JOVEM, EU TE ORDENO, LEVANTA-TE!

Jovem, na natureza encontramos vários animais e inúmeros insetos que possuem hábitos noturnos, entre eles, a coruja, o morcego, o porco espinho, a maioria das cobras, os escorpiões, as aranhas e as baratas que durante o dia desaparecem, escondendo-se nas caixas de esgoto, nas frestas das paredes ou dos muros; mas, com o cair da noite, esses animais e esses insetos se transformam, assumindo atitudes de ataque, de observação e de acomodação a qualquer lugar do tamanho apropriado às suas necessidades.

Assim como esses animais, em nossa sociedade ocidental muitos jovens são, hoje, pessoas de hábito noturno, pois cultuam a noite e menosprezam o dia. Esses jovens não admitem acordar cedo, sentem incômodo com a luz e preferem fazer das horas do dia boas horas de descanso em preparação para as armações que são realizadas na calada da noite.

Trocar as horas do dia pelas horas da noite em todos os finais de semana e em todas as etapas de nossas vidas pode ser um perigoso sinal de que estamos nos acostumando com as trevas, com a ausência da luz. Essa atitude deve ser banida, deve ser eliminada do nosso meio; afinal, “todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite, nem das trevas!” (1Ts 5,5).

Se pararmos para pensar, orientados pela virtude da esperança, iremos perceber que é na calada da noite que se manifestam as mais variadas e sórdidas formas de ódio, de violência, de egoísmo, de mentira, de exploração do ser humano e de aniquilamento do outro. É na calada da noite que há uma exposição clara da escravidão enganadora do pecado. É na calada da noite que muitos seres humanos desprezam a graça de Deus e se desumanizam, chafurdando na lama fétida do desamor. É na calada da noite que os homens que nasceram para ser imagem e semelhança de Deus perdem sua dignidade pelo mau uso de sua liberdade, ao dar ouvidos às palavras do filósofo Nietzsche: “Irmãos, permanecei fiéis à terra!”.

Saiba que para sair dessa estrutura que o conduz ao pecado e ao desamor é urgente crer que é Jesus Cristo quem nos liberta do pecado e da morte e nos desperta para a vida eterna. Creia que “quem confia em Deus, o Senhor, é envolvido por graça e perdão”. (Sl 31,10). Por ser seu companheiro de caminhada nesse itinerário da fé, eu lhe peço: faça bom uso de sua capacidade intelectual e perceba cada vez mais que você não se libertará sozinho de tudo aquilo que o conduz ao orgulho e ao egoísmo, pois você e eu, todos nós, carecemos da obra salvífica de Cristo. Dê o primeiro passo para romper com os vícios que o prendem às trevas do pecado, reconhecendo suas fraquezas e suas limitações; prossiga em seu exame de consciência e sinta o verdadeiro arrependimento em seu íntimo; procure um sacerdote e confesse todos e cada um de seus pecados no sacramento da reconciliação.

Nesse processo de retorno à casa do Pai, procure ter cuidado para não se limitar à superficialidade, ou seja, não se limite a dizer: “Eu não tenho jeito, sou um pecador!” Saia dessa superficialidade e mergulhe na essência, procurando desvendar, em detalhes, o que o conduz ao pecado; não se canse de se questionar: “De que tipo de escravidão eu preciso ser libertado? O que ainda me afasta do amor de Deus? Onde fui fraco e cedi às pequenas coisas que me conduziram a esse abandono do amor?” Ao obter essas respostas, escute a suave voz de Cristo a lhe dizer: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” (Lc 7,14). Estenda a sua mão, segure com firmeza na mão do nosso Redentor e diga à sua própria alma: “Como por livre vontade vos desviastes de Deus, agora, voltando, buscai-o com zelo dez vezes maior!” (Br 4,28). Diga também: “Desperta, minha alma, desperta, despertem a harpa e a lira, eu irei acordar a aurora!” (Sl 56,9).

Em íntima união com Jesus Cristo, nós percebemos a beleza do dia, a nostalgia do desabrochar das flores, o suave canto dos pássaros e o ardor do sol que nos envolve. Em Cristo e por Cristo, somos filhos da luz que aprendem a professar que “quando os homens se abrem à luz de Deus, passam por sua vez a dar luz!” (Homilia do Cardeal Joseph Ratzinger, em 18 de junho de 1993).

Amigo jovem, não abra mão da vivência do amor de Cristo! Viva como um filho de Deus que foi redimido pela luz que emana da ressurreição de Jesus! Peça com afinco a Nossa Senhora, Refúgio dos pecadores, que obtenha para você, do nosso Salvador, uma delicadeza de consciência que o leve a repudiar toda e qualquer forma de pecado e a ter constantemente um grande apreço pela graça habitual que nos faz participantes da vida divina! Diga hoje e sempre à nossa amada Mãe: Obrigado, Santíssima Virgem, por nos ensinar a vencer o pecado, pois é graças à sua poderosa mediação que podemos clamar: “Nós também abraçamos a fé em Jesus Cristo!” (Gl 2,16).

 

Aloísio Parreiras