irradia.
Jesus? Quem é Ele? A pergunta que foi feita pelo próprio Mestre aos seus discípulos, buscando levá-los à reflexão de quem as pessoas da época diziam que Ele era; para nós, hoje, é quase que um exame de consciência que nos impele a perguntar qual lugar estou dando para Jesus na minha vida, na minha história, no meu dia a dia, na minha existência.
As várias vozes também se levantavam no tempo de Jesus e, muitas vezes, confundiam o povo quanto à verdade de seus conteúdos. Por isso, muitos, como responderam os discípulos, viam Jesus como um grande profeta, um eloquente pregador, uma figura reformista da comunidade. Mas a experiência pessoal com Cristo leva à verdade, pois os discípulos professam: Tu és o Messias! Sentar-se aos pés do Mestre, escutá-Lo, ver suas ações, sentir com Ele… tudo isso só pode ser realidade se se cria intimidade.
O Papa Francisco, desde o início do seu pontificado, tem alertado a humanidade sobre a grande crise humana que gera as relações descartáveis e superficiais. Não é à toa que, hoje, a solidão ensurdecedora gera tantos males psicológicos nas pessoas: rodeados de muitos, acabamos,
por vezes, estando sozinhos! Mas, por que sozinhos se temos a possibilidade de termos a companhia do melhor dos amigos? Nosso Senhor deseja ardentemente estar com o homem, não porque Ele é incompleto: pelo contrário, na perfeição de sua divindade, o amor é tão completo que transborda de
Si e chega ao homem como objeto de seu amor.
Por isso, podemos, novamente, nos perguntar: Jesus? Quem é Ele? O Papa Francisco nos ajuda a responder essa pergunta em tom bastante pessoal de diálogo com o Cristo: “Quem sou Eu para ti, que acolheste a fé, mas ainda tens medo de te fazeres ao largo da minha Palavra? Quem sou Eu para ti, que és cristão há tanto tempo, mas que, desgastado pelo hábito, perdeste o primeiro amor? Quem sou Eu para Ti, que vives um momento difícil e tens necessidade de despertar para recomeçar?”
“É isso que interessa ao Senhor: estar no centro dos nossos pensamentos, tornar-se o ponto de referência dos nossos afetos; ser, em síntese, o amor da nossa vida. Não as opiniões que temos sobre Ele: isto não lhe interessa. A Ele interessa o nosso amor, se Ele está no nosso coração.” E, o Senhor repreende os discípulos para que não falassem sobre a descoberta deles para ninguém, naquele momento. Mas, por que? Se ele, como diz o Papa Francisco, quer ser o centro de nossa vida, por que, naquele momento, não sair dizendo a todos quem Ele era? Porque não são as nossas opiniões que valem, mas sim a experiência. O encontro com o Senhor não seria em meio às vozes barulhentas de tantos que falavam de si, faziam referência à sua mensagem, mas sim, numa experiência.
A nós também, na atualidade, o Cristo quer nos encontrar na experiência. Há dois milênios, Ele tem se manifestado ao homem em sua pessoalidade, seja por meio do encontro pessoal com Ele na oração, seja neste mesmo encontro pessoal, por meio dos Sacramentos e de sua Palavra que Ele mesmo deixou sob a autoridade da Igreja.
Os homens, as letras, as ações, as vozes… tudo isso é instrumento. O Caminho, a Verdade e a Vida são Ele, vêm Dele. Seu Corpo Místico, a Igreja, dispõe de uma autoridade imensurável dada por Ele, para comunicar a sua voz. Portanto… Jesus? Quem é Ele? O encontro não com uma ideia,
mas com uma pessoa, só se dará quando formos aqueles que dão morada para Aquele que, nascendo em uma manjedoura e morrendo numa cruz, não se abstém de habitar no nosso coração, que é mais pobre do que a manjedoura e, por vezes, mais violento do que a Cruz. Deixemo-nos, pois, ser alcançados e amados por Ele.