MESMO COM AS PORTAS FECHADAS, ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS!

Neste Domingo de Páscoa, nós estamos fechados em nossas casas, respeitando o isolamento que nos é solicitado nestes dias da pandemia. Mas, mesmo que as portas de nossas casas estejam fechadas, nós não estamos sozinhos, pois somos o Povo de Deus, uma comunidade reunida, a Santa Igreja que caminha pelo mundo, anunciando os gestos e as palavras transformadoras de Cristo. É evidente que, algumas vezes, nestes dias, expressamos sinais de medo ou de insegurança. Mas, neste Domingo, com renovada alegria, nós somos convidados a perceber que “este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e n’Ele exultemos! ”.

Exultante, eu quero expressar a todos o meu ardente desejo de estar junto a cada um de vocês nessa firme caminhada em direção ao Sepulcro onde Nosso Senhor Jesus Cristo foi sepultado logo após as trevas da Sexta-Feira da Paixão. Desde o início desta caminhada, é importante que saibamos que não existe Domingo de Páscoa sem a Sexta Feira da Paixão. Partimos para o Sepulcro com a plena convicção de que há jeito para todas as coisas que há no mundo, inclusive a morte, pois nosso Redentor nos ensina que há uma ressurreição. Após a dura experiência de testemunhar que nossos pecados foram os responsáveis pela morte de nosso Mestre e Senhor, em um profundo e significativo silêncio, nós apressamos os nossos passos, pois iremos verificar que a pedra do Sepulcro foi deslocada, a pesada pedra foi removida e, sem nenhum tipo de ceticismo, vamos testemunhar um acontecimento extraordinário que revigorará, mais uma vez, a nossa fé.

Partimos em direção ao Sepulcro e, logo nos primeiros passos, nas primeiras horas desse novo dia, sentimos em nossa pele, e nos fios de nossos cabelos, o doce e suave sereno da madrugada nos envolvendo. Toda a atmosfera desse dia, que em tudo se faz singular, nos inspira a uma maior vivência da santidade. Como companheiros de caminhada, com emoção, contemplamos uma bela visão: as flores e as roseiras dos roseirais acabam de rebentar, exalando um perfume novo que nos saúda nesse nosso trajeto. As verdejantes colinas de Nazaré pareciam mais do que nunca o melhor lugar do mundo em que podíamos estar. O sol, com sua luz imponente, ia aos poucos tremeluzindo no céu, indicando-nos com seus fúlgidos raios que nós estamos próximos da contemplação da glória do Filho único de Deus Pai.

Quando vislumbramos a entrada do Sepulcro, uma revoada de pássaros nos saúda com seu alegre canto, induzindo-nos a entrar no Sepulcro, entoando em uníssono um canto de glória. Antes de entrarmos no Sepulcro, esbarramos em Maria Madalena, que está chorando de entusiasmo sem proferir uma única palavra. A alegria de Maria Madalena nos contagia e, sem perder um único segundo, penetramos no Sepulcro onde, com renovada esperança, nos é possível averiguar com os nossos próprios olhos que a vida venceu a morte, a luz venceu as trevas e a esperança superou o pessimismo. Com grande satisfação, nós ouvimos os Anjos nos dizendo: “Ele ressuscitou conforme havia dito! ” (Mt 28,6).

Ao sair daquele Sepulcro, vamos correndo em direção a Jerusalém, e passamos por dois discípulos que estão retornando da pequena aldeia de Emaús; e quando eles seguram nossas mãos, sentimos um prolongado ardor em nosso íntimo. Nesse exato momento, nossas almas professam a plena certeza de que o Ressuscitado não nos abandona e que, por amor a Ele, eu, você e cada um de nós, como missionários do novo anúncio, somos chamados a testemunhar que “Ele não está mais aqui”. (Lc 24,6). Como bem sabemos, Ele está nos sacrários de nossas Igrejas! Ele está na caridade de seus discípulos! Ele está no nosso autêntico testemunho de fé, que é renovado pelo jubiloso anúncio da ressurreição de nosso amado Redentor. Ele está vivo em nossos corações, mesmo no interior de nossas casas, sussurrando em nossos corações: Calma, esta tempestade vai passar e, com o alvorecer do novo dia, você virá que o mundo nunca mais será o mesmo!

Após ouvirmos estas palavras de Jesus, nós não conseguimos mais conter a nossa alegria. Queremos correr pelo mundo para anunciar: “Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram!” (1 Cor 15,20). A morte foi vencida! A morte não tem mais poder sobre nós, pois, em união com Cristo, nós também ressuscitaremos! Aleluia! Cristo ressuscitou! Una-se a nós, no anúncio dessa boa nova, pois “se confessares com a boca que Cristo é o Senhor e creres em teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”. (Rm 10,9)

Irmãos e irmãs, rejubilem-se, pois hoje é Páscoa; o Cristo ressuscitado aquece os nossos corações e renova diversos encontros conosco. Se soubermos silenciar o coração, em oração, mesmo que seja em uma comunhão espiritual, ouviremos a doce voz de Cristo a nos acalentar: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em Mim, mesmo morrendo, viverá; todo aquele que vive e crê em Mim não morrerá eternamente. Você acredita nisto?”. (Jo 11, 25-26).

Com os olhos banhados em lágrimas, diremos a Ele: “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus! ” (Jo 11,27) Sim, Senhor, eu creio que, junto a Ti, serei sempre um vencedor! Sim, Senhor, eu creio que abristes para nós o caminho que nos conduz em direção à Páscoa eterna! Sim, Senhor, eu creio que “se Cristo não tivesse ressuscitado vã seria a nossa fé! ” (1 Cor 15,14). Mas, Tu ressuscitaste, Senhor! Tua ressurreição é a maior demonstração de que és Deus!

No decorrer desse dia de Páscoa, podemos e devemos compartilhar a alegria pascal com nossos familiares, com nossos amigos e com os companheiros de nossa comunidade. De que maneira, se estamos isolados em nossas casas? De diversas maneiras, tais como ligando e dizendo a eles: vocês não imaginam o quanto fazem falta! Dizendo também: estamos juntos nesta grande corrente de oração e, em Deus, nós superaremos esta noite escura. Podemos também escrever ou ler uma poesia, gravar um vídeo, rezar um terço, um Rosário ou apenas uma Ave Maria; enfim, em pequenas coisas, devemos deixar claro que a distância física não diminuiu em nada o amor que nos une.

No decorrer deste dia de Páscoa, nós devemos extravasar uma intensa alegria, cantando com júbilo a certeza de que, em Cristo, nós seremos sempre vencedores. Ao redor de uma fogueira, assamos alguns peixes e contemplamos a imensa lua no céu de Nisan, a lua cheia da Páscoa. Sob os raios da lua de Nisan, junto com São Pedro e São João, renovamos o firme desejo de viver uma vida renovada e iluminada pela Boa Nova que Jesus Cristo nos legou. Para nosso espanto, quando já achávamos que nessa noite não teríamos mais nenhuma surpresa, nós fomos surpreendidos com a presença de Cristo, que estava abraçado com Sua Mãe. Com os olhos banhados em lágrimas, soletramos nosso agradecimento a Nossa Senhora, dizendo: Obrigado, querida Mãe, por não nos deixar cair no desespero e por nos ajudar a alcançar o verdadeiro arrependimento de nossos pecados. Obrigado, sublime Mãe, por nos ensinar que o Senhor ressuscitado nos oferece continuamente o dom do Seu amor que nos acolhe, nos perdoa e reconcilia.

Ao término desse Domingo, que será celebrado em todos os domingos, nós professamos que, em união com o Cristo, hoje e sempre será páscoa em nossos corações. É chegado, então, para todos nós, o momento de partir em missão, bradando que nosso Deus amado está no meio de nós! É chegado o tempo propício de concretizar nosso ardor missionário que nos faz perceber que o nosso mundo e os nossos contemporâneos sentem a imperiosa necessidade de compreender e acolher a misericórdia, a esperança e o sublime amor que provêm de nosso Senhor Jesus Cristo e, por isso, não percamos tempo, pois hoje e agora é o melhor momento de se afirmar: “É verdade! O Senhor ressuscitou! ” (Lc 24,34).

Que estes dias da Páscoa sejam, para todos nós, sublimes momentos de graça e de esperança que nos levem a esculpir, no fundo de nossa alma, os mais fecundos desejos de que queremos ser revestidos de Cristo! Que nestes dias da Páscoa saibamos abrir as portas de nossas casas e de nossos corações ao Senhor Jesus que está vivo e ressuscitado em nosso meio. Sim, é verdade que, neste momento, estamos observando muitos sinais de morte, mas é imprescindível saber esperar em Cristo com a consciência de que a Sua ressurreição é o sinal efusivo de uma nova aurora. Que a luz da ressurreição de Jesus nos acompanhe constantemente e seja fonte de esperança firme hoje, amanhã e sempre. Uma feliz e abençoada Páscoa!

 

Aloísio Parreiras

2020-04-12T14:31:27-03:0012/04/2020|